terça-feira, 30 de setembro de 2008

:: Manhã parisiense


Alice tá se acostumando com a escolinha. Hoje ficou uma hora inteira, sem grandes problemas.

E eu aproveitei pra escapulir, sentar em um café pequetito, pedir um capuccino e ler "Reparação" por 50 minutos ininterruptos! Delícia!

Na saída, bate aquela sensação de esqueci alguma coisa. E fico olhando em volta aparvalhada, dou uma conferida na mesa, lembro se paguei a conta e peguei o guarda-chuva que estava na cadeira, checo os bolsos (qual é a de checar os bolsos numa hora dessas? Nunca entendi, mas não consigo evitar...).  Tudo ok. Então deixo umas moedinhas pro moço simpático do balcão, e saio.

E aí me dou conta do óbvio. Depois de um mês nessa cidade, empurrando carrinho pra cima e pra baixo, o que faltava era a Alice! Hoje foi a primeira vez, desde que cheguei aqui, que fiquei fora de casa sem ela. Mon Dieu!

E eu nem chorei, hein? Fiquei uma hora inteira sozinha, sem grandes problemas. Estou me acostumando com a escolinha, afinal. Acho que estamos prontas pra tentar uma hora e meia amanhã...

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

:: Brincos



Alice precisou tirar os brincos para ir à escola.

 

E aí eu notei que as menininhas francesas não usam brincos. E mais: recebo uns olhares estranhos por conta dos brincos da Alice. Reprovadores. Devem me achar uma selvagem por ter mutilado minha filha tão pequenininha.

 

Foi uma questão, na época. Furar ou não furar. Um lado meu morria de dó, mas outro tinha certeza que ela me agradeceria por isso mais tarde. Porque eu saí da maternidade de brinco, e sempre agradeci loucamente à minha mãe por isso. Lembro de amigas que não tinham as orelhas furadas e era sempre uma crise quando elas decidiam furar, sempre batia uma ansiedade, medo, era um sofrimento. E eu pensava: ufa!, que bom que já vim furada de fábrica (recém-nascido ainda tem um pezinho na fábrica...). Pra mim, muito mais cruel do que furar uma bebezica inconsciente e molinha era fazer uma menina de, sei lá, 7 ou 8 anos, tomar a decisão de ir na farmácia pra alguém atravessar sua pele com uma agulha grossa, e duas vezes. Pois era justamente esse o argumento do Carlos para não furar: vamos deixar ela tomar a decisão quando for a hora, e encarar, lidar com o medo. Faz parte do crescimento. Putz, verdade. Meu marido é um cara muito bacana e cheio de colocações pertinentes. Mas a mãe sou eu e mãe manda mais nessas horas. Eu ainda achava que furar agora seria evitar um sofrimento futuro maior, e o que é ser mãe senão querer adiar o crescimento evitar o sofrimento da prole? 

 

Quando Alice fez um mês, chamamos uma enfermeira que veio em casa botar os brincos. Fiquei tensíssima, confesso. Culpada. Com vontade de chorar, de me trancar no quarto pra não ver. Mas segurei a onda e fiquei ali, pra dar o apoio moral que minha filha iria precisar depois de ser cruelmente brutalizada por conta de um capricho babaca da mãe. Então a moça furou uma orelha, depois outra, e nada aconteceu. Alice não acordou, simples assim. Estava dormindo e dormindo permaneceu - mas agora lindinha com seus brinquinhos novos, presente do biso. (O nome do milagre? Pomada EMLA, anestésica, uma hora antes. Um luxo!) 

 

Desde então, ela nunca tomou conhecimento dos tais brincos. Não puxou, não coçou, não reclamou. E eu, aliviada, achei que furar foi a decisão certa pra gente. 

 


Mas eis que vem a escola e me faz tirar os brincos (razões de segurança, pelo que entendi). E cá estou, depois do perrengue todo, morrendo de medo dos furos fecharem e Alice, aos 8 anos de idade, ter que sofrer com a decisão de (re)furar as orelhas. Agora me diz: existe justiça no mundo? 



 

(Existe. Pro pai.)





quinta-feira, 25 de setembro de 2008

:: Espaço aberto pra anunciantes


Enquanto não faço fortuna com anunciantes pagantes (que, tolinhos, ainda não descobriram esse blog como seguríssima fonte de zilhões de dólares), anuncio de graça mesmo.

