sexta-feira, 22 de maio de 2015

:: Mãe, tô no jornal! \o/


(link para a matéria -  com lupinha para nossos olhos cansados - clicando na foto)

quinta-feira, 7 de maio de 2015

:: Ensaio sobre a ironia


Existe uma coisa que vocês não sabem sobre a minha pessoa: eu tenho um problema de timing. Uma falta de sincronia para com o universo, tipo todo mundo indo e eu voltando. Perco o timing de piadas, perco o fio da meada nas conversas, perco as mudanças do horário de verão e curto postagens de facebook da semana passada. Sabe esse tipo de gente? Inclusive fiz uma camiseta com a frase I have bad timing quando tinha vinte e tantos anos (e até nisso eu perdi o timing, deveria usar camisetas toscamente customizadas até os dezenove no máximo, correto? Enfim.)

Mas às vezes confundo meu timing inadequado com ironia cósmica. Como nesse episódio que vou contar, em que não sei onde termina um e onde começa outro.


Eu tenho esse blog há oito anos. São oito anos pensando assim: puxa, já pensou se isso aqui vira livro, que incrível seria?

Também eu tenho uma filha há sete anos. E um filho há quatro. Ambos bem nutridos, bem cuidados e relativamente limpinhos. Nada de grandes sustos até aqui.

Um dia recebo um email e acontece de o blog poder virar livro. Tema: "maternidade relax". Mas tem que ser vapt-vupt, temos basicamente um mês para fechar tudo. Topa? Topo, claro! Yay!

Então vejamos: tenho oito anos de blog, sete anos como mãe e um mês para fechar o livro. Tudo muito bom, tudo muito bem, vem o destino e PÁF! na minha cara.

Porque foi nesse exato mês que o Lucas se estabacou no chão e eu, que andava orgulhosamente relax, resolvi a questão basicamente assim: Caiu ali, filho? Foi nada, tá ótimo, toma aqui esse picolé e vai brincar, beijo! - e ele foi, ué. Só oito dias depois a gente notou uma envergadura esquisita entre punho e cotovelo e se deu conta de que o braço estava quebrado. Bote relax nisso, né não, minha gente? Ou negligente, podem escolher.

Notem que a criança teve quatro anos para desempenhar a performance "quebrei o braço tô-nem-aí sigo vivendo normalmente", correto? Quatro anos e sete meses, para ser exata. Mas foi acontecer justo meu momento MÃE RELAX OSTENTAÇÃO, claro. Bad timing define? Ironia marota redefine?

Em nossa defesa, devo dizer que foram oito dias absolutamente normais, nos quais o Lucas foi para a escola, brincou de ataque ninja, fez natação (ju-ro!). Não houve dor, inchaço, nada. O pobre estaria quebradinho até agora não fosse o braço entortar feito uma banana para enfim esfregar a fratura nas nossas fuças desatentas. Fomos de uma visitinha rápida ao PS para um raio-x ("só pra tirar a dúvida") a uma cirurgia de emergência. Lu ganhou passeio de ambulância, fios de titânio no braço, gessos coloridos e uma história divertida para contar. Nós, os pais, ganhamos olhares cho-ca-dos de toda uma sociedadji e novos cabelinhos brancos para a coleção. E eu ainda ganhei um capítulo deveras constrangedor sobre maternidade relax para colocar no livro (mas preferi não, hoho!).


Agora segue uma pequena fotonovela ilustrativa cujo objetivo é fazer crer que, se fosse na sua casa, você também teria dado um picolé e mandado a cria ir brincar…


Esta criança está de braço quebrado há 8 dias, alguém diria?

...Ela inclusive foi numa festinha e achou que seria boa ideia tatuar um cavalo bem em cima da rachadura. 

O braço segue quebrado, mas foi imobilizado no PS (notem a cara de dor).

O braço quebrado vai dar um rolê de ambulância. Pobre Lucas, que dia difícil ele está tendo!

Agora o braço não está mais quebrado, mas ganhou fiozinhos de titânio e gesso listradinho. Lucão curtiu isso!

Azulzinho 

Verdinho, logo após a retirada dos fios. (Efeito colateral curioso: ele agora é canhoto.)

Tchau gesso, oi braço magro e chulezento. Fim! 
(...E essa foi, de longe, a pior cara do Lucas desde o tombo.)



Conclusão: osso de filho quebrado e não-detectado, quem nunca? 

Né? ;)

Feliz maternidade relax, gente!


quarta-feira, 22 de abril de 2015

:: Breve numa livraria perto de você!


Foi uma gestação relâmpago. Do primeiro email da editora à revisão final passou-se pouco mais de um mês. Em menos de dois eu tinha o bichinho nas mãos. Taí meu novo filhote!

OU

Foi uma longuíssima gestação. Do primeiro post do blog à revisão final do livro passaram-se mais de oito anos. E eu leio, releio, treleio, e acho que ele nunca estará realmente pronto - assim como eu, com mãe, também não estou. Ainda bem! Mas mesmo assim, taí meu novo filhote!

oi!


(Não custa dizer que o livro também tem textos novos também, viu? Não é só copy-paste do blog, não senhores! Há todo um ineditismo acontecendo por essas páginas...)


Ah, e eu queria mandar beijo para a minha mãe, o meu pai e para Tainã & equipe da editora LeYa, que um dia me procuraram e disseram: oi, tudo bem, bora transformar esse blog em livro?. A Porta da Esperança não faria melhor em matéria de realização de sonhos, pessoal. Tão de parabéns! E mais: beijo para a dona Vaia, do Lulu não dorme, velha conhecida da colegagem blogueira-maternal, que fez o lettering do livro ("fez o lettering": jeito chique de dizer que a letra bonita que abre os capítulos é dela!). Tks, chuchus!

E por fim: vai ter lançamento, yay! Sábado agora, aqui em São Paulo, de tarde, kids-friendly. Venham, venham! \o/ \o/ \o/




sábado, 18 de abril de 2015

:: 2015, o ano em que retomaremos contato


Confesso que sumi.

Espia a data da útima postagem - faz quase um ano já. Céus!

Minha vida ficou uma pasmaceira de lá pra cá e nada digno de nota aconteceu com a minha pessoinha?

Não senhores.

2014 foi um ano intenso, esquisito, travado e cheio de problemas. Foi o ano em que perdi o avô que eu considerava imortal (completou 100 anos e se foi, o danado). Ano em que vi amigos próximos sofrerem com doenças de gente grande. Ano de incluir visitas hospitalares na rotina, dos primeiros fios brancos na minha cabeça, de tomar goleadas literais e figurativas. Mas também foi o ano de receber crianças novas na família, mudar de área, apostar em novos projetos. Fins, começos e recomeços. Acho que 2014 vai ficar na memória como o ano em que eu finalmente adulteci.


