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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

:: Ainda sobre parto - perguntas e considerações

Me perguntaram onde foi o parto do Lucas, como foi isso da Alice assistir. Tive o Lucas no Einstein e a Alice no São Luiz. Em ambos, pedi as salas de parto humanizado (que por incrível que pareça não são tão requisitadas como eu imaginava, já que a maioria das mulheres prefere ir direto para a cesárea). Nos dois partos entrou na sala quem eu quis, sem taxas de acompanhantes ou exigência de roupinha especial. Mas eu não tenho muita clareza sobre as regras dos hospitais. Em uma visita ao Einstein eu perguntei sobre a entrada livre de visitas durante o parto, e o funcionário me olhou de olhos arregalados e disse que não podia - mas eu não sei se não podia de fato ou se ele é que achava a ideia absurda. Quando conversei sobre isso com meu médico, ele riu e disse: "relaxa, na hora a gente dá um jeito". E deu. A minha impressão é que a autoridade nesse sentido é o médico, ele apita mais que o hospital. Se o médico topar, ninguém se opõe. Não sei se isso se aplica sempre, não sei se o meu médico é que é muito bem relacionado nos dois hospitais, não sei como é no sistema público. Essa é a minha experiência, mas é bom lembrar que foram partos burguesinho e particulares, em maternidades cheias de salamaleques. Não dá pra generalizar, ok? Vale conversar com o seu obstetra antes e checar a possibilidade.

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Lia levantou uma questão importante: é muito difícil conseguir um parto natural sem uma equipe especializada. Porque não é só uma questão de vontade, tem um apoio moral e físico ali na hora que é muito específico e absolutamente fundamental. O parto ser domiciliar também faz diferença: eu imagino que muitas mães que tiveram parto domiciliar, se estivesse em um hospital, com acesso a anestesia, teriam desistido e caído na cascata de interveções – com altíssimas chances de arrependimento e sensação de autosabotagem depois. Estar em casa meio que te força a ir adiante, é quase uma autosabotagem para evitar a autosabotagem. Quem preferir um parto natural hospitalar (eu seria desse time, não tenho a menor vontade de parir em casa. Nem vontade, nem coragem, nem roupa de cama ou camisolas suficientes para lidar com o mar de sangue...) precisa deixar muito claro para a equipe que precisa desse apoio para não desistir.

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Uma vez Carol escreveu sobre o seu plano de parto e citou um tal parto “meio humanizado” que lhe foi sugerido (e que ela quis mandar pra a PQP, haha). Isso me marcou porque, confesso, eu vesti uma carapuça louca. Achei que um parto “meio humanizado” servia direitinho pra mim, considerando as limitações que eu sei que tenho. Eu bato os pés nas questões que acho mais importantes, mas aceito intervenções que, pra mim, valem a pena. Facilitam. Poupam. Trazem segurança.

Na minha ordem de prioridades, um pós-nascimento delicado é o mais importante, e dele faço questão: luz baixa, ambiente silencioso, colo imediato, mãe e filho grudados, a família ao lado, cordão que pára de pulsar antes de ser cortado, amamentação livre desde o primeiro momento. Tudo isso correu exatamente como eu esperava.

Quanto ao processo todo do parto, eu fiz concessões onde achei que dava, em nome de um conforto que considero importante. Entendi, na medida do possível para uma leiga, os riscos e benefícios implicados em cada etapa. Escolhi um parto normal hospitalar, topei algumas intervenções, expliquei para o obstetra o que esperava, o que aceitava, o que fazia questão em cada fase. E acho que tive um parto incrível. Acho que o Lucas chegou da forma mais respeitosa e tranquila, para ele e para mim, que eu consegui. Essa sou eu, bancando as escolhas que eu fiz.

Importante é poder escolher. E para isso, buscar informação. Só aí é que se pode de fato decidir - e não engolir decisão alheia. Isso feito, missão cumprida. Qualquer decisão tomada com consciência, com clareza dos motivos, deve ser respeitada. Seja pro lado que for.

- Tá, e onde posso onde buscar informações?

Primeiro a gente tem que se perguntar se quer mesmo se informar, ou se só quer legitimar uma decisão que já foi tomada - coisas completamente diferentes. Alguém com uma inclinação para o parto domiciliar vai gostar muito de ler uma turma mais "lado B": GAMA, Parto do Princípio, Mamíferas. Já quem chama essas moças de xiitas radicais vai descartar tudo o que for lido em um site desses, porque não lhes convém. Essas vão preferir fontes mais "oficiais", que estão por aí em sites de bebê, nas revistas, nos "manuais para grávidas", na boca da grande maioria dos médicos - opiniões que as radicais também vão descartar. Eu acho que as informações se complementam. Acho que o mais honesto é ler de tudo e aí filtrar, se identificar, fazer escolhas. Usar só um lado ou outro como referência mostra que a decisão já está tomada desde sempre, correto? Então pra quê perder tempo?

