sábado, 12 de maio de 2012

:: Dia das Mães



A pessoa percebe que tem problemas quando, na época do dia das mães, em vez de ficar hipersensível, fica hipersincera. Mas aí ela escreve um post todo confessional e se arrepende no minuto da publicação descobre que meio mundo pensa igual, de modo que problemas, amigas mães, temos todas nós! Abraço coletivo! \o/


Meu antipost de dia das mães (ou: minha sessão de terapia) tá aqui:
http://minhamaequedisse.com/2012/05/um-antipost-de-dia-das-maes/


***


E fomos capa da Vejinha hoje, gentes, que chiqueza! Estamos lá junto com várias moças bacanas falando um pouco dessa vida de mães interneteiras.


Notem a mãe um pouco embaraçada com essa coisa de ser capa de revista e os filhos, nem-te-ligo, estou muito natural, nasci pra isso! Hahaha, orgulhinhos da mamãe!


Só para não perder a chance, fica a errata: nossa família não é cristã. E "dona de casa" também não se aplica muito não... não que eu ache demérito, pelo contrário, adoraria ter certos atributos domésticos que me faltam. Mas uma pessoa que nunca aprendeu a fazer um arroz decente não está pronta para carregar o título, correto? E na verdade o meu trabalho é esse aqui, ó: www.minhamaequedisse.com (quer mais "mãe e internet" que isso?)


Então é isso, gentes. Feliz dia das mães pra nós!


terça-feira, 8 de maio de 2012

:: 4 1/2



Existe nesse blog uma tag chamada "agora eu amo mais". Tá ali escondidinha no meio da nuvem de tags, viram?


Pois essa tag andava me preocupando. Aconteceu que eu amei a Alice, depois amei mais quando ela tinha uns 6 meses, depois amei mais quando ela tinha um ano e meio, depois amei mais quando ela fez 2... e aí a tag empacou. Porque vou ser sincera com vocês: eu não amei mais quando ela fez 3 anos. É que os terrible twos da Alice vieram aos 3, de modo que se eu dissesse que estava amando mais e mais seria mentira. Amava igual, e contando muito com a generosidade cega das mãe, porque não é que a mocinha merecesse, viu? Estava chata, a bichinha.


Não que eu não tenha amado minha filha loucamente de lá pra cá, claro. Amei apesar de, porque vejam: mães são seres superiores programados para isso. Mas mesmo amando eu consegui ter a noção de que aquela fase adorável de bebê tinha acabado. E a tal tag se refere a isso: fases. Ao poder que crianças têm de ficarem mais e mais encantadoras com o passar do tempo. Eis que dos 2 aos 4 anos a criança definitivamente não ficou mais encantadora. Achei que o ciclo do encantamento estivesse encerrado e que o caminho natural fosse que os filhos ficassem cada vez mais chatos até completarem 20 e poucos anos, saírem de casa e a gente dar graças a deus.


Mas gente, I WAS WRONG! E agora eu venho anunciar com a maior alegria do mundo que sim, agora eu amo mais!


4 anos e meio, guardem essa idade mágica! Aqui em casa, os 4 e meio marcaram o término da passagem de criancinha-inha para criança. 4 anos e meio foi o tempo que a minha menininha levou para virar uma pequena grande pessoa.


O olhar mudou, o vocabulário mudou, o jogo corporal mudou. Sobretudo: o tom da fala mudou. Virou tonzinho, sabe? Que coisa incrível que é o tom na definição de maturidade de uma criatura, não?


O tom foi de SOU CRIANCINHA (com a língua presa) para EU CRESCI E AGORA SOU MULHER. Não que ela seja mulher de fato, mas o tonzinho é exatamente esse: SOY MUJER. Com direito a entonação de adolescente, gírias, erres e esses bem pronunciados e muito "tipo assim" e "manhêêê, mêêêu!" - em paulistanês da Mooca, ainda por cima. 


Além do tonzinho, Alice ganhou um arzinho. Aquele de superioridade, meio blasé, sabe? Gosta de assumir um ar desgostoso e revirar os olhos pra mim, num tédio absoluto. Ou então me olha cheia de arzinho e declara: "Ah é? Eu nem queria mesmo, lalalá". O tonzinho arrogante acompanha, claro. O que seria do arzinho sem o tonzinho?


