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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

:: Como matar mamãe de desgosto em 3 atos


ATO 1

Eu, Lila, Lucas e uma revista com meu amigo Chico na capa. Coisa lindinha de deus, ó:



Olho para a capa e devo fazer cara de maria mole, porque ela pergunta: quem é?

- É aquele cantor que eu adoro, lembra? Chico, o nome dele. Adoro.

- Por que você adora?

- Eu adoro as músicas que ele faz.

- Por que você adora as músicas que ele faz?

- Porque são músicas lindas.

- Por que são músicas lindas?

(Ai meus sais. Às vezes eu acho que a curiosidade infantil não tem nada de curiosidade, é só sacanagem pra ver como a gente dá conta de responder perguntas despropositadas ad infinitum...)

- Porque são mísicas boas de ouvir e de cantar. Você também gosta dele, sabia?

- Por que eu gosto dele?

- Porque ele fez aquela música assim: "Au au au, ióió..."

Ela arregala os olhos e abre um sorriso. Opa! Toda uma identificação acontecendo...

- E aquela: "Nós gatos já nascemos pobres"

Mais sorriso. Toda a magia chicobuarquiana tá pegando minha filha, posso sentir!

- Ele aquela: "Procurando bem, todo mundo tem pereba, só a bailarina que não tem!"

Ela ri mais e mais, com os olhos mais e mais arregalados. Chico ganhou a garota com três musiquinhas, viram? Muito orgulho!

Lila aumenta o sorriso, os olhos arregalados, a cara de paixão, e manda:

- Ele canta "ai se eu te pego, ai ai se eu te pego"?


ATO 2

É ouvir tais palavras e o Lucas, que estava quieto até agora, me sai saracoteando.

- Ai! Ai! Ai! - diz ele, parafraseando o poeta (o poeta errado, atenção!) e terminando de esfarelar minh'alma.


ATO 3

Alice nota a minha decepção e, para consertar, declara seu amor por mim com um fatídico coraçãozinho com as mãos.



Agora eu pergunto: já posso deserdar?


*** Lembrete fundamental da Lia: Chico escreveu o livro infantil mais adorável de todos os tempos, Chapeuzinho Amarelo! Foi o meu favorito e é um dos favoritos da Alice! Toma essa, Teló!***



quarta-feira, 4 de agosto de 2010

:: Sobre fechar ciclos e danças bobas


Ontem acabou meu hidratante de grávida, e eu não vou comprar outro.

Ontem eu acabei de ler um livro, e não vou começar outro.

Ontem terminei de ver a 6a. temporada de House, e não vou me apegar à série nenhuma até a vida voltar ao normal, em um mês ou dois.

Então, falando sério, estou prontíssima pra chegada do meu filho. Ciclos fechados, pendências resolvidas. Ok, ainda falta o nome (e vai ver ele está só esperando essa decisão antes de dar as caras no mundo...), então vou explicar: ele tem sim um nome quase certo, mas a gente quer ver a carinha dele pra ver se orna. Vai que ele nasce com cara de outra coisa, né? Por isso não podemos dizer que está decidido, mas a verdade é que se nenhum milagre acontecer ele ganhará esse nome que eu e Carlos estamos cultivando e amadurecendo há alguns meses (não vou contar aqui porque sou MUITO influenciável e se os comentários não forem favoráveis eu vou mudar de idéia de novo, ha!).

Então é isso. Vem que vem, filhote, porque tá cheio de gente aqui fora doida pra te conhecer!

***


Aí a gente estava fuçando uns vídeos no youtube, e eu encontrei algo que não tem a menor relação com esse assunto mas precisa muito ser dividido.

Vocês sabem que eu sou obcecada pelo Chico Buarque, certo? Então fui ouvir a Bethânia cantando Baioque, uma música dele que eu adoro, e achei essa pérola:



Trata-se de uma cena de "Quando o carnaval chegar", filme do Cacá Diegues de 1972.

Eu ia acompanhando a cena e já achava tudo bastante pitoresco, até que apareceram umas figuras lááá no fundo do quadro. E aí, Bethânia que me perdoe, eu não consegui ver mais nada. Só conseguia olhar para aqueles três homens bailando, e foi ficando cada vez melhor, e então reconheci um deles e aí foi a glória absoluta no meu coração. Juro que não sei como não pari ali, naquele instante.

Acompanhem comigo:

Tem a Bethânia fazendo air guitar (e se a coisa parasse por aí já seria suficientemente engraçado).

Aí tem o Antônio Pitanga, possivelmente o homem mais simpático da história da humanidade, exibindo seu sorriso de um milhão de dólares.