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A gente vê debates muito apaixonados acerca dessa questão do partos. Muita gente é taxada de radical, mas são essas mulheres, as "radicais", que conseguem botar o assunto na roda e orientar uma infinidade de mulheres para um parto que faz toda a diferença para elas. Por outro lado, elas também causam toneladas de frustração. Elas são meio supermulheres, bancam o caminho mais difícil, se orgulham muito dele, volta e meia enfim o dedo na ferida de quem não banca (e, veja bem: só dói em quem TEM essa ferida, correto? Mulheres absolutamente bem resolvidas com seus partos não se afetariam nem precisariam se defender o tempo todo). Elas também botam a expectativa lá no alto. Falam de um parto ideal que, se não se concretizar perfeitamente, pode causa mais frustração. Enfim: militam por uma causa nobre e ajudam muita gente, mas quem encara essa causa como o único jeito de ser feliz no parto - ou como uma imposição, um julgamento, um dedo acusador na própria fuça - acaba se frustrando (e criando escudos, caíndo em negação, chamando pro pau...). É por isso que são tão amadas e tão odiadas - às vezes pela mesma pessoa, tipo eu, haha!

Como blogueira, leitora e conversadora empolgada sobre o assunto, eu tenho uma impressão: existe quem se posicione em um extremo ou outro, mas a maioria das pessoas anda ali pelo meio, vagando entre o fogo cruzado sem conseguir se identificar completamente com um lado ou outro. Então acho importante enfatizar isso: o meio do caminho existe. Existe sim o "meio humanizado" (que pode não ser inteiro humanizado, vá lá, mas está mais perto disso do que o parto normal cheio de intervenções, certo?). Existe um bocado de possibilidades entre o parto natureba na beira do rio e a cesárea eletiva. As pessoas são diferentes, os medos são diferentes, os limites são diferentes, os caminhos são muitos. Que a gente possa se orgulhar do caminho que escolheu e receber os nossos filhos do melhor jeito possível.

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Mais divagações (porque eu amo esse assunto e posso falar por horas, notaram?), aqui.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

:: Relato de parto - Lucas


Pronto, eis o relato do nascimento do Lu. Com um ano e um mês de atraso... (e finalizado finalmente a pedido da Renatinha - tá segurando a mocinha aí, dona Rê?)


*AVISO:

MAY CONTAIN NUTS PALAVRAS DE BAIXO CALÃO*


(Marido acabou de me perguntar: "Legal, foi a Dercy que escreveu?", HAHAHAHA! Gente, ó: assim como mulher parindo fala palavrão, mulher lembrando do parto também fala, tá? Eu já editei, tirei alguns, deixei só o estritamente necessário, sem o qual a devida carga dramática não seria atingida. Pela sua compreensão, obrigada.)


Tudo começou numa noite de sexta, dia 29 de julho de 2010. Eu estava com 38 semanas e 5 dias. Comecei a sentir contrações bem frequentes, mas irregulares e fracas. Então me praparei pra parir sábado, domingo, segunda... e nada. Mais uma lição aprendida: o pródromo – início do trabalho de parto – pode durar dias. Ó, quem diria? E assim, entre contrações infinitas, indolores e improdutivas, fomos até a madrugada de quinta, dia 5/08.

Senti uma contração mais forte às 0h43. Fui fazer xixi e notei um sanguinho. Hum. Deitei, esperei um tico e pluft!, a bolsa rompeu às 0h45. Água, água, água. Banho rápido, pegar a mala e bora parir, Mariana! (Alice estava dormindo, e a gente já tinha um esquema pronto para o caso de ter que sair de madrugada: minha mãe viria pra casa para ficar com ela e de manhã a levaria na maternidade.)

Lá fomos nós.

(Pergunta: como uma fêmea lida com essa questão da água? Não há modess que resolva, gents! É um bo-ca-do de água vindo de tempos em tempos. Por sorte eu tinha cá comigo um pacote daquele absorvente-fraldão que se usa no pós-parto, que ganhei da minha cunhada. Não fossem os fraldões, eu e o carro teríamos chegado encharcados no hospital. Sem fraldão, comofaz?)

Chegamos na triagem perto das 2h: 2 pra 3 dedos de dilatação. Achei uma beleza, pois estava tendo contrações regulares há menos de duas horas (no parto da Alice foram nove até eu chegar nos 2 dedos).

Conseguimos a sala de parto humanizado - que é sala de parto e quarto ao mesmo tempo, tanto que me entoque ali, pari e só fui sair dias depois. Era um quarto espaçoso, com banheira, controle de luz e livre acesso para as visitas, como eu queria. Tentei dormir, mas não deu. As contrações estavam mais freqüentes e fortes, embora a dor fosse bem tranquila. Então fui andar pelos corredores e fazer exercícios na bola de pilates até a hora de acontecer alguma coisa.