Primeiro um portal feminino bem bacana, que inclusive me cedeu o selinho ali em cima: o meiafina.com.br. Além do conteúdo legal, ele linka um monte de blogs interessantes (tipo o Homem é tudo palhaço, de umas meninas engraçadíssimas do Rio). Tem fórum e sessão sobre filhos, dá pra palpitar e aprender bastante. Vale conhecer. (Comunidade no orkut: www.orkut.com/Main#Community.aspx?cmm=67946849)


Depois, anuncio a mim mesma: no no-scrubs, causos de Paris sem mamadeiras nem fraldas sujas (porque às vezes nem eu aguento tanta falação sobre bebês), e, pra quem tiver saco, um registro do passado babaca desta que vos fala, mais Lulu e Marcio, meus companheiros de aventuras. (Nós não temos comunidade no orkut, mas se algum fã (haha!) se habilitar, estamos aceitando...)


:: Escolinha - dia 2


Daí que eu contei tanta vantagem sobre o primeiro dia na escolinha que a Alice resolveu dar um escândalo espetacular no segundo. Chorou os 30 minutos em que eu estava fora, non-stop. Resultado: reprovou. Hoje vai fazer de novo os 30 minutos, pois ainda não está pronta pros 45. Oh god!


Alice tomou bomba!

Aí eu fico naquelas: poxa, filha, que chato. Mas no fundo, bem no fundo, amo! Porque não tem madame francesa, chão colorido, coleguinhas nem nada, o que ela quer é mamãe, mamãe, MAMÃE!!!! 


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

:: Dos rótulos que eu adoro


Creme para troca de fraldas da Mustela e seu devido rótulo em português - de Portugal.


:: Hora do banho


...que hora tão feliz!


video

terça-feira, 23 de setembro de 2008

:: Alice na escolinha - dia 1


Ontem Alice começou a adaptação na halte-garderie! 

 

E... não aconteceu nada. A responsável pela parte dos bebês me explicou o esquema rapidinho e perguntou sobre hábitos da Alice, enquanto a própria tentava escalar um almofadão multicolorido. Aí, tchau e até amanhã. A coisa toda não durou 20 minutos. 

 

O espaço é uma sala pequena com alguns brinquedos e almofadas pelo chão e uns berços em um canto. Não é bem uma escolinha, é mais um quebra-galho pra liberar as mães por algumas horas. Eles juntam ali meia dúzia de crianças e cuidam para que elas permaneçam vivas e relativamente inteiras até a hora das mães virem buscar. É tudo muito simples. Mas como criança consegue se divertir até com garrafa de plástico vazia, tá ótimo. Junta um chão colorido, sucata e um monte de bebês que eles fazem a festa.


Enfim, ontem não aconteceu nada, foi só pra conhecer mesmo. E hoje começamos o processo de separação, que é assim: todo dia eu saio um pouquinho das sala, ficando ausente por um tempo cada vez maior. Hoje foram 15 minutos, amanhã serão 30, depois de amanhã 45, e por aí vai.

 

Então eu saí, contei até 900 fiz uma listinha de supermercado na sala de espera, e voltei. Alice me viu, abriu um sorrisão e veio se arrastando de barriga em minha direção. E atrás veio a moça, pra me narrar a performance da minha filha nesses 15 minutos. 


Meu francês ainda é meio chulé, mas pelo que entendi, ela disse que foi tudo ok. foi tudo ótimo, que Alice comportou-se exemplarmente, que ela é uma criança inteligente, sociável, educada, curiosa, charmosa, dengosa, cheirosa, sexy e linda de morrer, e que inclusive a gurizada toda do jardim de infância pagou um pau.

 

Rá, que sucesso! Amanhã serão 30 minutos, 15 a mais pra Alice exibir todo o seu charme pessoal. Vai lá mostra pra eles a ginga da mulher brasileira, filha!



segunda-feira, 22 de setembro de 2008

:: Acabou chorare ficou tudo lindo. Ou não.



Comentou a Ju no post de baixo: nem sempre é dor.

Pois é.

Às vezes eu tinha a impressão que Alice chorava por pura crise existencial. Chorava com aquela cara de não-nascida, de quem não sabe a que veio. Tipo uma angústia metafísica, quem-sou-pra-onde-vou-e-o-que-caralhos-estou-fazendo-aqui?