E tem o Hugo Carvana de terno rosa, IGUAL o Benito di Paula, dançando cheio de malemolência sensual, num estilo John Travolta meets Clóvis Bornay.

E tem o Chico, gente. Tem o Chico fazendo a melhor dança boba do século, sem medo de ser feliz! Vejam bem: é o Chico Buarque, um homem desse quilate, com esse cérebro, esse talento e esses olhos verdes. Pois este homem desce do pedestal, se coloca diante de uma câmera e dança uma dança boba como se não houvesse amanhã, ao lado de dois outros homens igualmente bobos e felizes com figurinos de gosto duvido. Chico beija a mão do Pitanga e dá uma piruleta marota! Chico faz cavalinho pro Carvana! CHICO É UM FOLIÃO, GENTE!!! Eu já pensei muitas coisas sobre ele, mas nunca achei que ele pudesse ser um folião. Cacete, como o Chico é legal! Merece até ganhar um marcador aqui nesse blog, de tanto que eu falo dele.

(A diversão começa em 1:04. O Chico tá de calça preta. E a mocinha blasé encostada no ônibus lá no final é a Nara Leão. Gosto da Nara, mas essa nunca me enganou: eu sempre soube que no meio de um monte de gente dançando bobamente ela seria a reprimida olhando de longe cheia de pudores. Pena, eu ia amar ver a Nara se jogando com o Chico numa dança boba...)

Cacá Diegues, meu amor eterno a você por essa cena!

terça-feira, 27 de julho de 2010

:: A reta final


Esse finalzão de gravidez tem me deixado numa vibe "Construção": amou daquela vez como se fosse a última...

Não que eu vá morrer estatelada no chão feito o cara da música, mas é que a perspectiva de parir a qualquer momento deixa a gente meio ligada nessas coisas, nas últimas chances que teremos EM MESES de fazer certas delicinhas cotidianas antes do nenê nascer e a vida virar um caos. Então eu estou vivendo desse jeito:

Lendo um livro como se fosse o último,
Dando um pega no marido como se fosse o último,
Pintando as unhas das mãos (dos pés eu não alcanço mais...) como se fosse a última vez,
Secando os cabelos glamourosamente como se fosse a última vez, etc.

Porque - diz aí de novo, Chico! - amanhã, ninguém sabe.

(Parênteses: acho que eu podia passar um dia inteirinho me comunicando só com frases do Chico. Começaria o dia com acorda amor!, emendaria um hoje sonhei contigo, mandaria botar água no feijão na hora do almoço, diria olhaí, é o meu guri, e ele chega! quando entrasse em trabalho de parto, etc etc etc. Um projeto inútil a ser desenvolvido...)

(Eu gosto do Chico, já repararam?)

***

Pra mim, fim de gravidez é uma big fuckin' infecção urinária, só que sem a infecção. Faz-se gotinhas de xixi a cada 15 minutos e a bexiga parece amarrada, a gente sente uns repuxões desagradáveis bem lá e precisa andar meio curvadinha até passar. Pra completar, nos últimos dias, sempre que eu faço xixi sinto alguma coisa lá dentro estalar, tec-tec! Que é isso, caceta? Alguém sente isso também?

***

Estar no nono mês de gravidez é desenvolver um medo louco de espirrar. Né?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

:: Presentinho de Paris


E no dia do meu aniversário chegou pelo correio uma caixa vinda da França. Dentro dela, o "Leite Derramado" autografado pelo meu ex-quase-vizinho Chico Buarque (opa Chico!, tudo bem?) e enviado pela figura mais divertida de Paris inteira, D. Mariza, aquela do ménage.

Putz, que saudade que me deu da Mariza! Olha ela aí, com Alice, no dia em que a gente tava indo embora (lágrimas, lágrimas):


Mariza um dia chegou em casa com esse cabelo aí da foto. Comentei que ela tava chique e ela:
- mas esse cabelo não é natural meu não.
E eu: - Ah não? Você fez o que com ele, mexeu, pintou, alisou?
E ela: - Não, eu comprei!

Ela descobriu a praticidade do perucão e usava feliz da vida.

Depois apareceu de dreads. Contou que bateu boca num bar e no meio da treta pensou: "não posso brigar, se eu for pra cima ele vai puxar minha peruca". Então ela desistiu de bater no cara, e desistiu da peruca, e decidiu fazer os dreads. "Agora eu posso brigar na rua que ninguém me arranca o cabelo fora", ela disse, e eu ri horrores. No fim das contas ela tirou os dreads e voltou pra peruca, mas isso já deve ter mudado de novo e não sei com que cabelo ela se encontra no momento.

Morro de saudade dela dizendo "Alice! Alice aux Pays des Merveilles!", e a Alice se jogando feito doida em cima dela. Como é ruim deixar pessoas queridas pra trás, mon dieu.

