quinta-feira, 20 de maio de 2010

:: Eu tenho um contrato com deus. Mas quem se importa?



Tenho essa sensação meio pueril de ser invencível quando estou grávida. Invencível ou café-com-leite, o que dá quase na mesma: na prática, você pode tudo e todos te amam. Você chega e ilumina o lugar com a sua simples presença, seu carisma magnético, sua barriga redondinha atestando que você é um pouco Deus. Porque há algo de divino em se estar grávida, não há dúvida! Todos sorriem comovidos e o mundo é um lugar melhor. You go, girl!

Corta.

Agora entre, digamos, numa repartição pública. Vá na Polícia Federal renovar o passaporte, por exemplo. Se você for bem azarada, até um supermercado lotado ou fila de cinema num domingo qualquer servem. Entre, faça sua melhor cara de grávida beatificada, empine o barrigão e dirija-se toda deusa pirlimpimpante para a fila preferencial.

E me diz:

CADÊ O SORRISO QUE ESTAVA AQUI, BRASEEEL???


***


Que bom que nós grávidas, mamães, treinantes e simpatizantes temos essa blogosfera linda de deus pra continuar sorrindo para nós, dando selinhos e achando que somos especiais, hã, hã?


Este veio da Beta, do Braços de polvo e coração de manteiga (já viram definição de mãe mais perfeita?) e da Pati do Coisas de Mãe.

Pati também é uma das mammas por trás do blog de viagens desse próximo selo, ó:


...que veio via Flavia, do Mamãe sabe tudo. (Flavia, aliás, vai levar as mães desse país à bancarrota se não parar de descobrir todo um universo de fofices criancísticas que o dinheiro pode - ou não - comprar.)


Muitíssimo obrigada, meninas! Que seria das barrigudas arrancadas bruscamente do Céu (imaginário) das Gestantes sem vocês, hein?


terça-feira, 18 de maio de 2010

:: A Rebelde-Sem-Calça e o "Efeito Darkness" do stress (gravídico?) materno



Ai meus sais.

Quem vê Lost vai entender o que se passa aqui em casa.

(hum, devo avisar que contém mini-spoilers?)

Lembram da Claire, aquela australianinha loirinha bobinha gravidinha que teve um bebê lindico e depois sumiu no meio daquele mato todo? Pois quem está vendo a última temporada sabe que ela reapareceu sinistrona, descabelada, com cara de maluca e matando geral. E um japonês com pinta de samurai que nunca tinha aparecido mais gordo explicou pro Jack: "there is a darkness growing inside her". Ui! Algo a ver com aquele fumacê preto que toca o terror na ilha, me parece.

Pois é isso que tá rolando por aqui. There is a darkness growing inside Alice, céus! Minha filha, outrora uma doce menininha, uma criatura tão algodãodocinha e carinhosa e beijoqueira, foi abduzida por alguma fumaça preta dessa vida e substituída por um monstrinho impertinente. Resolveu que desafiar mamãe é a coisa mais divertida que ela pode fazer na vida, e passa o dia inteiro se dedicando a essa nova atividade recreativa. Alice está escrevendo, e bem, o manual "Como enlouquecer mamãe em 10 lições".

Tem levado tão a sério a missão que nem se importa em fazer disparates, tipo amolecer as pernas e se recusar a ficar em pé, limpar meleca de nariz nos próprios cabelos, tampar a boca com as mãos na hora de escovar os dentes ou decidir que vai para a escola sem calças. Tudo ao mesmo tempo agora - e tudo absolutamente sem propósito, repararam? Por que qual é o ponto de arrancar as próprias calças, me explica? Não é calor, não é incômodo, não é um senso estético discordante do meu. É apenas rebeldia gratuita, que vem com um sorrisinho sacana pra temperar. Ai, como esse sorrisinho me en-lou-que-ce! Eu acabo ficando irritada e endureço cada vez mais, e quanto mais eu endureço mais ela me provoca, e assim a nossa relação vai ladeira abaixo e me dá saudade do tempo em que a birra mor da minha filhinha era deitar no chão e ficar lá com cara de deprimida, ou afundar a cara na cama e ficar em silêncio absoluto por um minuto ou dois. Ah, os bons tempos das birras silenciosas...

Ok, vamos descartar a hipótese "fumaça preta" por um instante. Acho que sobram duas coisas: um restinho de terrible twos e a reação à minha gravidez,
que está cada vez mais "real" pra ela. A barriga está grandona, eu estou mais cansada e a oferta de colos diminuiu muito, porque andei tendo umas dores e contrações mais longas e achei melhor pegar leve no esforço. Também teve a chegada do primo, e ela percebeu que perdeu um pouco (só um pouco) dos holofotes familiares, o que deve ser um choque tremendo pra uma mocinha tão paparicada.