Aí veio 2015. Devidamente amadurecida, pensei cá comigo: - Sai ziquizira que 2015 vai ser o ano! Não sei como, não sei por que, mas vai! 

Vá lá que até agora 2015 tá muitíssimo esquisito e pouco promissor numa visão macro. Brasil virou essa festa estranha com gente esquisita e tá me assustando um pouco. Mas me permitem focar em torno do meu microumbigo um pouquinho?
 
A mudança de área vai bem, obrigada. Ainda em fase de semeadura, mas caminhando. A quem interessar possa, estou me aventurando no ramo dos esportes (podem gargalhar).

As amigos sararam, deusbenza. Os cabelos brancos, arranquei-os todos (que ainda estou em negação). A goleadas são história. As crianças novas divertem os almoços familiares e as antigas seguem encantadoras.

E...

...PÁ! Eis aqui um livro de minha própria autoria!


E só estamos em abril, minha gente!

Não falei que 2015 ia ser O ano?

terça-feira, 6 de maio de 2014

:: 10 dicas para uma maternidade relax (sem cortes!)




Eu e uma porção de blogueiras bacanas estamos dando dicas na Crescer desse mês, viram, viram? As minhas dicas são sobre uma maternidade tranquilinha (cof cof) e relax (cof cof cof). Também gravei um vídeo que está aqui, ó.

Mas eu sou uma tagarela incurável, gente. Eles me pediram dez dicas curtas e eu mandei doze dicas longas - juro que tentei diminuir, mas simplesmente não dou conta de ser clara em apenas cinco linhas. Então, como o texto da revista está muuuuuito editado, decidi publicar aqui o original, que me representa melhor.


Então ei-las:


12 dicas para uma maternidade relax

1 
(sem cortes, sem censura e sem photoshop!) 

      
       MEU FILHO, MINHA VIDA?
     O discurso até soa bonitinho, mas é opressivo pra caramba. Veja bem: seus filhos são uma parte enorme da sua vida, não são a sua vida. Você não é menos importante do que eles. Nem mais. Então faça um favor para vocês todos e se faça tão feliz quanto faz os filhotes. Você vai dar para eles um belo exemplo de compromisso com a própria felicidade.

PENSAR TÁ LIBERADO!
Preocupe-se com o que você faz, não com o que você pensa. Pode sentir raiva do filho? Frustração? Pode ter vontade de pendurar a criança num cabide e guardar no armário até ela se acalmar? Pode querer fugir para o Taiti? Claro que sim, desde que você não seja violenta, não desconte frustrações em cima dele, não o guarde no armário nem se despache para o Taiti para nunca mais voltar. Não se culpe por pensamentos horríveis se eles não se tornam ações horríveis. Sua mente é território livre e reprimir sentimentos, além de não os fazer desaparecer, ainda vai te dar uma úlcera de presente. (Agora, se os pensamentos estiverem MUITO horríveis vale buscar ajuda, hein?)

CUIDADO COM O DR. GOOGLE
Os diagnósticos que ele vai te dar serão infinitamente piores do que a realidade em 99% das vezes. Melhor evitar. E nunca, em hipótese alguma, recorra ao Google Images para pesquisar doenças de pele, piolho ou cocô.

NÃO TENHA MEDO DOS ERROS
Uma coisa que a gente aprende rapidinho é que a maternidade é feita de cagadas (literais e figurativas). Então encare cada erro de frente. Olhe-o  nos olhos, entenda-o, abrace-o, faça as pazes e passeie de mãos dadas no parque com ele. Depois mande beijinhos e se despeça, sabendo que você não vai cometer aquele mesmo erro de novo porque foi capaz de aprender com ele.

SEJA PRÓXIMA DO SEU FILHO
Cuidado para não ser atropelada pelo trem desgovernado da vida de mãe. É preciso lembrar de olhar de perto para os filhos, com calma, com afeto e com interesse, sabendo falar e ouvir. Descer do pedestal da autoridade materna e assumir as próprias inseguranças e dúvidas diante de um filho ajuda a construir uma relação de cumplicidade e proximidade - meio caminho andado para uma maternidade mais tranquila a longo prazo.

NÃO SE COBRE ALÉM DA CONTA
Antes de ser mãe de fato eu fui uma mãe teórica impecável. Eu tinha certeza que saberia como agir em todas as situações desafiadoras da maternidade (pausa para as gargalhadas). O que eu não sabia é que, quando fosse pra valer, eu seria sabotada pela emoção. Então dei tchau para a mãe teórica e oi para o mundo real, onde nem sempre tenho estrutura emocional (leia-se: paciência, firmeza, coerência, disciplina) para ser “a melhor mãe que posso ser”. Posso confessar aqui que foi libertador? Pois foi! Então chute para longe a mãe perfeita dos seus sonhos, se ela te oprime. Pode errar, ter preguiça ou ficar de saco cheio sem precisa se martirizar por isso. Assumir que temos limites pode até desmontar a figura da mãe perfeita, mas fortalece a da mãe humana, que é muito mais interessante.

NÃO TENHA PREGUIÇA DE PENSAR
Já fui aquela mãe que procura informações apenas para legitimar suas decisões. Eu me apegava às minhas convicções e descartava tudo o que ameaçasse a segurança (falsíssima) de estar fazendo o melhor. Até que a blogosfera materna entrou minha rotina e eu percebi como era bom abandonar preconceitos e me dispor a ouvir opiniões diferentes. Então, ao buscar informações, esteja verdadeiramente aberta para todas as perspectivas. E não tenha medo de mudar de idéia pelo caminho!

ACREDITE NA AUTONOMIA DOS SEUS FILHOS
Crianças podem se divertir mais com caixas e embalagens coloridas do que com o que veio dentro delas. Criam histórias maluquíssimas. São plenamente capazes de lidar com conflitos, se refazer de tombos ou inventar o que fazer – é só não haver um adulto à disposição para resolver tudo por elas. As lições que eu tiro disso são: observar mais, intervir menos, deixá-los mais livres do que me seria natural. Meus filhos têm bem mais autonomia do que eu imagino.

PRATIQUE A MATERNIDADE SEGURA
Dê férias para o tomara-que-caia, o biquíni de lacinho, a saia envelope. Que mãe consegue relaxar estando a uma puxadinha da exibição involuntária de suas partes privadas na festinha do amigo ou na porta da escola?(Vale até o filho completar 8 anos, depois disso tá liberado. Ou não?)