Receber o livro, e com um autógrafo - e digo mais: "um abraço e o carinho de" - escrito de próprio punho por Chico Buarque e dirigido a MIM, m-i-n-h-a-p-r-ó-p-r-i-a-p-e-s-s-o-a, foi algo realmente notável. Mas preciso confessar que foi o nome da Mariza, ali no remetente da caixa, que me fez ficar definitiva, inabalável e incrivelmente feliz.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

:: Le ménage


Logo que conheci a Marcela, naquele papo-vai-papo-vem de quem quer se conhecer, ela disse: a fulana, que faz ménage lá em casa, tava na festa da Pepe, lembra?. Aí eu tentei fazer uma cara neutra mas fiquei pensando com meus botões que saber tanto assim da intimidade dela talvez fosse muita informação pra um primeiro papo, sabe? Depois de um vinhozinho e uma relação mais sólida eu super topo esse tipo de conversa, mas assim, nos primeiros minutos de amizade, empurrando carrinho de bebê, sei não. Então, mesmo tentando agir com naturalidade frente a notícia de que a “moça do ménage” estava na festinha de um ano da filha deles eu devo ter arregalado um baita de um olho, porque Marcela riu e me explicou que ménage aqui é arrumação, faxina, essas coisa. Ah tá.

E foi assim que eu e Carlos descobrimos que também estamos metidos nesse negócio de ménage. Porque eu não sei passar roupa – prontofalei – e uma ajudinha aqui se faz necessária devido aos meus porcos parcos talentos de dona-de-casa. Assim entra na história a Mariza, carioca radicada em Paris há quase 40 anos. Uma senhora très simpática que quebra todos os galhos pra mamãe-sonsa aqui, de ajuda na limpeza a telefonema pro pediatra. Alice adora Mariza e vive atrás dela pela casa, morrendo de rir sempre que Mariza a chama de coquine ou diz “ô-lalá” (os franceses, ao contrário do que se pensa, dizem ô-lalá, sempre num tom bem grave. Uh-lalá é uma invenção literária, creio eu.).

Daí que Mariza volta e meia fala do Chico. Ela faz ménage pro tal Chico há um bocado de tempo, desde o Brasil, se entendi direito. E me explica que não pode ficar muito porque o apartamento dele alagou e ela vai lá dar um jeito. Ou que não poderá vir no dia tal porque é o dia em que ele chega à Paris. Teve o dia em que o telefone dela tocou e ela, “alô, Chico?, passo aí hoje, beijo-tchau”. Noto um apego em sua voz quando ela fala do Chico, mas assim, com todo respeito.

Chico, Paris, carioca, apego respeitoso...

Em duas palavras? Chico. Buarque.

Oh-my-god.

Agora me diz se não é a glória: Chico Buarque conhece Mariza que me conhece. 1 grau de separação, o mais perto que eu já cheguei dele, meu ídolo absoluto desde sempre. Pois mesmo antes de saber quem era Chico Buarque eu já tinha decorado o disco d’Os Saltimbancos in-tei-ri-nho e cantava que todo mundo tem pereba, só a bailarina que não tem (e mais: eu achava que Ciranda da Bailarina tinha sido feita pra mim, como toda menininha que já vestiu um tutu cor-de-rosa achou um dia...).

Pois o Chico tem apartamento aqui pertinho de casa. E está em Paris a-go-ra. Vez em quando eu vou lá dar umas voltas no bairro dele achando que vou cruzar com o moço. E sempre fiquei pensando se eu teria coragem de dizer alguma coisa, caso cruzasse. Porque eu me conheço: se encontrar com ele na rua, vou ficar roxa e passar correndinho, com vergonha, sem coragem de gritar ou jogar a calcinha puxar um papo inteligente, como eu sempre sonhei. Vai ser o anticlímax absoluto e eu vou me odiar pra sempre, de modo que no fundo era bom que a gente nunca se cruzasse mesmo. Mas agora não! Agora temos toda uma história em comum, eu e ele. Temos Mariza, temos o ménage que nos une! Se isso não é intimidade eu não sei o que é, juro.

Estou pensando em pedir pra Mariza me levar como assistente ao ménage do Chico, naquele esquema eu-lavo-você-enxágua. E depois eu contaria toda orgulhosa pra Marcela que fiz um ménage na casa do Chico Buarque, e aposto que ela também ia arregalar um baita de um olho!


(Ah, blog de mãe, né? Então fica a dica dos Saltimbancos, Ciranda da Bailarina, O Grande Circo Místico, etc etc - pra introduzir os pequenos à boa música desde cedo.)




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