Lá pelas 6h chegou meu obstetra. Toque: 4 dedos e colo alto e duro, o bebê lááá em cima. Saco. Ele recomendou ocitocina, pra acelerar. Olha, eu cheguei ali super “não interventiva”, querendo deixar rolar naturalmente, me programando pra segurar a anestesia ao máximo, aquela coisa toda. Mas confesso que na hora me bateu uma agonia de ficar ali esperando sei lá quantas horas o diacho do colo amolecer, considerando que eu:

a) estava com a bolsa rompida há algumas horas;

b) eram quase 7h da manhã, eu não tinha dormido picas e nem iria pelo próximo mês, no mínimo;

c) tive a mesma demora louca no primeiro parto.

Ok, ocitocina na veia, sem crise. Vamos em frente.

Chegou o anestesista, expliquei o que eu queria: uma anestesia leve, pra aliviar a dor sem imobilizar as pernas. E eu queria tomar só se a dor estivesse bem pesada, caso contrario dispensaria – gente, que orgulho falar isso em voz alta! Feita a pose de durona, eles saíram e fui pra banheira, ê delícia!

Banheira nessa hora é um espetáculo. Relaxante, quentinha e com um jato forte massageando a lomba - tudo o que eu queria naquela hora. Fiquei ali largadona um tempão. Esse parto vai ser baba, fichinha, mamão com açúcar, pensei com meus botões.

Foi ter esse singelo pensamento, e começou a doer PARA CARALEO.

Nesse ponto, as contrações vinham de 4 em 4 minutos e duravam uns 30 segundos. Vinham cada vez mais fortes e doloridas. Ok, se a dor vai ser por aí, nem fo-den-do. Que mané parto natureba nada, essa gente é looooouca, chamem o anestesista djá! Lá se foi minha coragem. Mas pelo menos eu consegui ter noção da dor, coisa que não tive no primeiro parto, pois pedi anestesia muito cedo. Vivi um pouco da experiência de ficar maluca de dor, não curti, muito obrigada, passo. Isso me fez ficar mais tranqüila com a minha decisão, em vez de ficar naquele “será que dava?” indefinido. Não, não dava. Sem crise (crise é uma escolha, né não? Eu acho.). Vamos em frente.

Saí da banheira e voltei para a bola. Rebola, pula, faz balancinho... nada de aliviar a dor. Anda. Senta. Procura posição. Cadê o anestesista, caceta???

O engraçadinho estava tomando um cafezinho sabe-se lá onde, e demorou uns 40 minutos pra chegar. Longuíssimos e desagradabilíssimos 40 minutos, diga-se de passagem. Doía muito, e não era nas costas, como eu esperava. Era na frente, provavelmente no colo do útero, que não cedia. Agarrei a mão do Carlos e apertei tanto, coitado. Aos maridos, a lição: nunca dêem a mão útil, prefiram sempre a canhota, porque nunca se sabe.

Novo toque: 6 cm de dilatação e colo ainda alto. Finalmente o anestesista apareceu. Nesse ponto eu suava de dor, sentia as costas pingando, ofendia geral, ria, resmungava, eu estava meio encapetada. A anestesia foi mais chatinha dessa vez porque a cada contração ele tinha que parar. E eu lá, suando & xingando, haha! Uma verdadeira lady. Mas sem crise: mulher parindo pode xingar, está no estatuto. Vamos em frente.

Quando a anestesia pegou foi aquela alegria. E aí eu vou ter que fazer justiça: eu amo anestesia. Se ainda tinha algumas dúvidas, ali, naquela hora, eu fiz as pazes com ela de vez. Porque ela me trouxe de volta o prazer do parto. Com a dor não tava legal, tava péssimo. Eu só queria que aquilo acabasse de uma vez – não era essa a lembrança que eu queria guardar, pô! Anestesia dada, eu pude curtir o momento.

** Alô leitor, estou dizendo que parto com anestesia é melhor? NÃÃÃO! Estou dizendo que EU preferi assim, pois EU sou uma bundona que não guenta, não topa, não quer sentir dor. Sigo pagando um pau federal para as bravas parideiras que enfrentam dor e medo em nome de um parto sem intervenção, que é INDISCUTIVELMENTE mais saudável. A questão é: eu banquei os riscos e malefícios da anestesia (pequenos, a meu ver) pelo conforto (absolutamente ENORME) que a anestesia me trouxe. Foi uma decisão egoísta? Sim. Pensei em mim mais do que no Lucas? Sim. Na balança do custo-benefício, achei que valeu a pena? Sim. Sou uma vaca? Hum, dúvidas... mas acho que não (até porque uma vaca teria o bezerrinho dela sem anestesia, certeza... hoho!). Enfim: o bebê é importante, mas eu também sou. Guardem as pedras até eu desenvolver esse raciocínio, porque ele é longo e vai ficar pra outro post, tá? **

A dose foi perfeita dessa vez: aliviou bem a dor mas não me "tirou" as pernas. Eu sentia, mexia, percebia as contrações e a pressão da descida do Lucas. Com isso fique bem mais conectada dessa vez, bem mais presente.