Uma coisa que eu li (ou alguém falou, não lembro...) e me ajudou montes foi: dê ao bebê o direito de chorar. Porque às vezes eles têm que chorar, simples assim. E tá tudo bem, é normal, alivia. A ansiedade das mães em acalmar o choro a qualquer custo pode ser mais enervante pro bebê do que chorar por um tempinho pra descarregar a tensão. Sei lá se isso é verdade, mas eu gostei do raciocínio, e isso me acalmou um pouco nos primeiros meses. Quando Alice chorava e não era fome, não era frio/calor, não era fralda e não era dor (ok, a gente nunca sabe ao certo, mas choro de dor em geral é mais desesperado), eu simplesmente sentava ali com ela, fazia um chamego e esperava. Sem pânico, sem afobação, sem tentar de tudo desesperadamente. E com tampões de ouvido, há!, eis outra dica que eu li e a-do-rei: mamães, usem tampões, sem culpa! Não para não ouvir e ignorar, mas pro choro não arder tanto na orelha. 


***


Esse chorinho angustiado é coisa de bebê pequeno. Depois eles crescem e começam com aquele choro picareta que acaba quando não tem ninguém pra ver. Alice começou com isso, a pilantrinha. Desenvolveu esse choro resmungado e sem lágrimas que não convence ninguém, mas irrita geral. Ignoro super, por medo de dar trela e ela virar um monstrinho. Tipo esse figura.

Medo. Morro de medo de bebê chiliquento. Desses que dão piti na rua ou se jogam no chão do supermercado, sabe? MORRO de medo. Mas esse molequinho do vídeo é incrível, eu até gosto um pouco dele, pela picaretice e cara de pau. E ele pode, porque está inserido na categoria "filhos dos outros". 

Agora, "filhos nossos", fazendo essa cena, jamais! 


sábado, 20 de setembro de 2008

:: Funchicomo? II


Olha aí a confraria das mães em ação!

Advertência da Fernanda sobre a Funchicórea do post abaixo:

fernanda disse...

Posso dar uma palpitada tb??
Meninas...fuchicoria é açucar sim!!(tem um "bucadim" de sacarose na sua composição..e tb aspartame - isso mesmo..o mesmo componente do adoçante!!)
Ninguem quer entupir o filho de açucar assim que nasce, certo??
Então o que sempre funcionou aqui em casa, foi uma bela bolsinha de água quente...MAMÃE tomar chá de camomila...e qdo o bicho pegava mesmo...banho de balde!!!
Nada como um bom banho de balde para melhorar a vida desses pequenos!! Se não tiver o balde...coloca na banheira mesmo!! A água faz milagres!!!
E não tem açucar..né?? Vamos deixar para dar as delicias de guloseimas açucaradas um pouquinho mais para frente!!!
Ah..nem todo chorinho é colica meninas..muitos recem-nascidos choram porque antes não tinham que fazer cocô, arrotar..todo o aparelho digestivo "não" era utilizado..então tudo é muito novo para eles..muitos choram por isso!! Procurem reparar se não é isso..depois de um tempinho eles aprendem e param de chorar...
Ah..posso dar mais uma palpita (dica)???
Qdo o recem-nascido fica resistente ao sono..basta passar a mão entre os olhinhos..(alguns tem sono..ficam chorões e não conseguem dormir..) eles bobinhos nÃo sabem que para dormir basta fechar os olhos....então fazendo esse carinho neles...facilita e mostra o caminho para soneca.

Beijocas..Fê


Valeu o toque, Fê!


Bom, eu dei uma fuçada e vi que a composição da Funchicórea é a seguinte (para a porção de 0,15 gramas): 


Extrato mole de chicórea ................... 0,01g 

Ruibarbo em pó ............................. 0,01g 

Essência de funcho ......................... 0,0035ml 

Sacarina pura .............................. 0,003g 

Excipiente q.s.p. .......................... 0,15g 


Acho que o problema não é sacarose, nem aspartame, nem "extrato mole de chicória", que soa péssimo mas deve ser ultrasaudável. O problema é a tal da sacarina, que é usada em adoçantes. É bem pouquinho (até porque a porção que eles recomendam, uma tampinha, é enorme! Eu usava um quinto disso, no máximo). Mas sei lá. Aí vai de cada mãe, cada bebê e cada situação. Avaliem e decidam.



