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terça-feira, 8 de maio de 2012

:: 4 1/2



Existe nesse blog uma tag chamada "agora eu amo mais". Tá ali escondidinha no meio da nuvem de tags, viram?


Pois essa tag andava me preocupando. Aconteceu que eu amei a Alice, depois amei mais quando ela tinha uns 6 meses, depois amei mais quando ela tinha um ano e meio, depois amei mais quando ela fez 2... e aí a tag empacou. Porque vou ser sincera com vocês: eu não amei mais quando ela fez 3 anos. É que os terrible twos da Alice vieram aos 3, de modo que se eu dissesse que estava amando mais e mais seria mentira. Amava igual, e contando muito com a generosidade cega das mãe, porque não é que a mocinha merecesse, viu? Estava chata, a bichinha.


Não que eu não tenha amado minha filha loucamente de lá pra cá, claro. Amei apesar de, porque vejam: mães são seres superiores programados para isso. Mas mesmo amando eu consegui ter a noção de que aquela fase adorável de bebê tinha acabado. E a tal tag se refere a isso: fases. Ao poder que crianças têm de ficarem mais e mais encantadoras com o passar do tempo. Eis que dos 2 aos 4 anos a criança definitivamente não ficou mais encantadora. Achei que o ciclo do encantamento estivesse encerrado e que o caminho natural fosse que os filhos ficassem cada vez mais chatos até completarem 20 e poucos anos, saírem de casa e a gente dar graças a deus.


Mas gente, I WAS WRONG! E agora eu venho anunciar com a maior alegria do mundo que sim, agora eu amo mais!


4 anos e meio, guardem essa idade mágica! Aqui em casa, os 4 e meio marcaram o término da passagem de criancinha-inha para criança. 4 anos e meio foi o tempo que a minha menininha levou para virar uma pequena grande pessoa.


O olhar mudou, o vocabulário mudou, o jogo corporal mudou. Sobretudo: o tom da fala mudou. Virou tonzinho, sabe? Que coisa incrível que é o tom na definição de maturidade de uma criatura, não?


O tom foi de SOU CRIANCINHA (com a língua presa) para EU CRESCI E AGORA SOU MULHER. Não que ela seja mulher de fato, mas o tonzinho é exatamente esse: SOY MUJER. Com direito a entonação de adolescente, gírias, erres e esses bem pronunciados e muito "tipo assim" e "manhêêê, mêêêu!" - em paulistanês da Mooca, ainda por cima. 


Além do tonzinho, Alice ganhou um arzinho. Aquele de superioridade, meio blasé, sabe? Gosta de assumir um ar desgostoso e revirar os olhos pra mim, num tédio absoluto. Ou então me olha cheia de arzinho e declara: "Ah é? Eu nem queria mesmo, lalalá". O tonzinho arrogante acompanha, claro. O que seria do arzinho sem o tonzinho?


Aos 4 e meio, a minha menina ganhou traquejo social. Sabe ser visita e se comportar como tal (e há de saber evitar o tonzinho em casa alheia, oremos). Ganhou o botãozinho da autocensura. E junto com ele, um botãozinho que me preocupa, o de dissimular sentimentos, esconder lágrimas e guardar coisas ruins para si. Ela vem contando algo e de repente pára: não quero falar. E não fala mesmo, por mais que eu diga que estamos aqui para tudo, que a gente sempre vai ajudar, que falar das coisas ruins é bom e alivia. Pois ela não fala. Um ponto para a gente observar com atenção a partir de agora. Questão de mocinha grande, né?


Alice gosta de falar difícil, sempre gostou. Aos três empregava palavras do jeito (e com o sentido) que lhe desse na veneta - Você pensa que eu sou um desastre, papai?, ou Aprendi sozinha, sou indignada! (querendo dizer autodidata), ou Estou extrelamente apertada para fazer xixi! Agora a danadinha acerta tudo: concordância, conjugação verbal e o sentido das palavras que usa. Creio que o sabonete ficou no banheiro do Lu, ela me disse ontem. Aos 4 e meio, ela crê. Aos 3, no máximo ela achava...


Alice gosta de jogos. Jogos de tabuleiro, jogos de cartas. Anda especialmente encantada pelas regras, que segue de modo xiita e ai de quem não acompanhar. Quando ganha, fica toda orgulhosa. Quando perde, declara evasiva: "esse não deu certo..." e sai procurando outro parceiro, de preferência aquele com o curioso hábito de perder sempre (a.k.a: vovó)








Aos 4 e meio, Alice decidiu que prender o cabelo é uma coisa legal - glória aleluia. Então faz um rabo de cavalo, puxa as sobras da franja atrás da orelha e o olhar é tão diferente que me arrepia. Quase da pra ver a mulher que ela vai ser ali, escondida atrás daqueles olhões que vão deixando de ser infantis.

E a gente acaba esquecendo que ela só tem 4 anos e meio e conta com uma maturidade que não está lá,  de modo que um belo dia você se pega explicando pra ela o apelo perverso da publicidade infantil e as razões pelas quais você não vai de jeito nenhum comprar um ovo de Páscoa por causa do brinquedo mequetrefe que vem dentro. Ao que ela olha fundo nos seus olhos, cheia de arzinho, e diz dando de ombros: Não precisa dar, eu vou pedir pro coelhinho mesmo.