(No parto da Alice eu cometi dois erros crassos: pesei a mão na anestesia e fiquei focada em bobagens, tipo trilha sonora ou medo de fazer cocô. Então pluft!, pari Alice e eu mal me dei conta, concentrada que estava na música que tinha que ser perfeita. Fui idiota, perdi o momento total. Big mistake. Dessa vez resolvi focar no parto e nada mais, dane-se musiquinha e big dane-se cocô!)

Como o colo seguia alto a ordem era empurrar. Em geral isso só ocorre com dilatação completa, mas nesse caso empurrar faria a cabeça do Lucas forçar o colo pra baixo. Então eu fazia força junto com as contrações.

Lá pelas 8h30 minha mãe chegou trazendo a Alice. Mamãe aflita saiu da sala, mas Lili ficou, interessadíssima no processo (após um susto inicial: “pela xoxota???” Hahaha!). Senti com os dedos a cabecinha do Lucas coroando, e pude vê-la por um espelhinho de bolsa – moças, não esqueçam o espelhinho, sério, a visão é incrível! Eu estava super conectada, focada em cada contração, cafunezando o menino embutido nos intervalos (não imaginem a cena). Estava calma, presente, sem dor, sem ligar pra cocô, com Carlos e Alice ao meu lado, numa relax numa traquila numa boa. Parto delícia, tudo lindo.

Não foi feita episiotomia dessa vez, e tive uma laceração grau 1 (leve, que não chegou no músculo). Sinceramente? Com episio, com laceração, pra mim foi tudo a mesma merda. Os pontos doeram um bocado e atrapalharam minha vida por umas semanas. Depois passou. Eu devo ser mesmo bem fresquinha, porque tem muita gente que não sofre muito com esses pontos, mas pra mim é sempre a pior parte, de longe.

Luquinhas deu as caras às 10h45. Nasceu com 3,250kg, 49cm, apgar 10/10.

Veio direto para o meu colo, com a cara de bravo que lhe era peculiar. Diante do seu olhar emputecido, eu dei risada. Sei que é um momento sublime, transcendental, talvez eu devesse ter chorado de alegria ou me comovido ou entoado um mantra feito a Gisele, mas sei lá, quando um neném recém-nascido olha pra mãe que lhe pariu muito puto da vida é engraçado, vai? Ele ficou dengando ali no meu colo, ainda com o cordão, que só foi cortado depois de parar de pulsar. Saiu para os procedimentos de praxe - pesagem, limpezinha rápida, colírio, etc - voltou e se atracou no meu peito por 1 hora direto. Lá nas partes baixas toda uma ação se seguiu – expulsão da placenta, pontos e tal - mas eu nem tomei conhecimento, tão besta que estava com Luquinhas no colo. Também não percebi quando a sala foi sendo rearrumada para virar quarto, e logo as gentes queridas foram chegando para conhecer o pequeno.



Alice, no colo do pai, acompanhou tudo. Conversei com ela durante o processo, Carlos mostrava e explicava o que estava acontecendo, e a calma dele a deixou segura o tempo todo. Ela curtiu, não me pareceu impressionada em nenhum momento. Crianças têm essas saídas espertas para lidar com as coisas que não entendem, e a dela, pra processar aquele sangue todo, foi o famoso “ele nasceu com catchup na cabeça!”. Fico muito feliz que ela tenha participado, e acho que foi bem importante para ela também. Na escola vieram me perguntar se era verdade que ela tinha assistido ao parto, pois quando contou os adultos ficaram em dúvida se ela tinha mesmo visto ou só estava repetindo algo que ouviu. As reações são engraçadas, meio exageradas, como se fosse um grande absurdo. A gente não chegou a refletir muito sobre isso, não planejou nada - ela simplesmente chegou, foi pro colo do Carlos e viu tudo. Mas acho que foi o certo. Ela foi incluída em um momento decisivo da nossa família. E acho que vai crescer achando parto algo natural, e sem o medo que eu tive - desde sempre - de parir.


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

:: Little Brother Brasil


Tem um episódio de House em que a paciente é uma blogueira que leva o note pro hospital e fica narrando sua internação em tempo real. Eu assisti e fiquei pensando: Jisuis, que pessoa louca! Que espécie de maluco exibicionista faz isso, pô???

Corta.

Agora adivinhem de onde eu estou postando?

Adivinhem que espécie de dor em vai e vem eu estou sentindo?

Adivinhem daonde eu estou vertendo água desde 1h da manhã?