NÃO PERCA A CHANCE DE GARGALHAR
Filhos são uma fonte deliciosamente inesgotável de gargalhadas, aproveite! Cultive o humor dentro de casa: conversem muito, observe os diálogos entre as crianças, valorize o senso de humor, seja ridícula, ria de si mesma, riam juntos. (Só cuidado para não estimular o humor depreciativo, aquele que magoa, desrespeita, aponta o dedo para o outro. Frase clássica aqui em casa: “só é engraçado se todos estão rindo”.)

NÃO CRIE EXPECTATIVAS EXAGERADAS EM TORNO DA MATERNIDADE
Ligue a TV. Tá vendo aquela mãe sorridente, bem penteada e de roupas brancas que diz que a vida é uma loucura enquanto arruma uma casa impecavelmente limpa? Pois deixa eu te contar um segredo: ela é atriz, é bem mais jovem do que finge ser e provavelmente não tem filhos. E essa serenidade inabalável que ela esfrega na nossa cara é uma grandessíssima mentira. Então vamos abandonar as projeções de maternidade inatingível e botar os pezinhos aqui na Terra, onde a casa está bagunçada, vivemos descabeladas e as roupas brancas (opa, que roupas brancas? Você não tem mais nenhuma!) têm manchas de molho à bolonhesa.

INSPIRA, EXPIRA, ACREDITA E VAI!
Perdão pela obviedade, mas: relaxe! Não queira controlar tudo, porque a vida é uma danadinha imprevisível e vai te passar várias rasteiras pelo caminho. Pare de olhar para os lados e se comparar com outra mães. Não se ofenda se as escolhas delas são diferentes das suas. Não dê muito valor para mães pitaqueiras e suas dicas cheias de imperativos (ops!). Respeite o tempo do seu filho e a criança que ele é. E respeite igualmente o seu tempo e a mulher que você é.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

:: A maternidade é um monstrinho bigodudo


(E por baixo do bigode ele ostenta um sorrisinho sarcástico, dizem)

Não bastasse a febre chata, esta criança ainda me pisa num caquinho de vidro. Mas assim, um caquinho mínimo. Minúsculo. Um nada, uma poerinha cósmica, aquilo que sobra no chão depois de varrer, varrer de novo, passar pano úmido e dar mais uma varridinha por via das dúvidas.

Mas o caquinho rende, claro. Uma chance de rolar pela cama miando como um gato gravemente ferido nunca é desperdiçada nesta casa, nunquinha. Meus filhos são danados.

Então lá vou para uma rotina bem conhecida: pegar uma pinça e ficar uns 75 minutos tentando convencer a cria de que é só uma puxadinha rápida. Que vai ser pior se o caquinho ficar no pé pra sempre. Que não posso prometer que não vai doer, mas prometo que quando ela sentir a dor - se é que vai sentir - tudo já vai ter acabado.

(Reparem: eu estava ar-gu-men-tan-do com uma criança de 6 anos. Parece até que a pessoa virou mãe ontem, né?, que ainda não percebeu que poucos coisas são tão ineficientes quanto argumentar com um filho - e isso vale até uns 19 anos, parece...).

Quando cansei de argumentar em vão, fiz como manda a pedagogia infantil mais básica: apelei para O LÚDICO, esse fofo, essa entidade mágica, esse ser misterioso citado por 10 entre 10 escolas infantis. Diz que faz milagre, o lúdico. Bora  invocar o lúdico nessa questão do caco no pé da minha filhoca, vai que cola?

- Alice, tirar esse caquinho é fácil, é tipo tirar pelinho com a pinça. Você já não viu a mamãe puxando uns pelinhos? Eu faço cara de dor? Então, não dói! (menti, me deixa.) Ó, vamos fazer assim: te dou essa outra pinça, aí eu tiro o caquinho e você tira um pelinho meu, pode ser?

- Tá! Vou tirar aqui do bigode, tá? 

(Pronto, aí está. Trocamos um caquinho de vidro pela porra de um BIGODE da minha própria face, a maternidade é um ato de despendimento da própria dignidade ou o quê?)

- Tá. Então vamos? Eu tiro e você tira?

- Vamos! Mas espera que eu acho que eu vou demorar mais, tá?, que tem UM MONTE aqui. 

E graças ao lúdico, voilà: eu tirei o caquinho do pé dela em um décimo de segundo, ela está tirando meus bigodes até agora.

Fim.

*na foto: o Lorax, minha entidade mágica favorita depois do Lúdico! 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

:: Da série: Criei um monstrinho nerd


Lili fez 6 anos e ganhou um jogo Imagem e Ação Jr. - aquele de desenhar uma palavra de um cartão para o time adivinhar, lembram?

(Pausa para um suspirinho de alívio ao perceber que os jogos da nossa infância ainda existem - alguns até conseguiram escapar das franquias infantis dominadoras do mundo!)

 (E um minuto...

 ...de silêncio...

 ...pelos companheiros...

...que não tiveram... 

...a mesma sorte.)

:'(


Mas eu dizia que ela fez 6 anos, ganhou o jogo e ficou toda feliz. Puxou um cartão, escolheu a palavra e começou a desenhar. 

Um retângulo.

- Chocolate!

Outro retângulo em cima do primeiro.

- Estojo! Prédio!

Quadradinhos alinhados dentro do retângulo de baixo.

- Calculadora! Computador!

 -Isso, computador. Mas não é, continua.

(Cabe lembrar que pela regra do I&A eu já teria sido eliminada depois do terceiro chute, mas quem liga para regras? Quem lê regras? Quem ensina regras para os filhos?)

Bom, no fim o desenho ficou mais ou menos assim:



...e as setas deixaram claro que se tratava de algo dentro da tela de um computador.

- Foto? Texto? Vídeo? Letras?

- Não. É "POST", mãe. 

- Oi?

- Post. Tipo quando você trabalha, você faz um post. Né?

É. Mas que estranho aparecer "post" num jogo tão vintage como I&A. Que estranho.

- Certeza que é post, filha? 

Ela tinha tanta certeza que me deu o cartão para ler.

A palavra era POSTE.

(E #asblogueiraPIRA! \o/ \o/ \o/)




quinta-feira, 13 de junho de 2013

:: Desculpe mas eu vou chorar


Aí a maternidade vem e pá!, bota dentro da pessoa um alter ego chorão que não estava ali antes. 

Eu virei o tipo de pessoa que chora no balé da filha, chora na natação, chora porque descobriu um dente mole na cria (mais essa agora!). Eu choro das bonitezas da vida, de raiva dos filhos, de raiva de mim, de orgulho, de alegria, de cansaço. Choro com músicas, filmes, vídeos de parto de desconhecidos. Meu deus, como eu choro!