Aos 4 e meio, a minha menina ganhou traquejo social. Sabe ser visita e se comportar como tal (e há de saber evitar o tonzinho em casa alheia, oremos). Ganhou o botãozinho da autocensura. E junto com ele, um botãozinho que me preocupa, o de dissimular sentimentos, esconder lágrimas e guardar coisas ruins para si. Ela vem contando algo e de repente pára: não quero falar. E não fala mesmo, por mais que eu diga que estamos aqui para tudo, que a gente sempre vai ajudar, que falar das coisas ruins é bom e alivia. Pois ela não fala. Um ponto para a gente observar com atenção a partir de agora. Questão de mocinha grande, né?


Alice gosta de falar difícil, sempre gostou. Aos três empregava palavras do jeito (e com o sentido) que lhe desse na veneta - Você pensa que eu sou um desastre, papai?, ou Aprendi sozinha, sou indignada! (querendo dizer autodidata), ou Estou extrelamente apertada para fazer xixi! Agora a danadinha acerta tudo: concordância, conjugação verbal e o sentido das palavras que usa. Creio que o sabonete ficou no banheiro do Lu, ela me disse ontem. Aos 4 e meio, ela crê. Aos 3, no máximo ela achava...


Alice gosta de jogos. Jogos de tabuleiro, jogos de cartas. Anda especialmente encantada pelas regras, que segue de modo xiita e ai de quem não acompanhar. Quando ganha, fica toda orgulhosa. Quando perde, declara evasiva: "esse não deu certo..." e sai procurando outro parceiro, de preferência aquele com o curioso hábito de perder sempre (a.k.a: vovó)








Aos 4 e meio, Alice decidiu que prender o cabelo é uma coisa legal - glória aleluia. Então faz um rabo de cavalo, puxa as sobras da franja atrás da orelha e o olhar é tão diferente que me arrepia. Quase da pra ver a mulher que ela vai ser ali, escondida atrás daqueles olhões que vão deixando de ser infantis.

E a gente acaba esquecendo que ela só tem 4 anos e meio e conta com uma maturidade que não está lá,  de modo que um belo dia você se pega explicando pra ela o apelo perverso da publicidade infantil e as razões pelas quais você não vai de jeito nenhum comprar um ovo de Páscoa por causa do brinquedo mequetrefe que vem dentro. Ao que ela olha fundo nos seus olhos, cheia de arzinho, e diz dando de ombros: Não precisa dar, eu vou pedir pro coelhinho mesmo.



E vai assistir TV de ponta-cabeça no sofá, pra te lembrar, aqui e ali, que só tem 4 anos e meio.






segunda-feira, 30 de abril de 2012

:: Grávidas & Loucas - vídeo novo da TV MMqD!

O vídeo novo do Minha Mãe que Disse (produzido e editado por minha própria pessoa, vamos prestigiar, hein colegas?) traz uma porção de malucas adoráveis confessando as suas pirações gravídicas. 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

:: Religião na escola, mas ôe? (editado)


Essa semana correu a notícia de um adolescente que foi discriminado por se recusar a rezar na escola. Me fez lembrar de uma história que tô devendo há anos nesse pobre blog...

Com dois anos recém completos, Alice frequentou uma escolinha infantil perto de casa. Nunca morri de amores pela escola, que tinha um espaço bem chinfrim e um estilo meio caretão. Mas ficava a dois quarteirões da minha casa, e isso falou mais alto. Eu achava que a escola não tinha muito como errar com crianças de dois anos, desde que elas brincasses bastante (e brincavam) e fossem bem cuidadas (e eram). Enfim, achei que dava pro gasto.

Comecei a me estranhar com o lugar logo nos primeiros dias, quando circulares da coordenação ou bilhetinhos da professora vieram com erros de português. Nada muito gritante, mas que me incomodaram. Hum.

A escola também fazia aquela coisa pavorosa de empurrar fotos cafonas dos nossos filhos. Às vezes enviava material publicitário de empresas dentro da mochila. Enfim, a escola já dava dicas que não ia passar do semestre com a gente. Mas Alice cantava as musiquinhas, falava dos amiguinhos e estava feliz.