A segunda dica é incrível! Eu chamava isso de Hipnose da Galinha (não lembro porque, mas tinha uma boa razão, acho): você passa o dedo de levinho do alto da testa até a ponta do nariz, e vai repetindo devagar até os olhinhos fecharem - e eles fecham na maioria das vezes, principalmente quando o bebê é bem novinho. Aprendi com um indiano amigo do meu irmão e adorei!


É isso, por hora. 


Brigadão Fê, e volte sempre!



sexta-feira, 19 de setembro de 2008

:: Funchicomo?

 

Com a mudança pra Paris e toda a confusão que se seguiu, esse blog acabou abandonando seu lado pseudo-educativo. Pseudo porque não sou médica nem especialista nem nada, sou só mãe, tá gente?, e nem faz tanto tempo assim. No fundo, eu sou uma palpiteira, só isso. Então ouça sempre o médico primeiro, ok? 


Advertência de segurança colocada, vamos falar a verdade: o que é ser mãe se não palpitar e ser palpitada, gente? Taí a imensa e universal Confraria das Mammas pra provar. Então hei de palpitar enquanto puder, e os comentários estão abertos para vossas próprias dicas, palpites e opiniões. Aqui pode tudo, ou quase - como diz a Olly, só não vale xingar a mãe. Que, no caso, sou eu mesma.

 


Enfim, a dica do dia:

 

Se eu precisasse dar um conselho para novas mamães em apenas uma palavra, ela seria: FunchicóreaNão se impressionem com o nome esdrúxulo. Funchicórea, meninas, é a prova definitiva de que Deus existe!

 

Trata-se de um pozinho cor-de-rosa numa embalagem de antigamente. O rótulo diz que é um fitocomposto à base de chicória, funcho e ruibarbo, natural e sem contra-indicações, mas há quem diga se tratar de um composto de Valium, Prozac e Dormonid, o que pra mim faz muito mais sentido. O gosto é de açúcar - e se açúcar funciona com você, amiga mulher, nas horas do aperto, pense no que não pode fazer por um recém-nascido histérico em termos de conforto, controle da ansiedade e delicinha. É tipo chocolate na TPM. Ou aquele velho truque do melzinho na chupeta, mas sem o melzinho- que é proibido para bebês, atenção!,  consulte seu pediatra para saber mais.

 

Funchicórea funciona assim:

 

Bebê chorando --> Mãe chorando --> Chupeta à milanesa coberta de funchicórea (aliás, pra mim "chupeta" é a segunda palavra vital da maternidade. Há controvérsias, eu sei, mas com Alice funciona que é uma beleza) --> Bebê quietinho e de olhos arregalado, chup-chup-que-delícia --> Mãe feliz --> Bebê dormindo --> Mãe dormindo (por 1 ou 2 horas) até ser acordada por...

 

Bebê chorando.

 

(Continua forever and ever, por um mês inteirinho, ou mais.)

 

2 horas de sono ininterrupto parecem pouco agora, mas vão ser um luxo quando for a hora, acredite. Por essas 2 horinhas eu ajoelhava no chão duro e agradecia à Funchicórea todo dia de manhã (manhã, noite, que diferença faz quando se tem um recém-nascido???).

 

Então a gente comprou muitos potinhos e espalhou pela casa, carrinho, sacola do bebê, casa de parentes - outra ação que eu recomendo fortemente, porque encontrar a Funchicórea é bem difícil durante um ataque de fúria do seu bebezinho. E assim sobrevivemos felizes aos primeiros meses de Alice, que agora já é grandona e madura e só vai voltar a recorrer a coisas docinhas pra se acalmar quando fizer uns 13 ou 14 anos.

 

Fim.

 

(Ah é: já ouvi relatos de bebês que eram completamente imunes à Funchicórea. Se esse for o caso, pelo menos você aprendeu um nome bem feio pra praguejar nas horas de raiva.)


quarta-feira, 17 de setembro de 2008

:: Alice vai pra escola!


Consegui fazer a matrícula na escolinha!

 

Minto. Quem conseguiu foi o Carlos. Como era gostoso O meu francês me abandonou assim que pisei nessas terras, de modo que não entendi patavina do que a madame-diretora dizia. Eu só fazia que sim com a cabeça com um olhar sábio, enquanto Carlos e ela se comunicavam loucamente.