E cabe aqui uma explicação: na adolescência, um amigo me definiu como "BZ, a mulher sem lágrimas - não chora nunca, foi treinada para isso!". É que eu sempre fui durona (pode substituir por insensível, travada , icequeen, blasé ou orgulhosa, escolha à vontade!). Nunca fui de verter lágrimas por qualquer porcaria, não senhores. Chorar era pra dor física e olhe lá. Topada de dedinho no canto do móvel me arrancava umas lagriminhas, mas um filme insuportavelmente lindo, jamé! 

Então os anos se passaram, eu pari duas crianças e agora eu choro, ok?

E aí me vem o destino e bota dentro da minha casa uma filha ensaiando TRISTEZA DO JECA para a festa junina. Me diz se isso vai prestar? Não vai.

Alice faz cara de sofrimento e canta afinadinha bem assim:

"Eu nasci naquela serra, num ranchinho beira chão...", com ênfase no "beIra", o I bem prenunciado. 

PORRA! Como não chorar diante de um ranchinho beIra chão? É tão bonitinho ver uma criança falando beIra, gente! "Ranchinho beira chão", que imagem linda! (ainda que eu não saiba bem o que venha a ser isso... - É porque o chão é todo ESBURAÇADO - ela faz cara de dúvida e corrige - ...cheio de buracos, então é "BEIRA-CHÃO", entendeu?, e quem sou eu pra dizer que não?).

Mostro pra ela a versão de Tonico e Tinoco e ela diz que é tão triste que dá vontade de chorar  (parafraseando a música e forçando umas lágrimas sem vergonha, a espertinha). E dá vontade mesmo. Tonico e Tinoco, poxa vida! Eram tão adoráveis com aquele sotaque arrastado de Araraquara (eles não devem ser de Araraquara, mas não tem cidade melhor pra exemplificar o sotaque, com esse tanto de erres a serem puxados, rá!). Tonico & Tinoco é muito amor, é Brasil raiz, é cultura popular! E eles morreram, ainda por cima. Tonico & Tinoco are dead. Isso, mais a minha minha filha cantando "ranchinho beIra chão" com olhos tristonho (porque ela sabe que o Jeca é um cabra triste), pensem se não é para fazer chorar a mais durona (insensível/travada/blasé etc) das mães?


Se não for suficiente,  ainda posso lhes dar mais uma razão.


Professora veio me contar do seguinte diálogo que aconteceu na escola enquanto eles discutiam os motivos do Jeca ser tão triste.

- É porque a mulher dele morreu, disse um.

- Não! É porque ele é apaixonado por duas mulheres, mas só pode ficar com uma, opinou outra (quem adivinhar quem ganha um doce...)

- Nossa, IGUAL A VOCÊ, ALICE!, que é apaixonada pelo Mateus e pelo Davizinho ao mesmo tempo!!!

Cataploft!

E a mãe faz o quê? Chora, né? De rir também vale, ora pois!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

::Estar pronto é tudo


"Readiness is all", dizia o pancadinha do Hamlet (aquele que, como todos sabem, não tinha filhos¬¬)

Então, para encarar a maternidade, eu tento estar sempre pronta. Tento mesmo. Mas te digo, colega, que não há livro, blog, mãe, amiga, médico, lista nem revista que te prepare para isso:




"eu sou uma unha de filha que aponta para o alto e avante, lide com isso"


A sorte é que sempre tem alguém pronto, ufa! No meu caso, duas moças porretas que a blogosfera me apresentou e que são escaldadas no assunto - gente dessa turma que faz balé até a unha cair, sabe o tipinho? 

Thais e Fabíola, suas lindas, muitíssimo obrigada pelas dicas! Depois conto se sobrevivemos todos (mãe, filha, unha e blog) ao ocorrido e a essa foto absolutamente indecente que eu tive coragem de publicar... ;)


Update:

Com Alice acidentada e Lucas com febre (combo completo, why not?), desencanei da escola e promovi uma sessão de filme & pipoca no sofá, aproveitando para fazer um escalda-pés na mocinha - dica das bailarinas kamikazes citadas acima.

Agora, depois de uns 40 minutos imerso em água morna, sal e vinagre, o pézinho da Alice tem o seguinte aspecto:

mimoso, enrugadinho e com a unha cabisbaixa, bom sinal!


Fiquei toda prosa com a unha cabisbaixa, me achando uma mãe muito sucesso,  até perceber que o Lucas estava degustando as suas pipocas molhadinhas em água, sal e vinagre. Adivinhem?

Pois é. Esta é a minha vida, este é o meu clube. Depois eu digo que NUNCA vou estar totalmente pronta para os filhos e as pessoas acham que eu tô exagerando.




segunda-feira, 22 de abril de 2013

:: A Noviça Rebelde


(...Ainda falando de música, para meu deleite!)





A última virose que visitou a nossa casa foi gentil e trouxe um DVD da Noviça Rebelde de presente.

Gen-te!

NOVIÇA REBELDE

Não sei se essas palavras causam em vocês o mesmo que causam em mim. Palpitações, gagueira, borboletas no estômago. O nome disso é paixão, certo? Eu era absolutamente enlouquecida pela Noviça Rebelde quando era pequena. Decorei as músicas em idos de 1988 e nunca mais esqueci.

Visto 25 anos depois, o filme é bem canastrão. Adorável, fofo, esmagável, mas canastrão. Mas foi interessante revê-lo adulta e na perspectiva de mãe. Se antes eu pirava na criançada cantando, dessa vez a cena que me rendeu lagriminhas foi a do pai finalmente se aproximando dos filhos. Ele passa mais de uma hora sendo um grandessíssimo babaca, aí todos cantam que the hills are alive with the sound of music e ele vira um paizão firmeza, abençoado seja o poder da arte. Tá, né?

Também percebi pela primeira vez o fundo político da história (anexação da Áustria pela Alemanha nazistas - fujam para as montanhas, Von Trapps!). Quando criança, eu sempre parava na primeira metade do filme. Acompanhava até a cantoria faceira da crianças na festa (o teatrinho de fantoches, coisa linda!), dava rewind no VHS e começava de novo. A segunda parte, mais sombria, eu ignorava.

(E também percebi pela primeira vez que o capitão Von Trapp é o Christopher Plummer! Mas gente?)




A Lila não parou na cantoria, ela quis ir adiante. Eu mal me lembrava, mas a noviça ("NOVISTA", segundo Alice, hoho!) se casa com o capitão, sim senhores! Um casamento com muita pompa, ao que Alice teve a reação mais inacreditável que eu já vi: olhos arregalados, peito estufado, boca aberta num riso doido e...

- EU-NÃO-TÔ-CON-SE-GUIN-DO-RES-PI-RAR!!! - e abanava as mãozinhas no ar de emoção!