Esse mundo é engraçado, não?




quinta-feira, 8 de abril de 2010

:: Divagando sobre parto


Quando eu era criança não queria ter filhos. Ou melhor: não queria PARIR filhos. Eu tinha um cagaço inenarrável de parto. Olhava uma mulher, olhava um bebê, e simplesmente não dava. Não era possível que um bebê pudesse sair de qualquer orifício da anatomia feminina. Então eu pensava assim: “quando eu ficar adulta com certeza já vão ter desenvolvido um jeito de a gente botar ovos ou algo do tipo, porque assim como eu deve ter um monte de mulheres que não querem passar por um parto nem a pau! Se até lá ninguem tiver dado um jeito nisso, eu não vou parir e prontocabou-se.” Simples assim.

Um cadinho de anos depois eu soube que tinha uma anestesia que tornava o parto coisa tranquila. Era uma baita de uma agulhada no meio das costas da gente, mas até lá, eu pensava, já vão ter desenvolvido uma anestesia oral sabor tutti-frutti, e se não tiverem eu não vou tomar injeção nas costas, e nem vou parir, e prontocabou-se. (Ah, a juventude, faz tudo parecer tão simples...)

Bom, aí eu cresci, e ninguém inventou de a gente botar ovo (graças a deus!), e nem uma anestesia oral. Popularizou-se, e muito, um tal corte na barriga pra tirar o nenê, mas isso sempre me soou como uma alternativa horrenda - melhor escangalhar as partes como a natureza quis ou meter faca na barriga? Fico de longe com a primeira opção, faca na barriga é coisa de cangaceiro. Uma vez crescida, conheci um cara absurdamente legal e soube que ele ia ser o pai dos meus filhos, filhos estes que eu nunca quis ter, ói que coisa. E a gente falou sobre o assunto, e eu, pasmem!, quis engravidar, apesar do medo. Porque medo era algo muito pequeno pra influenciar uma decisão dessas. Então eu engravidei, fui uma grávida toda serelepe e me preparei aos pouquinhos pra fatídica hora de encarar um parto. 

Grávida é aquela coisa: a gente lê descontroladamente, e conversa, e pesquisa. E começa a definir o parto dos sonhos.

O meu era assim: normal, hospitalar, numa sala de parto humanizado, com musiquinha, luz baixa, e cama inclinada que deixava a gente mais na vertical. Natural pero no mucho, sabe? Porque eu não abri mão da anestesia, nem a pau! E não entendia como alguém podia OPTAR por não tomar. Porque era assim: você, mulher, está em trabalho de parto e seu filho vai nascer. Pode doer ou não, você escolhe. OI??? Por que CAZZO alguem escolheria o caminho da dor, me explica? Pra mim era uma escolha absolutamente sem sentido. 

Bom, aí eu eu tive quase o meu parto dos sonhos (quase por causa da episiotomia, que eu queria ter evitado). Mas aconteceu o impossível: eu comecei a entender a opção das sem-anestesia. E invejar a experiência de um parto 100% natural.

Pra mim a diferença é a forma de vivenciar o parto. Porque a anestesia dá uma desconectada na gente. Mesmo conseguindo fazer força e sentindo um pouco as contrações, eu perdi a noção do que estava acontecendo lá embaixo. Quando Alice saiu eu não me dei conta, por exemplo. Só percebi quando olhei pra baixo e vi uma uva-passa gigante onde antes era a minha barrigona grávida. E eu perdi as pernas completamente, não conseguia mexê-las nem parar em pé. Minha impressão foi que a experiência do parto perdeu um pouco da intensidade. Li um monte de relatos em que as mães contam que existe uma espécie de transe durante o trabalho de parto, e isso pra mim é um mistério. Eu estava o tempo todo tranquilona, falante, fazendo piada, mas não fiquei completamente absorvida pelo parto. Não me conectei totalmente com o momento, meu corpo, o nascimento, o instinto de bicho que a gente tem escondido em algum lugar dentro da gente. E quando leio um relato de parto natural, me dá um baita orgulho. Eita mulherada porreta!

Pra mim ainda teria um outro lado, o da superação. Essa sensação boa que dá quando a gente tem um medo paralisante mas vai lá e enfrenta. Acho que se eu conseguir um parto sem anestesia vou virar uma satisfação ambulante, com um sorrisão eterno e aquela cara de missão cumprida por essa vida e mais umas três. Pensando assim, me dá vontade de tentar encarar o próximo parto ao natural, na raça, confiando na fêmea selvagem que existe em mim. Mas aí vem o diabinho na minha orelha e pergunta: Mariana, minha querida, quer enganar quem? Porque o fato é que eu sou medrosa. E, cara, tenho tantas outras virtudes mais relevantes, e tantos outros defeitos bem piores, que me deixa ser medrosa, pô! Sei lá se faz sentido eu me cobrar mais isso agora - porque a gente já se cobra tanto nessa vida, né? Então eu me concedo o direito de ser medrosa e fico pensando se realmente preciso (ou quero), como terapia de choque de autoafirmação, encarar um parto natural. De verdade, isso vai fazer de mim uma mãe melhor, uma pessoa melhor, uma mulher mais completa? Meu filho vai ter uma vida mais feliz porque eu não tomei anestesia quando ele nasceu? Provavelmente não. O parto me deixaria orgulhosa, sem dúvida, mas eu já me orgulho de um monte de coisas em mim, então talvez essa eu passe. Talvez. Quem sabe?