 

O fato é que conseguimos 3 meios-períodos pra Alice: manhã de terça, tarde de quinta e tarde de sexta. Estranho, né? Não entendi como ou porquê, mas o Carlos entendeu assim, meio chutadamente, que é por falta de vagas nos outros dias, e é por enquanto, e pode mudar e blá-blá-blá. Eu achava que escolinha era coisa de todo-dia, mas tudo bem. Esses três já vão ajudar bastante.

 

Segunda às 9 da manhã nós vamos lá para começar a adaptação - o período em que eu fico junto com ela na sala, pra ela ir se acostumando ao ambiente e às pessoas. Deve demorar uns 10, 15 dias até ela se sentir segura, e então, voilà! Alice será uma criança grandona, sozinha na escola (Mon Dieu! Mas ela era um bebezinho pequetito ainda ontem! A frase "nossa, como passa rápido!" é familiar pra alguém?...). 


Bom, se eu acompanho Alice nos seus primeiros dias de escolinha, fica a pergunta: quem ME acompanha nos MEUS primeiro dias de escolinha com a minha filha? Eu também tô insegura, gente! Eu também não sei falar como o povo daqui! Eu também queria alguém comigo me tranquilizando até eu me acostumar com a madame-diretora, que me bota um medo terrível, e com os franceses em geral, que são muito bravos! Eu queria 15 dias de adaptação maternal antes de encarar a adaptação infantil, tem jeito, madame-diretora?


segunda-feira, 15 de setembro de 2008

:: A gente pensa que é malandra...


Alice brincando com uma bolinha amarela de plástico, batendo tum-tum-tum na cama, nos brinquedos, na caixa de óculos. A bolinha tem um guizo dentro, faz barulho. Ela se empolga, sacode as mãos, tum-tum-tum, e eis que TUM! na própria cabeça. Com força. Olha pra mim chocada, faz beicinho. 

Eu, deitada perto dela, faço o que muita mãe espertona faria: pouco caso. Sorrio e digo numa voz bem animada: Opa, filha! Foi na cabeça? Tudo bem, não foi nada, nem tá doendo, né? Agora pega a bola e vamos brincar mais, tó.

Então ela pega a bola. E TUM! na MINHA cabeça. Com força. E fica me olhando. 

E aí? Fazer o quê numa hora dessas?

Deixar de ser besta!, ela me diria, se soubesse falar. 

sábado, 13 de setembro de 2008

:: A vida lá fora II


:: Pisando nas nuvens


Reiterando: Alice não foi em um parquinho com chão emborrachado, foi em vários. Pelo que saquei, todos têm, o que é de enlouquecer qualquer mãe. Você entra na área das crianças e sente que o chão é macio e os pés afundam um tantinho, fluf!


***


:: Sobre pracinhas e passeios... de novo.


Eu morei na Vila Madalena a vida inteira, e sou louca pela Praça do Pôr-do-Sol. Amo aquele lugar, que pelo que me lembre foi das minhas melhores opções de ar livre na infância, junto com a Praça do Relógio da USP. Então eu sempre enchi a boca pra falar que a Praça do Pôr-do-Sol é incrível, assim como o Parque Villa-Lobos, que adoro. Mas "incrível" é uma questão de referência. Depois de uns dias aqui em Paris eu concluí que a Pôr-do-Sol é bem intencionada, é gostosa, é querida, mas é chulé. Chulezérrima, coitada.

Agora eu moro na Lapa, pertinho da Vila Madalena. Bairro bacana, rua arrumadinha. Mas meu passeio com Alice a pé é, literamente, ir até a esquina e voltar umas 5 vezes, aos trancos e barrancos por causa das calçadas rachadas. A pracinha que fica no quarteirão de baixo provavelmente não tem manutenção desde 1983. A de cima, lá no alto da Cerro Corá, é um gramadão com uns bancos de concreto, e só. Às vezes vejo uns grupinho de adolescentes ali, mas em geral está vazia.