Pois é. A minha filha hiperventilou, chilicou, teve um faniquito de amor porque a mocinha se casou com aquele cara canastrão. Que é isso, gente? Quem ensina essas coisas? De onde isso veio, para onde vai? Mistérios da humanidade.


Mas enfim, o ponto alto do filme são mesmo as músicas. Alice e Lucas piraram do mesmo jeito que eu pirava: cantando, imitando as coreôs, caprichando no embromation e, claro, SENTINDO A MÚSICA!



Som na caixa!


 Von Trappinhos da mamãe!



terça-feira, 2 de abril de 2013

:: Notinhas musicais


Depois de um show da Bethânia a pessoa fica empolgada, gente. É inevitável.

Então a mãe tá lá, toda salamaleque, toda pombagira, toda trabalhada na melemolência de Santo Amaro da Purificação, rodando & batendo palmas & remexendo o pandeirão & cantando do fundo da alma: "QUEM NÃO REZOU A NOVENA DE DONA CANÔ?"

E o filho, todo nem-aí, folheando um livrinho:

- Eu não.

***

Horas depois, as duas crianças se encontram em um dos melhores lugares para se estar (principalmente quando se é criança): um estúdio de som cheio de instrumentos. E o melhor: com passe livre para brincar com eles!

Que se registre, com muito orgulho!, que meus filhos são enlouquecidos por música. Têm ritmo, têm ginga e têm bom gosto (disse a mãe, hehe). Então o Lucas despeja toda a sua energia na bateria enquanto Alice se atraca no microfone (ela tem um treco com microfone, câmera e que tais, diz que ser ser "cantora e atora" quando crescer). Depois trocam. Destrocam. Exploram. É botar as duas criaturinhas dentro de um estúdio que elas ficam feito pinto no lixo! Quem precisa de Disney quando se tem um estúdio de som?

Fica uma palhinha da Alice, toda drama-queen, interpretando uma música linda (e muitíssimo complexa, reparem) do seu vasto repertório.


Lila, cantando e encantando ;)

terça-feira, 26 de março de 2013

:: Aula de teologia, por Alice


- Mãe, deus existe?
- Err, humm, cof-cof. Tem gente que acredita que sim, gente que acredita que não, gente que não sabe. Tem gente que acredita em vários deuses, um para cada coisa! Existem várias religiões e...
- O que é religião?
- Religião é um conjunto de crenças que...
- O que é crença?

...E assim a conversa seguiu, ad infinitum - o que é santo?, o que é anjo?, deus morre?, etc etc, até que...

- Eu acho que deus existe, mãe.
- É, filha?
- É. Porque pensa... os bebês. De onde eles vêm. 

(Mãe suando frio, quem nunca?)

- Os bebês vêm da sementinha, né? A sementinha que corre, aposta corrida. (Quem disse isso pra ela, gente?) MAS SEMENTE NÃO CORRE, mãe. Então é deus que faz isso, ué. Eu acho.

Se ela acha, então tá, né? ;)

(o Deus do Laerte - na dúvida, esse ainda é o meu favorito!)

quarta-feira, 6 de março de 2013

Essa menina, tão pequenina, quer ser bailarina


Cecília Meirelles sabia das coisas. Não importa quão pequeninas as nossas meninas sejam (e elas sempre serão), vão amar bailarinas desde sempre.

Tá, mentira, que soy contra generalizações de todo tipo. O fato é que aqui em casa existe uma menininha fascinada por bailarinas - filha da mãe dela, aliás. Eu fui uma criança absolutamente delirante com essa coisa de balé, me achava a graciosidade suprema do planeta Terra. A dura realidade era essa:


Praia do Bonete, 1984. Essa menina tão pequenina quer ser bailarina, coitada. Alguém avisa?


Bom, a Alice pede para fazer balé desde aprendeu a andar (ou a pedir, não lembro o que veio primeiro). Por circunstâncias da vida (idades, horários, escolas, semestres, dinheiros, etc) fomos enrolando, adiando, esperando ela crescer um pouquinho. O que achei muito bom, pois permitiu que ela fantasiasse à vontade com o tal do balé. Para ela, ser bailarina significava atirar pernas e braços para todos os lados com um olhar languido e depois rodopiar até ficar bamba (filha da mãe dela, hehe!). Uma vez ela armou um showzinho junto com uma amiga que já fazia balé, e a diferença era gritante: enquanto a amiga dançava muito compenetrada uns passinhos bem marcados, Alice girava e saltava como uma borboleta alucinada. Ambas adoráveis, claro, mas a liberdade da dança da Alice me comoveu, e eu sabia que essa espontaneidade sumiria no instante em que ela fizesse a primeira aula. Pois é, a vida tem dessas.

Eis que, aos 5 anos e meio, o grande dia chegou. Numa emoção incontrolável, a mocinha vestiu o collant preto, a saia rodada, as sapatilhas e um sorriso de orelha a orelha, e foi à luta! Não precisou da minha ajuda: foi entrando na sala e se aproximando devagar das outras meninas, com os olhões arregalados e um riso nervoso, enfrentando uma timidez que não a impediu de fazer esse primeiro contato. E eu ali roendo unhas, tensa com um dos maiores desafios sociais dela até então - porque não sei se é impressão minha, mas já percebo nas turmas de 6, 5 anos aquela coisa um pouco hostil de grupinhos fechados, um comportamento quase pré-adolescente de excluir, maltratar, competir, sacanear. Tive medo da recepção da minha pequena por aquele grupo já formado, de meninas um pouco maiores. 

E fiquei vendo por trás do vidro, com cara de besta e pronta pra invadir a sala e dar na cara da primeira que se fizesse de engraçadinha com o meu bebê, a minha menininha sendo muito mais corajosa e hábil do que eu sempre fui em situações parecidas. Alice se aproximando. Alice sorrindo simpaticamente. Alice, meu deus, puxando papo! Filha da mãe dela uma pinóia, né? Ela me deu um pau federal, que eu sou banana desde criancinha! You go, girl! 

Além de conhecer a notável habilidade social da minha filha, nesse dia também fui apresentada à dedicação, à concentração, à vontade de acertar da pequena. Dei tchau para a espontaneidade doida dela e boas vindas para essa disciplina que percebi que ela tem, esse prazer de se levar a sério e saber que está fazendo um bom trabalho (e filha da mãe dela my ass, sou um caos de criatura, careço muito de disciplina e seriedade nessa vida). 

Toma essa disciplina, esse olhar centrado, essa perninha caprichosamente embutida na saia! 
E isso foi um dia antes da primeira aula, hein?