Enfim: é plenamente justificável, eu sei. Mas é chato, infinitamente chato. E eu não sei o que fazer pra cortar ou pelo menos amenizar esse comportamento. Fico bravíssima, faço a voz mais aterrorizante possível, coloco de castigo, tiro coisas que ela gosta a cada birra, fico de mal, ignoro... nada funciona. E eu vou ficando insanamente puta da vida, cada vez mais. Não sei se a gravidez tem algo a ver com isso, mas eu estou completamente sem saco pra essas situações. E aí, olha a ironia: a monstra viro eu! Fico impaciente, nervosinha, durona, chorona, intolerante. There is a darkness growing inside mummy, afinal! Horror, horror! Confesso até que ando tentada a dar-lhe uns petelecos, o que é o pecado mortal da minha Cartilha Pedagógica Hipponga e Não-Violenta (quando os filhos são apenas abstrações é muito fácil declamar princípios e jurar solenemente que nunca vamos encostar um dedo neles, mas na vida real, depois da quinta grosseria gritada na nossa cara e acompanhada de um safanão, sei não...) Felizmente sigo firmona e zen-budista por fora, mas por dentro fico fervendo de raiva. E pra aliviar a tensão sem ter que sair na mão eu praguejo e digo palavrões cabeludos - vejam vocês a maturidade emocional da pessoa.

Resumo: Alice monstrinha está me transformando numa mãe monstrona que eu nunca imaginei que pudesse ser. E isso é mil vezes pior do que as pirraças dela, porque bate na ancestral tecla da culpa materna: sou péssima, sou desequilibrada, não sei educar, não sirvo pra ser mãe, Alice está condenada a uma vida de terapia por minha culpa, minha culpa, MINHA MÁXIMA CULPA!

Acabei concluindo que evitar os enfrentamentos é melhor, pelo menos nesse meu momento grávida-loucona-de-pavio-curto. Melhor relaxar, contar até 10 a cada provocação, sair de perto e ir chorar mi-mi-mi escondida no banheiro. Melhor pensar que essas fases chatésimas são necessárias para o desenvolvimento e construção da autonomia dos nossos filhos. São pentelhices importantes e que fazem parte do amadurecimento. E sobretudo: passam*, e minha filha coisinhafofadamamãe há de voltar pra casa a qualquer momento - andando com os próprios pés, de dentes limpos, nariz assoado e usando calças. E trazendo consigo a mamãezinhaqueridinhadocinhaecalminha que eu sei que ainda mora aqui dentro, escondida em algum lugar.


(*Roberta já contou uma coisa bem parecida. Nossas filhas tem a mesma idade e nós estamos grávidas quase gêmeas, então acho que a gravidez tem mesmo um impacto grande nas crianças dessa idade. Ela conta que no caso dela durou poucas semanas... oxalá!)


***


Dica literária rápida: em um momento de profunda identificação, comprei pra mim pra Alice esse livro


"Quando mamãe virou um monstro", de Joanna Harrison.

Conta a história de uma mãe que vai se monstrificando de tanto que os filhos aprontam. Ela começa o livro rosadinha e penteada e termina em frangalhos, verdona e desgrenhada. Familiar?

(Nem é pra idade da Alice ainda, mas EU amei, haha! Estava precisando saber que não sou só eu que passo por essas metamorfoses sinistras de vez em quando...)


quinta-feira, 13 de maio de 2010

:: Matéria do Estadão



Pronto, temos a matéria do Estadão! Graças à Gi Gueiros, que "fotografou" a matéria online e me mandou (ela só está disponível para assinantes, nhé!). Valeu Gi!


Cá está. Ficou tudo meio desalinhado, mas dá pra ler. (não, não dá! Como eu faço pra imagem crescer quando a gente clica nela? Alguém? Please?).

Consegui usar uma imagem que a Danih fez juntando as partes que a Gi mandou (a coluna que está sozinha embaixo é a página seguinte, continuação da matéria). Como a imagem continua não aumentando, aí vai o link: http://i43.tinypic.com/ao8a50.jpg - e esse aumenta!

Valeu Danih!, e valeu Carol-bobeiras (consultora tecnológica deste blog, mas ela ainda não sabe...) pela ajuda oferecida!







(((Ah, só pra constar: vesti a camisa de "mãe", não quero nunca mais tirar, mas estou DOIDA pra botar outras por cima, viu, empregadores do Brasil? Sou super a favor da sobreposições de camisas, e tô prontinha pra retomar a vida profissional - qualquer que seja ela, porque a essa altura eu nem sei mais (ok, eu nunca soube... ai ai). Deixa só eu parir esse outro filho aqui, e vamos à luta!)))


terça-feira, 11 de maio de 2010

:: Salvem as pernas grávidas! (atualizado)


Amiga grávida, faça um favorzão pra você mesma e para as suas pernocas tão cansadas e velhas de guerra: use meias de compressão. MAS: compre o par, com as meias separadas (3/4 ou 7/8) e esqueça para todo o sempre a meia calça tradicional, peça única, com as duas pernas grudadas.