***


Hoje, o meu parto dos sonhos seria assim: normal, hospitalar, sem ocitocina, sem episiotomia, anestesia a decidir na hora, a posição que eu escolher, meu filho vindo pro meu colo imediatamente e o cordão sendo cortado só depois de parar de pulsar. 

Falar é fácil, mas na prática eu sei que esse "anestesia a decidir na hora" significa que eu vou pedir, ÓBVIO que vou. Porque é preciso preparo para um parto sem anestesia, e uma tolerância à dor que eu não tenho, e uma provável troca de equipe para uma mais "natureba" que saiba conduzir o parto e tranquilizar a parturiente histérica que eu hei de ser. Acontece que não tô nem um pouco a fim de trocar de equipe, adoro meu obstetra e confio nele horrores. A questão é: sem o apoio de gente especializada em parto natural, eu vou dar conta de encarar? Sei lá, acho que não. Provavelmente vou pedir anestesia, com a anestesia não vou conseguir ficar de pé, e aí não vai rolar a posição que eu escolher, e talvez até as contrações diminuam e eu tome ocitocina, e aí as contrações vão doer mais, e dá-lhe mais anestesia... pronto, lá se vai o meu parto dos sonhos, estão vendo? Tchau, parto dos sonhos!

De alguma estranha maneira, eu não ligo. Porque no fundo - e eu fui me dando conta disso agora, à medida que pensava e escrevia o post - o parto dos sonhos nem é tanto dos MEUS sonhos. Sabe? Eu realmente me comovo com partos naturais e admiro quem faça, mas acho que não é pra mim. Não faz parte do meu repertório, dos meus valores, do modo como eu vivo. Eu não sou natureba. Eu não lido bem com dor. Eu não sou corajosa. E eu me adoro mesmo assim (rá!), e não me cobro algo que acho que seria muito custoso - apesar de compensador, sem dúvida. 

Mais compensador pra mim é a chegada de um filho e o que vem depois. Não me apego tanto ao "parto dos sonhos", e sim a criar o "filho dos sonhos", ser a "mãe dos sonhos",  construir a "família dos sonhos". Pra mim, esses são os investimentos que valem a pena. E, como todos os sonhos, esses já vão me trazer preocupação, frustração e culpa o suficiente, de modo que se eu puder me aliviar de mais uma expectativa, melhor. Um pequeno ato de autoindulgência. Eu mereço. E acho que toda mãe merece.


***


Uma coisa que me tranquiliza quanto a qualquer decisão que eu tome é que eu não tenho o parto como CAUSA (aliás, sou um pouco desconfiada com "causas" em geral, porque daí pra cegueira seletiva é um pulinho. Levar uma causa a sério demais pode fazer a gente parar de ouvir o outro lado e descartar tudo o que não confirme a nossa posição. Impressão minha ou é exatamente o que está acontecendo nessa polêmica toda das vacinas, hein?). 

Deixa eu explicar melhor: acho a "causa do parto normal" importantíssima num país que tem uma das maiores taxas de cesárea do mundo. É ótimo que se discuta as diferenças dos partos, que haja informação e estímulo ao parto normal. Então os grupos envolvidos nessa "causa" fazem um trabalho importantíssimo e que ajuda muitas mulheres. Até aí, incrível. Pra mim a coisa desanda se a mulher começar a achar que TEM QUE ter um parto assim ou assado. Em vez de usar a informação de forma libertadora, ela vira escrava de tudo o que aprendeu. Se o parto não for normal (ou natural, domiciliar, na água, etc.) ela acha que fracassou. E isso é cruel demais. Então esse é o meu limite de envolvimento com a "causa" (essa e qualquer outra): eu fico com o pé atrás quando percebo que ela me escraviza mais do que liberta.

Em outras palavras: sou da turma do parto normal, e vou lutar por ele até o ponto que me parecer razoável. Mas não vou me corroer de culpa e frustração se eventualmente precisar de cesárea ou alguma intervenção que preferia evitar. Porque o parto não é um fim, é um meio (ou ainda, com o perdão do trocadilho: é um começo). Não precisa carregar uma carga pesadíssima de expectativas e cobranças. E afinal, faz alguma diferença significativa na vida do seu filho a forma como ela veio ao mundo? Ali, no comecinho, nos primeiros dias, existem sim dados indicando que há formas mais seguras e saudáveis de parir, mas na qualidade de vida geral de um ser humano, a longo prazo, o parto é realmente determinante? Nunca vi dados concretos sobre isso, então eu diria que não (me corrijam se eu estiver desinformada, please!). E se a felicidade do meu filho não está condicionada ao parto, por que a minha estaria? Não, esse peso eu passo. Eu quero é ver meu filho nascer saudável, o resto é resto. Vê lá se eu vou ficar frustrada por cada coisa que não saiu como planejada, gente? Tá doido! 

