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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

:: Sobre pré-parto, um marido piadista e quantos cabem num coração de mãe


Quem aí sabe quanto tempo pode durar um pré-parto?

Eu comecei a ter contrações na madrugada de sexta pra sábado. Foram 3 horas de contrações com uma coliquinha leve e vindo com frequência, mas sem muita regularidade (intervalos entre 7 e 13 minutos, mais ou menos). E aí acabou-se. O dia correu normalmente, com umas contrações fracas aqui e ali e uma certa diarréia. Domingo as contrações se repetiram por mais umas 3 horas, com intervalos de uns 9 minutos, ou mais, ou menos. Como vieram, se foram. Nessa última madrugada, idem - um pouco mais fortes, mas por menos tempo. E agora eu estou assim, de sobreaviso, sem conseguir planejar a próxima hora do meu dia. Dá tempo de lavar e secar os cabelos? Levar Alice na escola? Devo almoçar pra valer, ou fazer uma refeição leve? Maridão segue pro trabalho (longe pra cacete) ou fica por aqui? Dúvidas, dúvidas...

Isso pra mim é uma tremenda novidade, porque o parto da Alice aconteceu de uma vez: foram 18 horas de contrações, dilatação, hospital e pluft, lá veio ela. Eu não sabia que a coisa podia se arrastar por dias desse jeito, e essa indefinição dá uma gastura tremenda. Acho que vou ali subir e descer escadas pra ver se alguma coisa acontece...

***

:: Mais da série: Me casei com um piadista

Ando pela casa arrastando chinelinhos e com as mãos nas cadeiras: ai minhas costas, ai minha bunda, ai que dor na perna, ai essas pontadas nas partes!

E ele: ah vai, você tá reclamando DE BARRIGA CHEIA!

Ou

Eu toda megera, dedinho em riste no nariz dele, no meio de um ataque de agressividade gratuita (nós grávidas somos boas nisso).

Ele: Olha esse tonzinho, hein?, que VOCÊ É DOIS MAS NÃO É GRANDE!


Rará, dá pra não amar?

***

:: Sempre cabe mais um

Eu sou a segunda filha. E passei a vida inteira sendo nojentinha e usando isso a meu favor nas brigas com o meu irmão: eu sou a caçulinha, sou protegida, sou mais querida, não encosta em mim que eu chamo a minha mãe e ela vai me proteger, trá-lá-lá!

Agora, prestes a ter o segundo filho, fico me perguntando DAONDE que eu tirei essa idéia estapafúrdia de que os caçulas são os queridinhos. Porque só consigo pensar em como será possível que outro serzinho conquiste o mesmo amor estupidamente infinito que eu sinto pela minha filha - que por hora ainda é única, ou quase.

Horrível, né? Só faço essa confissão porque já li sobre esse mesmo sentimento em um bocado de blogs por aí e isso me deixou mais tranquila. Pelo jeito não sou só eu que sofro com essa dúvida: será que serei capaz de amar outra criaturinha como eu amo a Alice? Racionalmente, eu sei que sim, óbvio. Mas hoje é muito difícil conceber que eu consiga reviver esse sentimento com a mesma intensidade. Eu só vou ter noção da minha capacidade de dividir (ou melhor, multiplicar) o amor quando meu segundinho nascer (hoje? amanhã? depois?). E até lá, apenas PENSAR que é impossível já me faz sentir uma culpa enorme.

Pra completar, desde que engravidei de novo, eu me peguei pensando nisso e fiquei toda dodoizinha por ser a segunda. Pela primeira vez me caiu a ficha de que antes de eu existir meu irmão era o centro do universo dos meus pais. E de que o segundo filho já entra na família dividindo tudo e sem o luxo da atenção exclusiva que o primogênito teve.

Ao segundinho cabem álbuns de fotos mais magrinhos e brinquedos usados. Um colchão manchado de xixi alheio. Um quarto dividido com decoração improvisada, um carrinho cor de rosa e uma irmã mais velha que até aprender a amá-lo vai olhar torto, fazer comentários enciumados e talvez mordê-lo com força, como meu irmão fez comigo quando eu era pequetita. Que tristeza ser o segundinho, gente! E eu com delírios de ser a mais mimada, pobre de mim...

O que me salva - e vai salvar o meu segundinho também - é que no minuto em que ele nascer esse post vai perder completamente o sentido, e eu vou me achar uma maluca por ter sequer considerado que não seria capaz de amar o mesmo tanto. Afinal, por trás desses óculos bate um coração de mãe, e coração de mãe a gente já sabe, né?

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

:: Como escolher o pai da criança


Amiga, comadre, mulher que não ingressou no mundo da maternidade: talvez um dia você decida ter um filho. E aí vai ver que quase tão importante quanto essa decisão é escolher quem será o afortunado pai da criança.

Há quem queira considerar os dotes genéticos do rapaz. O bom pai é saudável, inteligente, forte, másculo e bom cozinheiro, no mínimo. Mas ai, sei não... há algo de nazista nessa coisa de "seleção de genes", acho a idéia pouco romântica e no fundo o que importa mesmo é achar um cara legalzão e que te faça dar boas risadas todos os dias. Se vier saudável e bonitão, tamos no lucro, né não? E depois, pense comigo: como é que eu, minha miopia, meu prolapso da válvula mitral, meus ovários policísticos, minhas pernas tortas e meu metro e cinquenta e oito vão exigir a perfeição genética do macho reprodutor? Meio injusto, né? Então o bom pai é o cara que eu amo, e se eu amo é porque ele tem as qualidades que eu considero importantes, e que meus filhos vão herdar gloriosamente, oxalá!