O que tô querendo dizer é que, por falta de opção de qualidade, a gente não criou o hábito de ficar ao ar livre. Ok, temos os domingos no parque do Ibirapuera, o que é muito legal. Mas aqui isso não é programa de domingo, saca? Aqui você sai do trabalho e muito provavelmente vai cruzar com um parque, ou dois, bem cuidados e bem planejados (vide chão de borracha...), no caminho de volta. E vai parar, tomar um solzinho, bater um papo com alguém, ver as crianças brincando...

É possível sim criar uma rotina de passeios a pé e achar bons parquinhos em São Paulo, sobretudo pra quem mora em bairros legais. Mas aqui é realmente outro nível. Não dá pra começar a comparar, acreditem. Não digo isso pra desvalorizar o Brasil ou entrar naquele papinho chato de "oh! como a Europa é melhor". Comentei porque me chamou a atenção. Porque a diferença é chocante, muito maior do que eu imaginava - e olha que eu imagino longe. Claro que o nosso contexto é outro em tudo, mas não tenho saco nem credenciais pra entrar numa discussão histórico-sócio-político-econômica sobre o assunto. Só acho que pensar que nossos parque são incríveis faz a gente se contentar com eles, o que é muitíssimo pouco. Falta muito chão pra gente ter a qualidade de vida que se tem aqui no que se refere a espaços públicos. Muito chão de borracha, principalmente! ;)


 
****


Pra não parecer que tô pagando pau pra França, eis uma verdade: o povo aqui fuma pra cacete, é bem desagradável. 

Alice acaba de comer sua primeira bituca de cigarro. Agora, nesse instante, enquanto escrevo. Achou debaixo da mesa e comeu.

Fica a pergunta: como uma bituca de cigarro foi parar embaixo da mesa daqui de casa, camuflada no carpete (e há pelo menos um mês, porque ocupamos o apê há uns 25 dias e ninguém aqui fuma)? Prefiro acreditar que ela veio na sola de algum sapato, mas tenho as minhas dúvidas. Porque o que mais tem é fumante que joga bituca no chão como se nada fosse, coisa que me irrita deveras. Amigos, fumem seus cigarrinhos, mas joguem a bituca no lixo, que que custa? 

Bom, a Alice tá com bafinho de cigarro e acho que devo fazer algo a respeito. Beijo-tchau!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

:: A vida lá fora


Paris é o paraíso encantado das crianças. Pra quem vem de São Paulo é um choque.


Quem já tentou sabe: dar uma volta de carrinho em SP é mais difícil que correr o Rally dos Sertões. Buraqueira danada, raízes que brotam do chão, calçadas sem rebaixamento, motoristas mal educados, e por aí vai. Passear, pra Alice, era entrar no carro e ir pra casa da vó, tia ou algum amigo. Ou no Parque Villa Lobos, pra dar umas voltas na pista de corrida. E olhe lá.


Já aqui é uma loucura. Primeiro porque é uma cidade pra ser andada a pé (ou de bicicleta!) – e eu que não dirijo enlouqueço em lugares assim. Depois, entra-se de carrinho até no metrô. Os carrinhos aqui são super leves e tecnológicos, com mil peças e acessórios criados com dois objetivos: garantir a portabilidade (ui, que eu falei bonito agora!) e enfiar o maior número possível de crianças dentro de um só.


Assim:

-       A criancinha número 1 vai de pé num skatinho acoplado na parte de trás.

-       A número 2 senta numa cadeirinha e vai de costas.

-       A número 3, menorzinha, deita na poltroninha – o que pra gente seria o carrinho propriamente dito, com o banco convencional.

-       E a número 4, recém-nascida, vai pendurada numa rede de tecido que pende do encosto da cadeirinha do número 3.

Tudo isso, atenção, em um único carrinho, empurrado por uma única mãe! Deu pra sentir o drama? Ok, confesso que quatro crianças assim de uma vez eu não vi. Mas vi todos os acessórios citados acima, e muito mais. Imagino que o planejamento familiar daqui seja todo feito em cima disso, Mais um filho, querida? Melhor não, o carrinho já está lotado.


Enfim, me alonguei falando de carrinhos mas o principal assunto aqui é outro. É como a gente é carente de espaços públicos no Brasil. Pra não generalizar, falo por São Paulo. É de um interior a outro, quase sempre. De casa pra outra casa, ou pro restaurante, ou pro shopping, sei lá. Pouquíssimas vezes a gente sai andando com o bebê rumo a um parque, uma praça, um canteiro florido num canto de rua. Quando vai, é de carro.