E vai assistir TV de ponta-cabeça no sofá, pra te lembrar, aqui e ali, que só tem 4 anos e meio.






segunda-feira, 16 de novembro de 2009

:: Sobre o amor (e agora é sério e definitivo)


Um dia eu me descobri apaixonada e me declarei pra Alice.

Outro dia também.

Mas gente, esqueçam tudo, porque AGORA SIM a coisa é séria mesmo. Agora eu realmente cheguei no limite da paixão, da sofreguidão e do amor descontrolado. 

Porque aos dois anos de idade a criança fica assim, no topo do limite máximo recordista e infinito da fofice desmesurada. Agora a criança CONVERSA com você, afofa os seus cabelos e te chama de minha mamãezinha quelida! Ou de BONITINHA!, assim, do nada, quando você não espera, e o golpe te acerta de jeito e vc fica sem chão e vendo luzes piscando.

E ela fala os plurais todos, e canta com um monte de notas agudas desafinadinhas, faz sopinha invisível pra você e tenta fazer tranças nos seus cabelos. Toma banho com você no chuveiro toda barrigudinha e se ensaboa sozinha dizendo, no olho não! na boca não! na barriga, pode? no bumbum, pode? na xoxota, pode? no pé, pode? 

Criança de 2 anos volta da escola com um repertório incrível de palavras e idéias e amiguinhos novos. Já consegue contar a história do livro e repete frases inteiras que decorou de tanto ouvir, e por um instante a gente tem a certeza que eles até já sabem ler de tão espertos que são. 

Criança de 2 anos tem um senso de humor altamente desenvolvido e debocha de e com você a todo instante, espiando de rabo de olho e segurando o riso. 

Aos 2 anos eles são capazes de manter longas conversar no telefone, que temperam com um monte de "hum-hums" e balançadinhas de cabeça pra concordar. No final, ainda dizem: beijo, tchau e dão uma bitoquinha no telefone.

Aos 2 eles já dizem pufavô, e dálicença, e até desculpa, mas esse último em geral vem com uma voz quase inaudível, porque eles já têm algum senso de orgulho e pedir desculpa é um pouquinho desmoralizante. 
 
Crianças de dois anos são as mais deliciosas do planeta. E eu sei que a gente sempre acha que agora é serio, mas é que agora é sério, mesmo. Não tem mais pra onde isso crescer, é o auge absoluto, o amor chegou no topo do mundo.

E o mais maluco é que tenho certeza absoluta que em uns 6 minutos meses eu vou ter esticado esse topo um tantinho mais pra cima. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

:: Alice e o primeiro amor





Estamos namorando, eu e ela. Tipo começo de namoro, sabe? A gente se ama e se agarra e se beija muito, ela morde meu nariz, eu a espremo em abraços infinitos. Todo dia, na escola, ela gruda nas minhas pernas e chora quando eu saio, “mamãe não, mamãe não!”. E ri-se toda quando eu volto, e pega um carrinho ou a vaquinha de borracha pra me mostrar, múúú, ou aponta a professora lendo um livro, e depois abre os bracinhos e se joga em mim, deita a cabeça no meu ombro deixando um rastro de babinha nos meus cabelos, e eu quase morro de amor.

Já dura mais de ano esse namoro, e a paixão continua – melhor, ela aumenta.  Começou, confesso, quando Alice tinha uns 5 meses. Antes disso a gente ainda tava “se conhecendo” (ah, os clichês do amor...), ainda vendo no que ia dar. Pois deu: ela calhou de ser a criaturinha mais adorável que já pisou nesse mundo e eu vou apertá-la muito pelo resto da vida, ela querendo ou não.


Bom, aí eu também estou namorando loucamente o Carlos, porque em família é assim: o amor não se divide, se multiplica. E Carlos está namorando loucamente a Alice, e ela sai correndo e gritando babái!babái!babái! quando ele chega em casa e os dois vão se enroscar no sofá, ela exibindo o truque do dia, como encolher a barriga ou contar até cinco.


E seguimos nesse triângulo amoroso louco, nessa orgia de amor infinito. Às vezes a gente até briga, ou discute a relação (e vou dizer: Alice é pés-si-ma ouvinte) mas tudo sempre termina aos beijos e agarros, como todo bom namoro deve ser.


***


Aí meus tios passaram uns dias em Paris aqui com a gente e ficaram com Alice em alguns momentos, pra liberar mamãe e papai pra uns passeios. Depois contaram que ela se comportou incrivelmente bem – tão bem que eu quase achei que não era a mesma criança a que ele descreviam pra mim numa noite depois do cinema: tranqüila, fácil de agradar, topa-tudo e sem um pingo de teimosia.

Ela pode ser tudo isso sim, mas quase nunca ao mesmo tempo. Contei que comigo ela é birrenta, tem mil artimanhas maquiavélicas e manias horríveis, tipo bater a cabeça no chão quando é contrariada (oh god!). Engatamos nesse papo e minha tia fez um comentário ótimo, que nunca tinha me ocorrido. Era mais ou menos isso: “Ela é tão segura do amor de vocês que é em casa que vai experimentar, desobedecer, desafiar. É com vocês que ela pode ser chata, desagradável, birrenta, agressiva. É um ensaio pra vida, saudável e necessário, no único lugar que ela se sente segura: em casa, com pai e mãe do lado. Melhor gastar rebeldia em casa que lá fora, na vida real, em que ela não vai encontrar a mesma compreensão e o mesmo amor incondicional.” 



Né?


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