De qualquer maneira, o critério para a escolha do pai que quero tratar aqui nem se refere ao pai propriamente dito, mas sim a você, futura mamãe! Porque a questão crucial é: o quão à vontade você se sente com esse homem, amiga? Qual o grau de liberdade, intimidade, cumplicidade de vocês? E sobretudo: o quão à vontade você está para
liberar gases na frente dele?

Isso sim é importante.

Porque essas mulheres grávidas, vou te contar, viu?






(E daí em diante é ladeira abaixo...)


terça-feira, 27 de outubro de 2009

:: Eletra


Alice me ama, eu sei. 

E ela sabe que eu sei. 

Então ela tem achado divertido fazer que não. Sabe? Fica meio blasé, com um arzinho nem-te-ligo, e se encarafunchando ostensivamente no pai quando eu estou perto. Eu simplesmente adoro a cena, minhas duas criaturas mais amadas se enroscando - mas essa parte ela não sabe e acha que eu fico com ciúme.

Pra ficar claro que papai é que é o tal, ela decidiu verbalizar. Deitou na nossa cama, se aconchegou no Carlos e disse: mamãe, lá! - apontando o canto do quarto. 

- Você quer que eu fique lá longe?, eu perguntei, e ela fez que sim. Depois mudou de idéia e decidiu: 

- Não, lá não. Mamãe, na sala!


Em algum lugar Freud está às gargalhadas, aposto.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

:: Da série "Casei-me com um piadista"


Passávamos de carro por um bairro longínquo - porque em São Paulo até o bairro vizinho é longínquo na hora do rush (que ultimamente é toda e qualquer hora do dia, que desgraça!) - quando avistei uma escolinha infantil que se declarava "online", o que quer que isso signifique (podemos ver nossos filhos via webcam o dia todo? As crianças fazem a lição via site? As aulas são em forma de vídeoconferência e o aluno nem precisa deixar o seio do lar?). Achei bizarro, até porque uma das razões de se mandar um filho pra escola é tirar ele de casa e do alcance dos olhos por algumas horas, né?, mas enfim, tem gente neurótica pra tudo, respeitemos.

Aí eu pro Carlos:

- Olha, uma escolinha online!

E ele:
 
- Oi?
 
- Escola online!!! Que moderno, que sofisticado, Alice vai estudar aqui, hein, hein, que tal? 

- Tá, mas só se a gente puder mandá-la pra escola por email!


Haha! Entenderam por que eu amo esse homem?


segunda-feira, 11 de agosto de 2008

:: O Pai, esse injustiçado



Agora olha lá e faz uma pose bem bonita, filha!


Uma injustiça enorme que eu cometo nesse blog é ficar falando me, me, me (ou mãe, mãe, mãe) e pouco mencionar o pai da criança, que tem 50 % de mérito e culpa em tudo que é narrado aqui.


É que a gente fica auto-referente quando fica grávida. O mundo passa a girar, literalmente, em torno do nosso umbigo. Depois a gente fica auto-referente quando vira mãe, porque a ligação com o bebê nesse começo é quase carnal, e as mães meio que viram bicho e saem procurando outras mães pra se enturmar, e falar-falar-falar dos filhos e delas próprias como se não houvesse mais ninguém no mundo.


Acontece que a minha gravidez só foi tão incrível porque eu tinha um cara incrível do meu lado, me mimando mais do que eu sou capaz de conceber. Meu marido foi esse tipo que engravida junto, sabe? Lê todos os livros, vai em todas as consultas, fica abestalhado nos ultra-sons. Até uns enjôos esquisitos ele teve.


E como pai, jesus! Ele é mais incrível, mais amoroso e mais participativo do que eu sempre achei possível. Ele acorda de manhã pra cuidar da Alice enquanto eu durmo! Ele foi fundamental naqueles loucos primeiros dias, quando a gente se sente um bagaço e acha que vai morrer. Nas primeiras semanas, era só o sol se pôr e eu tinha vontade de chorar (o tal baby blues... familiar pra alguém?). Pois eu ia chorar deitada no peito dele, e era quase gostoso ficar ali, aos prantos, sentindo a respiração dele e ganhando cafuné. Nada me acalmava mais do que isso. Fico pensando nas heroínas que conseguem criar seus filhos sozinhas, sem o pai do lado. Por que, meu Deus, como é difícil! Não consigo imaginar a vida de mãe sem ele do lado. Na verdade não imagino a vida sem ele do lado, ponto. O cara é fodão, e eu tenho um bocado de sorte de ter encontrado com ele, justo ele, nesse mundão de deus.


De modo que devo a ele a alegria e a calma da gravidez e da maternidade, e portanto devo a ele uma filha tranqüila, adorável e feliz. E linda de morrer, claro - porque, convenhamos, esses inacreditáveis olhos azuis não são mérito meu.


Eu não vou partir para declarações mais rasgadas assim publicamente porque ele vai ficar tímido. Cabe então aproveitar esse espaço pra, singelamente, desejar a ele um feliz primeiro dia dos pais!

 

(E vamos fingir que hoje é ontem, tá?)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

:: Alice comendo fruta amassadinha


E aí...

- Fala mamão, filha. Ma-mão.
- Não, filha, fala pa-paia. Pa-paia.
- Ma-mão!
- Pa-paia! PA-PAAAIA!
- MA-MÃÃÃÃO!
- PA-PAAAIA!
- MA-MÃÃÃO!


(continua por muitos minutos)


Mamãe e papai se esforçam, mas ela não fala nem um nem outro. Aliás, ela não fala, ponto (diplomacia é tudo!). Fica ali, mastigando com seu par de dentes e alternando cara de alegria com cara de nojinho. De longe, a pessoa mais madura da casa.

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