E outra: eu não me julgo competente pra questionar as opiniões de um médico que estudou anos pra fazer o que faz. Um médico de confiança, atenção. Escolhido com cuidado, e com quem me identifico. Pesquisei, conversamos bastante, fechei com ele? Então se ele fala eu acredito, e se não fosse assim estaria louca a essa altura.

Então, na hora do parto, o que ele disser eu acato. E o que EU quiser, o que sentir ali na hora, eu também acato. Não quero ficar me agarrando desesperadamente ao que considero o parto ideal, não quero ser escrava dele. Arreguei na hora H e pedi anestesia? Ok. Tive um parto cheio de intervenções? Ok. Precisei de cesárea? Ok também, fazer o quê? Agora, meu filho correu riscos, ou teve qualquer tipo de sofrimento desnecessário porque eu fiquei batendo cabeça e dizendo eu quero assim, eu quero assim, eu quero assim!? Não, aí não tá ok. Aí o foco passou da criança pra mãe, e o tão sonhado "parto ideal" perdeu o sentido.

Meu humilde conselho? Se informem, barrigudas. Leiam, pesquisem, conversem com mães e médicos, e criem sim o parto dos sonhos de vocês. Façam junto com o médico um plano de parto, deixem muito clara a sua vontade. E, feito isso, relaxem. Não se pode controlar tudo e, no fim das contas, parto bem sucedido é aquele em que filho e mãe estão bem no final. Ponto. Buscar nele a afirmação da nossa qualidade de mãe é autorreferente demais, justo no momento em que a gente mais deveria se doar. Vamos nos preocupar mais com o exercício da maternidade e menos com o parto. Até porque o que realmente define a mãe que vamos ser é o que começa logo depois dele. 

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

:: Pra quem tem medo de parto normal


E não é que eu esqueci de passar pra esse blog o post do meu parto? Pessoa louca!


Texto de outubro de 2007


O obstetra passou a minha gravidez inteira dizendo que parto normal é uma delícia. “Uma delícia”, assim mesmo, nesses termos. Eu sempre achei muito engraçadinho da parte dele, enquanto homem que nunca passou por isso, fazer tal afirmação. Mas ok: adoro meu médico, achei a intenção nobre e fingi que acreditava.

Aí veio o parto e, adivinha?, foi uma delícia! Anestesia é tudo, minha gente! As contrações vieram vindo suavemente, tipo coliquinha menstrual, e quando a coisa começou a ficar pesada pedi a anestesia e pronto. Tá certo que a dor não é eliminada totalmente (porque a mulher precisa continuar sentindo contrações e fazendo força), mas o anestesista mantém a dor sempre num nível bem aceitável, aumentando a dose de anestésico conforme necessário. Só no final, na hora da expulsão, ele dá uma dose-nocaute, e aí não se sente nada, nadinha mesmo. Portanto, esqueça aquela gritaria que a gente vê nos filmes. Com anestesia a coisa é bem diferente, graças a Deus.

O nascimento da Alice aconteceu numa sala especial para parto humanizado, com banheira, cadeira de parto, visitas à vontade e estrelinhas no teto. CD classudo rolando, as famílias entrando e saindo o tempo todo, o Carlos tranquilão, o anestesista fazendo gracinhas, o médico morrendo de rir. Eu, entre uma contração e outra, ainda fazia a humorista pra não ficar excluída da panelinha de piadistas. Realmente, uma delícia - só faltou a cervejinha!

E pra não me acusarem de omitir os fatos, verdade seja dita: a picada da peridural nas costas é aflitiva. A anestesia dá uma tremedeira horrorosa e te impede de mexer as pernas por horas. A boca seca. A posição é humilhante. A coisa toda dura hooooras, o que dá uma certa gastura. E é isso. De resto, só alegria!


***


Engraçado é notar como a gente vai mudando com as experiências dessa vida. Na época que escrevi isso eu nem concebia tentar um parto sem anestesia. Pra mim era simples assim: eu não gosto sentir dor, ponto. Mané parto natural, tão malucos?

Eu continuo não gostando de dor, e mesmo assim ando suspirando com a idéia de um próximo parto bem natureba na beira do lago sem intervenções. Não sei se a coragem dá pro gasto, mas ando ao menos pensando no assunto, o que já seria um disparate para a minha pessoa de uns anos atrás...

Qualquer hora eu explico as razões (já escrevi mas estou até hoje tentando editar esse texto, que virou uma divagação infinita e chatésima sobre o assunto, 14 laudas intermináveis que vocês não merecem encarar. Quando eu conseguir cortar pelo menos metade publico aqui, tá? ----> feito, tá aqui).

quinta-feira, 25 de junho de 2009

:: Parto em tempo real (ATUALIZADO)


Lembram da Riti, minha amiga das fadas?