E foi assim, com a testa colada no vidro, que conheci mais um pouco da pessoinha ótima que a Lila está virando, cada vez mais livre das minhas asas e do meu olhar protetor. Então engoli as lágrimas pra não ser a mãe louca que constrange a filha na frente das (novas) amiguinhas, corri para a sala ao lado e fiz uma aula de pilates, pra disfarçar. Aula esta que me rendeu DOR DE GARGANTA, pode isso produção? Dor muscular na garganta foi algo completamente inédito para a minha pessoa, e eu já passei poucas e boas, viu?

Enfim, eu podia extrair desse episódio uma metáfora sobre o amadurecimento, ou uma lição sobre a não-determinação dos genes sobre a personalidade de uma criatura - mas a  principal conclusão desse post é que, de uma filha corajosa pacas a uma dor de garganta inusitada, a vida é cheia de surpresas. É ou não é?

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

:: Se alguém de repente lhe oferecer flores...


Alegria de fim de tarde: chegar em casa e encontrar uma entrega de flores para a minha pessoinha. Flores não: todo um combo floral, que inclui também uma porção de bombons rechados, um cartão misterioso e um laço bem bonito. Naquele dia nem era meu aniversário, nem data especial, nem nada. Um dia como todos os outros - mas com flores em cima da mesa, nhóim!

Filho olha curioso. Filha faz ÓÓÓ e pergunta se são para ela (é que quando fez 5 anos ela recebeu flores do bisavô - ficou toda prosa e agora acha que a vida é assim, que ela é a mulher da casa mais propensa a receber tais mimos). Olhamos juntas o nome escrito no cartão: não, filha. Dessa vez é para a mamãe mesmo.

E aí eu, besta, resolvo fazer uma cena.

- Uau! Alguém me mandou flores, que emoção! Quem será que foi? 

Eu sei quem foi, claro. Mas valorizar exageradamente o momento para regozijo próprio, quem nunca? O cartão não veio assinado, então pronto, remetente oculto. "Alguém" me mandou flores! Planejo olhares de mistério e pausas dramáticas, mas nem dá tempo.

- Fui eu - diz Lucas, 2 anos e meio, com a cara mais lavada desse mundo. E, sem mais, sai arrastando seus chinelinhos até a cozinha para fuçar a geladeira.


Apropriação indevida de gentilezas, roubo de mérito alheio, manifestação despudorada de cara-de-pau? Isto é impulse!


terça-feira, 27 de novembro de 2012

:: Diálogos impertinentes, agora entre irmãos



A coisa mais linda do mundo é ver irmãos crescendo juntos. 

Irmãos não servem para nada por muitos meses, é verdade. Mas um belo dia eles ficam amigos. E aí se abraçam por livre e espontânea vontade, se beijam, se batem, brincam e conspiram contra o universo juntos. E, meu deus, eles CONVERSAM!

Você sobe mais um degrauzinho da escala de diversão da vida quando irmãos começam a dialogar. Tipo assim, ó:


- Lucás?
- Oi. Alicê. (O Lu falava assim, pau.sa.da.men.te, um ponto final entre cada palavra. Parecia voz de GPS, sabe? "Vire.à.direita.")
- Vem ver o Mickey comigo? 
- Pickey! Puto! Tateta!


- Lucás?
- Oi. Alicê. 
- Me abraça?
- Não.


- Lucas, seu fofinho, seu lindinho, vem cá - beijo, beijo, beijo.
- Não, Alicê! Beijo dói!


-Atchim!

- ...
- Alicê?
- Oi.
- Fala "saúde".
- Saúde.
- Obigado.


- Ma-nhê-o-Lu-cas-me-ba-teu-com-a-pa-ne-laaa! Buááá!

- Desculpa, Alicê.
- Desculpo.
- Machucou?
- Sim.
- Ah. Então tá.


- Lucas, seu fofo!
- Seu fofa!
- Hahaha, "seu fofa"... 
- ALICE, NÃO IMITA!


- Toma esse pedacinho de pão, Lucas.
- Nhoc. Obigado.
- Fiz pra você com amor!
- Com amor, não! - ele cospe e pega outro pedaço - Sem amor é melhor.



(E mãe aqui, toda suspirosa, toda babona, toda confirmando que com amor a vida vai sim ficando cada vez melhor - te juro, Lu!)


terça-feira, 13 de novembro de 2012

:: Manhê!


Dona Anelise, a mãe mais rock'n'roll que eu conheço e moça batuta por trás do Manhê... abaixa o som!, me convidou pra uma entrevista. Coisa rápida, pá-pum. Me mandou um e-mail com uma dúzia de perguntas e eu devolvi ONZE PÁGINAS, ela não sabia onde estava se metendo, pobre!

Mas ela é batuta, é guerreira, se virou lindamente na edição e fez tudo aquilo caber em um espaço decente. Então, lá estoy eu, meu biquíni, meus óculos ridículos e meus achismos, falando para caracoles, como sempre.




terça-feira, 6 de novembro de 2012

:: Dos diálogos que alegram a minha vida



- Filha, sabe como chama essa rua?

- Não.


- Rua Pascal!


- ?


- Pascal! O físico, matemático e teólogo francês do século XVII que... amigo da Rapunzel! Você chamava ele de Mascal, lembra?


- Ah, é! Achei que era o outro.


- Qual outro??? (E nisso você pensa, putaquepariu, ela vai falar do físico, matemático e teólogo francês do século XVII que...)


- O Pascal, amigo do Tylenol, aquele do teatro. Os dois amigos.


- OOOI PascalTylenolWhadafuck
 ???

- O PASCAL, mamãe, amigo do TYLENOL, do teatro que a gente viu, o que cantava para a andorinha! Lembra?



Lembrei, claro. Ela estava falando de personagens de "O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá": o Pardal e o Rouxinol. 



Prazer, Pardal.

Prazer, Rouxinol.



Agora me diz: como não esmagar de amor???

terça-feira, 23 de outubro de 2012

:: Choque de realidade



Meus dois filhos estão com febre alta. Lucão está mal desde a semana passada e caiu no antibiótico (de novo). Faz um calor infernal e chove - o pior dos mundos. Acho que estou com tendinite. Enfim, cá estamos em uma semana promissora.

Nessa madrugada a Lila, febril, invadiu a nossa cama e dormiu entre a gente, acalorando ainda mais uma noite que já estava hot hot hot (pelo motivo errado). E hoje, toda dengosa, fez voz de veludo e veio conversar comigo, toda trabalhada no amor sublime amor: Mamãe, você é meu amor e eu te amo mais que o infinito mil vezes ida e volta. Amo você, mamãezinha, e também amo o papai, aí eu deitei com vocês de noite, e aí...