Eu tô aqui há 20 dias. Nesse tempo, Alice já visitou 2 jardins loucamente floridos, brincou num parquinho com chão emborrachado, viu várias fontes com patinhos, sentou num tanquinho de areia, andou de ônibus, andou de metrô, andou de barco, cruzou a ponte, dormiu à tardinha em praças e viu cangurus. Provavelmente esteve mais ao ar livre nesses 20 dias do que em um ano em São Paulo.


Pois esse é o cotidiano dos bebês daqui. Não só dos bebês, de todo mundo. Os parques e praças ficam lotados no fim da tarde, com gente espichada pelos gramados pra estudar, ler, bater papo ou tomar vinho comendo croissants. A cidade é de uma civilidade absurda nesse sentido. O espaço público é planejado, e funciona. É de matar de inveja, né não? Nem é tanto inveja, é admiração. E uma baita torcida pra um dia isso virar realidade pra gente também.

 

Agora, algumas fotos ilustrativas para o vosso deleite:


Essa foto é boa porque contém muita informação: um pai bonitão, um bebê desconfiado porque nunca viu um parquinho na vida, um chão GENIAL todo emborrachado, um carrinho hi-tech (ainda que um tanto pequetito) e uma ausência de bunda à francesa.


Aqui a pequena Alice ensaia seus passinhos e a ausência de bunda foi trocada por uma avó em júbilo, o que achei válido. O chão GENIAL está mais visível, notem. É emborrachado, gente!


Aqui eu tô pagando de gatinha. E tem um castelinho desfocado ao fundo, reparem bem. Mas a idéia é mostrar que as pessoas sentam na grama e lá passam metade do dia.





quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Conectada


Internet chegou, finalmente! 

As atividades deste blog serão normalizadas em breve.

Aproveito pra agradecer o apoio moral da mulherada e dar boas vindas às meninas novas que comentaram aqui (Marina Menezes, não achei seu email... me manda? Quero o contato da sua amiga sim!).



quarta-feira, 3 de setembro de 2008

:: Ainda correndo...


... e sem internet. Os franceses tão dando golpinho na gente, que coisa! Jogaram a entrega do modem pra semana que vem. Paciência, até lá continuo escrevendo precariamente de um café (5 euros um cafezinho com leite, posso com isso?).

Estou no processo de caçar de uma escolinha pra Alice. Até agora foram 4 tentativas na subprefeitura.

1a. - segui um mapa feito uma toupeira bêbada e fui dar na subprefeitura de outro distrito, de tanto que andei pro lado errado. 
2a. - a responsável pelas inscrições da creche tinha dado cambau e saído mais cedo. 
3a. - cheguei as 17h03 e a moça da recepção olhou feio e falou que eles fechavam  às 17h. 
4a - finalmente consegui falar com a responsável, e nos entendemos de um jeito bem troncho, eu falando mal e porcamente e ela respondendo b  e  m     d  e  v a  g  a  r, sabe como? Se entendi direito, ela me mandou ir na escolinha pra falar com a diretora. 

Pois bem, munida da minha cara de pau (pequena) e domínio do francês (menor ainda), lá fui eu. Na escola, portas fechadas e um interfone. Se eu já estava tensa, fiquei mais ainda - se entender o que eles dizem já é difícil cara a cara, imaginem via fone, sem poder fazer uma leitura labial básica? Respirei fundo, toquei e disse que je voudrai faire une inscription. Aí uma mulher resmungou algo 
do outro lado, e eu mandei um je voudrai parler avec madame Dasche (a diretora), s'il vous plait, e a mulher praguejou, disse algo que eu interpretei como "primeiro andar" e desligou na minha cara. Testei a porta, continuava fechada. Fiquei ali, esperando. E esperando. Abaixei e fingi que amarrava o sapato, depois fiz festinha na Alice, depois testei a porta de novo. Nada. A pessoa não abriu a porta! Mon Dieu!

Agora me diz: se eu não fui capaz de convencer a secretária da escola municipal a abrir a porta pra me dar uma informação, o que eu vou fazer nesse país pelo próximo ano inteiro, minha gente? 






(resposta: eu vou levar Alice no parquinho e ficar rodando com ela dentro da xícara até minha mãe me mandar uma passagem de volta)

   
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