Pois eu preciso contar que ela está parindo tipo... agora.



Ou agora?



Ou... agora?



Ou Helena até já nasceu, sei lá! Falei com a Ri há algumas horas e ela estava firmona nas contrações. Agora não sei mais em que pé as coisas estão, e ainda tem a diferença de fuso pra me confundir.

Céus!

Se eu pudesse estaria na salinha de espera andando em círculos e fumando um charuto, mas já que não posso jogo minha ansiedade no aqui no blog mesmo!

Vai, Riti! Go girl!

E vem, Helena-da-titia!!! Êêê!!


(Ui que nelvios! Ainda bem que nasci mulher, eu nunca, NUNCA poderia ser o pai da criança numa horas dessas...)


ATUALIZADO

A veio avisar que Helena nasceu linda e grandona, num parto naturalíssimo, e é a cara da mãe. Viva a Helena!!!



segunda-feira, 3 de novembro de 2008

:: Medinho inconfesso 2


Continuando o post abaixo (após uma pausa dramática picareta): o papo não terminou ali, claro. A conversa seguiu tranquilizadora. Doutor me explicou que faz-se uma lavagenzinha básica pra evitar acidentes, e assunto resolvido. E ainda disse que, de qualquer maneira, na hora isso não tem a menor importância. Como assim, doutor??? Como não tem importância eu fazer cocô na frente do meu marido - e da filmadora do meu marido - num momento sublime como esse? Corta clima total, não pode. Vamos caprichar nessa lavagem, ok?

Então, no dia do parto, rolou a tal lavagem - que na verdade é um supositório laxante que dá uma descarregada geral, a gente fica limpinha e pronta pra ir à luta, sem medo de expelir nada além do nosso bebê fofinho. Só que o meu parto acabou sendo meio rápido e o laxante não tinha acabado de cumprir sua função. Digamos que 90% do assunto estava resolvido, mas os 10% restantes deram as caras naquele empurra-empurra todo. Na frente do Carlos, da câmera e de quem mais quisesse ver, a sala do parto estava uma verdadeira festa. Céus! Meu pesadelo escatológico se concretizou!

E, quer saber? Caguei, literalmente (dúvida: posso falar palavrão nesse blog?). Doutor tinha razão: realmente, não fez A MENOR DIFERENÇA. Juro. Na hora é só um detalhe, tão pequeno e tão bobo perto de tudo que está acontecendo que a gente mal se dá conta - até porque as enfermeiras ficam ali de butuca e dão sumiço na prova do crime rapidinho. Acho que meu marido, que estava na sala o tempo todo, nem ficou sabendo do ocorrido (vai saber agora, oh god!). E o vídeo do parto não dá bandeira nenhuma. A verdade é que se eu não estivesse, nesse exato momento, lançando no infinito universo on-line que eu fiz cocô no parto, ninguém ficaria sabendo. Haha.

Pois eu fiz - pronto, falei. E tô aqui, toda pomposa. Alice tá aqui, toda linda. Meu marido continua me amando, e meu médico continua me aceitando como paciente, e tá tudo muito bem. Passei pela experiênca que julgava ser a mais desmoralizante possível em uma vida humana e a conseqüência foi zero. 


Acho que a moral da história é que depois de virar mãe a gente relativiza a importância das coisas e o nosso limite do que é moralmente aceitável fica muito mais flexível. Ser mãe te joga imediatamente num patamar superior, divino e acima do bem e do mal, em que esse tipo de preocupação vira uma futilidade pequena e mundana. Resumindo: mãe pode. 

Ou:

Ser mãe te joga, sem pára-quedas, no universo das nojeiras, num mundo de cocô e baba e regurgitos que vêm sem aviso nas horas e locais mais inapropriados, de modo que fazer cocô no parto é apenas um pequeno ritual de boas vindas que diz: olá, agora você é mamãe, bem vinda, e trate já de limpar essa sujeira!



Escolham a linha filosófica que mais lhes aprouver.


 

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

:: Medinho universal (e não-confesso) do parto


Mulher nenhuma fala disso abertamente, mas se você juntar duas grávidas num cantinho discreto a questão surge, certeza. 


Eu, grávida, tive que perguntar.

 

Respirei fundo e mandei, na lata:

 

- Mas doutor... a mulher tá lá, fazendo força... ("A Mulher". Assim, bem genérico. Não tive o despudor de me colocar na cena. Você também não teria, aposto.) ...a mulher tá lá, fazendo força, pernão aberto... me diz: ela não faz cocô, não?

 

- Faz (CÉUS! HORROR, HORROR!). E xixi também.

 

 

Por que ninguém nunca mostrou isso nos filmes, por quê???

 

 

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