- ...aí estava escuro e eu não sabia quem era você e quem era o papai! Aí eu pus a mão e um tinha pelinho na perna. Aí eu pus a mão e o outro...

Tinha a pele macia, aveludada, sedosa, morena, cheirosa & gostosa?

- ...tinha pelinho na perna! 


PORRA, Alice! PORRA, depilação definitiva que não funciona! PORRA, papai que tem tantos pelinho na perna quanto eu! Porra calor, chuva, tendinite, febre alta! Porra, espírito da Dercy Gonçalves que não me larga!

Vai ser uma longa semana, sim ou com certeza?




quarta-feira, 17 de outubro de 2012

:: Testei: linha Avent da Philips


Há um bocado de meses chegou em casa uma caixa de produtos da Philips Avent para eu testar. Testei, testei, testei mais um pouco, tercerizei um teste, e cá estou para contar as minhas impressões.


Eu já conhecia e usava as mamadeiras da Avent - sem bisfenol-A, sem cores pastéis, sem ser "de menina" ou "de menino". Curto essa ausência de firulas, coisa rara em produtos para bebês. Sempre achei as mamadeiras ótimas, tanto que elas foras as mais usadas aqui em casa.


Vamos às impressões sobre os demais produtos:



ESTERILIZADOR PARA MICROONDAS


Aqui em casa sempre esterilizamos tudo em panelões de água fervendo. Eu separava uma panela só pra isso, porque tinha um certo nojinho de esterilizar mamadeiras e fazer feijoada no mesmo recipiente, saca? Esse esquema funciona e é baratinho, mas leva uns 15 minutos e exige atenção - eu já perdi algumas mamadeiras e bicos pelo caminho, porque às vezes esquecia a panela no fogo, a água secava e o plástico derretia. Então há que se ter o mínimo de atenção e foco para usar o método sem botar a casa em risco.



vem com um medidor de água e uma minipinça de plástico para você não queimar os dedinhos!



Bom, aí chegou o tal esterilizador. É basicamente uma bacia plástica com tampa, e dentro dela um suporte vazado que apóia as mamadeiras e não deixa que elas encostem na água colocada no fundo do recipiente. Você coloca 120 ml de água no fundo, coloca as mamadeiras, chupetas e cia, lacra e leva ao microondas por 2 a 6 minutos (depende da potência do micro). Ele comporta até 6 mamadeiras Avent, que são mais baixinhas e gordinhas (mamadeiras mais altas precisam ser colocadas deitadas). Eu uso para tudo: mamadeiras, chupetas, copos e o que mais couber. A tampa tem duas travas e fica bem fechada.  O processo todo é rápido e à prova de mães destrambelhadas - você não vai botar fogo na sua casa nem nada do tipo, no máximo vai esquecer tudo no microondas e achar no dia seguinte quando for esquentar o seu almoço.

Gostei bastante do resultado. Tudo fica limpo rapidamente e melhor: guardado em um local protegido dentro do proprio esterilizador. Eu espero uns minutinhos (para esfriar), tiro do micro, escorro a água que sobra no fundo, tampo de novo e deixo tudo lá mesmo. Então pra mim, além de esterilizar, ele serve para guardar as mamadeiras, copos, chupetas. Aqui as coisas sempre acabavam soltas em caixas plásticas cujas tampas já se foram ha séculos.... achei bem mais higiênico e organizado guardar assim, dentro do esterilizador.

(Mãe abre parênteses para dizer que tudo isso é muito bonito na teoria mas na pratica, cadê que eu ainda esterilizo alguma coisa, gente? Tô no segundo filho e ele já tem 2 anos, quédizê: pode lamber sola de sapato que tá tudo bem... mas enfim: se eu tivesse um bebê pequeno em casa e ainda ligasse para coisas do tipo "esterilizar", adoraria esse kit!)

Preço sugerido: R$ 99,90


COPO NÃO-DECORADO, 340 ml 



cores vibrantes*, viva!
"bico sport" (e este é todo o "sport" da minha vida no momento...)


Pode parecer bobagem, mas o "não-decorado" já ganha a minha simpatia de cara! Básico, colorido e sem firulas. O bico é largo e garante fluxo rápido, bom para aquele momento que seu filho é um monstrinho guloso que não tem mais paciência para o pinga-pinga dos bicos estreitinhos. Por ser largo, o bico também é fácil de limpar, o que é um ponto importantíssimo - joguei fora os copos com canudo embutido porque era impossível tirar a nhaca depois de um tempo. O copo tem uma tampinha protetora e o sistema antivazamento funciona mesmo, não tivemos nenhum acidente com ele.

Achei esse copo ótimo. Já testamos um bocado de copos e os da Avent dão conta direitinho, com a vantagem de serem bem fáceis de limpar - dá para desmontar tudo e remontar com facilidade. Aliás, a linha Avent é toda adaptável - os bicos e roscas se encaixam. Você pode botar um bico de mamadeira no copo, ou vice-versa. Pode usar o clip prendedor do copo na mamadeira. Enfim, dá pra fazer uma mistureba boa. Sinto falta dos bicos de copos serem vendidos separadamente, assim como os bicos de mamadeira.  Seria bacana (e econômico, e ecológico) ter um só copo e ir adaptando os bicos de acordo com o crescimento da criança... hein, Avent?

UPDATE: os bicos dos copos podem ser comprados separadamente sim, acabei de ver os pacotinhos numa Alô Bebê! Deve ser novidade, eu nunca tinha visto... mal aê!



Sem bisfenol-A. Pode ser lavado na máquina de lavar louças. Pode ser esterilizado.

Preço sugerido: R$39,90


(*Curiosidade do dia: estive em um evento da Avent em que eles mostraram um novo lançamento de copo, lindão, todo vermelho. Mas nos explicaram que o vermelho era só mostruário, no Brasil ele só seria lançado em rosa e azul (tédio, bocejos...). Fiquei toda lamentosa e perguntei a razão, e a moça da Avent respondeu: É porque os lojistas reclamam! Dizem que as cores "diferentes" encalham no estoque, pois o consumidor só compra rosa e azul!. ALÔ CONSUMIDORES, vamos parar de encalhar as cores vibrantes, fazfavô? Comprem vermelhos, verdes, laranjas! Bebês gostam de c-o-r-e-s, juro pra vocês!)