Porque se colocar aquilo já é difícil se você não está grávida, imagina com uma melancia no bucho? Elas são muito apertada e você precisa ir subindo as duas pernas ao mesmo tempo, senão dá errado. É preciso deitar na cama e torcer o corpo de um lado pro outro, puxando um pouquinho de cada perna e com o tronco erguido. Quase uma aula de abdominal avançada - de barrigão não dá, sério. A pessoa termina com cãimbras dos dois lados da cintura, a meia travada na altura dos joelhos e gritando por socorro. Se estiver sozinha em casa, vai ter que rastejar até um telefone e ligar pros bombeiros. Bastante desagradável e desmoralizante.

E tem outra coisa: meias 3/4 podem ser pretas, mas acho que a meia calça "gestante" (que tem espaço pro barrigão) só existe naquele bege horroroso. E ninguém, NINGUÉM precisa de meias beges nessa altura da vida, certo?

Por fim, minha vasta experiência no setor das meias medicinais me mostrou que: suave compressão é mais que suficiente, média compressão só pra casos patológicos, alta compressão ninguém nunca conseguiu vestir pra saber como é.

Fica a dica.

Em tempo: a meia ajuda a evitar varizes e inchaços nas pernas, tão comuns na gravidez por causa do aumento do fluxo sanguíneo e pressão do útero sobre os vasos (o que compromete a circulação). Algumas sortudas talvez não sintam esses sintomas e não precisem das meias, mas acho que pra maioria das grávidas ela é uma boa amiga. Conversem com seu médico sobre a necessidade de usá-las.

(Aliás, eu usava mesmo sem estar grávida quando trabalhava de pé, e elas diminuiam muuuito a dor nas pernas que vinha sempre no fim do dia. Adoro! São feias, caras e chatas, mas eu adoro!)

***


Quero colocar a matéria do Estadão aqui, mas entraves tecnológicos me impedem. O meu computador e a o meu scanner se recusam a estabelecer qualquer diálogo e negam a existência um do outro, de modo que vou ter que escanear a matéria em um outro lugar (que ainda não sei bem qual é, mas vou pensar).

Aguardemos.



quinta-feira, 6 de maio de 2010

:: Recapitulando


Viajei, notaram? Ainda tô naquela leseira de volta de férias, mas semana que vem volto a dar as caras decentemente por aqui.


Antes disso, 4 anotações pendentes:


* Sobrinho nasceu, depois de 36 horas de parto domiciliar. Nasceu mesmo bem na hora que eu estava postando, vejam vocês o que é a intuição de tia. É lindo e morenão, me apaixonei instantaneamente por ele no dia em que o vi. E rolou aquele choque de sempre: meu deus, como é pequeno!!! Já tinha esquecido da fragilidade de um recém nascido, me senti absolutamente despreparada - de novo - pra ter um ser tão pequerrucho nos braços. Tenho 3 meses pra fazer um intensivão com ele antes de ter parir o meu próprio minimenino (que continua sem nome, pobrezito. Mas adorei a participação de vocês no post do nome, foi recorde de comentários! Pesquei várias sugestões e acho que a coisa está caminhando, enfim...).


* Robertona está tocando lindamente a campanha "Sanguenozóio", até aporrinhar deputados por telefone ela faz, e faz bem. Vou começar um plano de ataque por aqui também, vamos ver o que a gente consegue fazer.


* Muitas de vocês já devem ter lido sobre o Theo, filho da Aline. A história está contada direitinho no blog dela e da Mariana (aqui), mas resumindo bastante ele está com uma doença que causa desnutrição e precisa de um leite especial que custa 500 REAIS A LATA. A ajuda oferecida pelo governo demora e não é suficiente, então está rolando uma vaquinha (aqui) pra ajudar os pais a bancar o leite. A soma das contribuições vai fazer uma diferença enorme pra essa família, então qualquer doação vale muito.


* Domingão é nóis no Estadão! Com foto e tudo, ai que medo!



Feliz dia das mães, colegas!!!



segunda-feira, 3 de maio de 2010

:: Aimeudeus aimeudeus aimeudeus aimeudeus!


Meu sobrinho está nascendo agora.




Ou... agora.




Ou, tipo, A-GO-RA!



(Nem sei se eu podia contar isso aqui, porque acho que está sendo um parto domiciliar do tipo secreto. Saca? Quando a gente só fica sabendo depois que a criança já nasceu, então não dá tempo de ir lá fazer torcida organizada? Pois então, acho que é isso que tá rolando. E eu aqui do outro lado do universo, god! Como se pede maracujina em alemão?)

sábado, 1 de maio de 2010

:: Interrompemos nossas férias para um pequeno momento umbiguista



Eis a mãe, a filha, a barriga, o blog e um torcicolo federal.




Breve num jornal dominical perto de você!


(foto: Felipe Rau)


Related Posts with Thumbnails