JOGO DE TALHERES COM ESTOJO



detalhe do cabo emborrachado


Essa belezinha foi meu item favorito! É simples, é óbvio, mas é um amoreco! Trata-se de um estojinho bem bonitinho com um garfo e uma colher. Os talheres são fundinhos e emborrachados na parte de baixo, para evitar que escorreguem do prato ou da mãozinha engordurada dos pequenos. O estojo é bem fininho e fecha bem, com uma travinha que não é fácil de ser aberta por crianças. Achei tão podre de chique sacar aquilo da bolsa nos restaurantes em vez de pedir colheres de chá ou cavucar o fundo da bolsa procurando uma colher solta embrulhadinha em guardanapo de papel (era assim que eu fazia, eca). Vejam: você não precisa de um desses para viver, evidentemente. Mas é tão bonitinho e prático!  Fora que vou pensar em algum uso para o estojo depois que aposentar os talheres. Acho que ele daria uma bela paletinha de maquiagens, hã? A ver, a ver...

Sem bisfenol-A. Pode ser lavado na máquina de lavar louças. Pode ser esterilizado.

Preço sugerido: R$39,90




KIT PARA ALIMENTAÇÃO



fundilhos emborrachados são o frenesi do verão

Vem com três tamanhos de pratos (um tipo bandeja com divisórias, uma prato fundo e uma tigelinha), colher e garfo (os mesmos do estojo acima), tudo emborrachado, combinandinho e muito bonitinho. Vem também um livreto com receitas para crianças. Bacana. Aí vem escrito assim: desenvolvido com a ajuda dos melhores psicólogos infantis, com a foto de uma doutora e tudo. E eu fico aqui me perguntando por que cazzo um jogo de pratinhos precisa da consultoria de psicólogos. Eu mesma explico: deve ser porque pais são bestas e ficam felizes em pensar que estão criando pequenos gênios desde muito cedo.  E dá-lhe Baby Einstein, estimulação cognitiva e um kit de refeição com números estampados. Serião, alguém acha que um bebê de 6 meses dá a mínima para números ou vai contar as frutinhas desenhadas no prato? Mas enfim, o conjunto é fofo e os bebês vão gostar de olhar os coelhinhos e maçãs. Duvido que se tornem mais inteligentes ou psicologicamente saudáveis apenas porque uma psicóloga ajudou a elaborar conjunto de pratinhos onde ele come sua banana amassada, mas enfim, fica aí a opção, para quem se interessar.

A qualidade de tudo é ótima - o material não risca, o desenho não desbota, o branco não fica alaranjado depois de um belo molho de tomates. Não é um jogo de pratos ordinário, isso é evidente. E a caixa é bem bonitona (diria mamãe: "faz vista!"). Enfim: é um kit "deluxe" e rende um belo presente de chá de bebê. Precisar não precisa, mas é um luxinho pra quem tá disposto a pagar, certo?

Sem bisfenol-A. Os pratos podem ir ao microondas e à máquina de lavar louças.

Preço sugerido: R$189,90.  (Ouch! Alá, isso que dá botar psicóloga para palpitar em um jogo de pratos, agora alguém tem que pagar os honorários da moça! Melhor seria desencanar da doutora e baratear esse kit aí, hein, dona Avent? )




COLHER PERSONALIZÁVEL






Crianças canhotas ganharam um lugar ao sol! Personalizável aqui significa "entortável". Essa colher pode ser dobrada para qualquer lado, o que facilitaria as primeiras colheradas autônomas dos pequenos. Uma boa ideia, pois pode ser usada dobrada no comecinho e depois, retinha.

Aqui em casa nunca tivemos dessas colheres tortas, então os meus filhos se acostumaram com as retas mesmo. Dei essa para o Lucas testar, mas ele se atrapalhou com a inclinação, coitado. Usamos ela reta mesmo. Talvez funcione bem com crianças que estão começando, mas aqui ela veio tarde demais.

A colher é toda emborrachada, flexível e fácil de limpar. Só achei que é rasa demais (apesar de o site da Avent descrever como "funda") e a chance de derramar comidas mais molengas é grande. Mas até aí, qualquer bebê aprendendo a comer sozinho faz meleca, correto? Não sei se sujeira é critério nesse momento da vida...

Pode ser lavada à maquina.

Preço sugerido: R$34,90



EXTRATOR DE LEITE MANUAL




Esse foi testada por uma amiga, já que eu não amamento mais.

Ela nunca tinha usado nenhuma bomba e se deu bem com essa. Achou fácil de montar e usar. Riu das "pétalas massageadoras" na descrição do produto, que supostamente estimulam a  descida do leite. Não sentiu massagem nenhuma mas também não achou a extração dolorida, apenas um pouco incômoda no começo - e ela estava bem no início da amamentação, naquela fase em que tudo ainda está meio sensível (e devo dizer que "apenas incômoda" é um trunfo: uma única vez tentei usar um extrator manual - aquele tubo torturador da Lillo - e era impraticável!)

Mas como ela precisava aumentar a produção de leite e usava o extrator EM TODAS AS MAMADAS, achou meio cansativo... provavelmente uma bomba elétrica teria sido a melhor opção pra ela. O próprio site da Avent diz que é um extrator para usar "de vez em quando", então deve ser meio cansativa mesmo. "Trabalha os bíceps!", disse a minha test-driver, haha! Taí um efeito colateral interessante, vai?

Ela também sentiu falta de um potinho a mais para armazenar o leite - a bomba vem com uma mamadeira apenas. Como a linha Avent é toda intercambiável, ela poderia conectar qualquer mamadeira (ou copo) da Avent no extrator, pois a rosca é a mesma. Ou seja: quem já tem mamadeiras ou copos dessa linha não sentirá falta de mais um recipiente. Ela não tinha, então teve que ficar rebolando com uma mamadeira só.

Bom, tudo isso foi a opinião de alguém que não tinha nenhuma outra referência. Mas andei papeando com a dona Thais, mãe de três (gêmeos inclusos), blogueira multiuso e dona da loja Leão, Leãozinho (quer dizer: alguém que entende do babado) e ela, que já usou bombas manuais e elétricas, gosta muito dessa. Disse que não fica atrás da bomba elétrica que já experimentou.

Enfim, eu diria que é uma bomba que resolve bem a vida de quem já têm uma produção boa e precisa estocar leite aqui e ali, em situações específicas. Para estimular a produção ou para um uso muito constante, talvez seja melhor investir em uma elétrica mesmo.




Bom, pra finalizar, preciso dizer que gosto muito dos produtos Avent. São caros, mas são de ótima qualidade. Só que eu tenho uma certa dificuldade em encontrá-los. No evento eles disseram que a distribuição ia ficar mais eficiente a partir de setembro, e de fato tenho visto uma variedade maior de produtos (e em lugares diferentes, como lojas de brinquedos). Mas ainda não são tão facilmente encontráveis não. A gente acha um produto aqui e outro ali, mas o catálogo completo é bem difícil de encontrar... vamos ver se isso melhora! 



*Ganhei os produtos de uma assessoria

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