Um dia ela juntou as mãozinhas antes do jantar, agradeceu ao Papai do Céu pela refeição e disse amém. Soou na minha cabeça um alarme bem alto e com luzes piscantes. Mané amém, gente! Minha filha não foi para a escola para aprender a rezar, correto? Isso faz parte da esfera privada, das crenças da família. Se eu quiser, rezo com ela. Uma oração católica, ou muçulmana, ou budista, do candomblé, wicca, o que quer que seja. Ou nenhuma. Isso não pode, de forma alguma, partir da escola.

Acontece que existe no Brasil essa mania de se achar que todo mundo é religioso - cristão, para ser exata. É como se nós fossemos cristãos de fábrica. Falar amém, vai com Deus ou Deus te abençoe é normal como dar bom dia (na verdade é MAIS normal do que dar bom dia). E isso é legal se demonstra cuidado, carinho, good vibes ou o que quer que seja. Mesmo sem acreditar em Deus, eu não vou me ofender se alguém me diz vai com Deus, claro que não. Vou é agradecer pela intenção (até porque uma bençãozinha de vez em quando nunca é demais). Cada um com a sua crença, descrença ou meia-crença, certo? Mas se a professora da minha filha, dentro da escola, ensina os alunos a rezarem, isso me ofende sim. Pois a professora tem uma responsabilidade que alguém que me diz "vai com Deus" na rua não tem. E botar a criançada para rezar, seja para o deus que for, demonstra: ou uma absoluta falta de percepção de que as pessoas são diferentes, ou uma absoluta falta de respeito com as diferenças.

Enfim, como o Brasil é um país que se diz laico mas de laico não tem nada, a coordenadora ficou completamente surpresa quando eu fui até a escola questionar a reza. Ela disse que aquilo é só uma musiquinha, "sem caráter religioso". Oi? A criança disse amém com as mãozinhas postas - se isso não tem caráter religioso, eu não sei o que tem.

Se a professora ensinasse as crianças a invocarem orixás antes do lanche, será que a coordenadora continuaria achando que isso não tem caráter religioso? Se cantassem uma música hinduísta, ou judaica, para agradecer a refeição, elas seriam só musiquinhas? E se todas virassem em direção à Meca e tocassem as testas no chão? Posso imaginar o escândalo. Mas amém pode. Papai do Céu pode. Porque isso não é religião, imagina.

Bom, se a coordenadora acha que não tem nada de mais, então a escola não serve pra gente, porque o nosso conceito de qual é o papel de uma escola passa bem longe disso.

É claro que a gente tirou Alice de lá e colocou em outro lugar. Que vem se confirmando a cada dia a escola dos sonhos. Que tem uma coordenadora muito porreta que dá altos esculachos nos pais, pra gente deixar de ser besta (pais são sempre meio bestas mesmo quando pensam que não o são). Com uma proposta e uma postura que me deixam completamente tranquila e segura. E que me mostrou claramento o que eu quero e não quero (melhor: aceito e não aceito) em uma escola.



Ai, gente, então.

Melhor fariam as escolas se usassem o tempo das orações ensinando leitura e interpretação de textos, né?

Achei que estava claro, mas vamos lá:

- Este texto não é sobre religião, é sobre religião na escola. É diferente, viu?

- Sim, Alice rezou. Não, isso não é o fim do mundo. Não tirou o meu sono. Não me deixou sequer um cabelo branco. O problema não está no fato de ter feito uma oração, e sim da oração ter vindo de uma escola que não se declara religiosa (de novo: uma ESCOLA que NÃO se declara religiosa). Não foi a vizinha, a avó, o tio, a amiga, o moço da feira quem ensinou. Foi a professora dela. Não sei vocês, mas eu espero bem mais de uma escola no que se refere a ter clareza de qual é o seu papel. E no respeito a crenças - ou descrenças - individuais. E acho que uma coordenadora escolar que minimiza isso é uma coordenadora de merda e está absolutamente despreparada para trabalhar com educação. Como desconfio seriamente de escolas que empregam coordenadoras de merda, tirei a minha filha de lá. Simples assim.

- Também acho que quem diz "é só uma oração, grande coisa" não entendeu o texto e está tão apegado às suas convicções que é incapaz de enxergar um palmo à frente do nariz no que se refere ao respeito às diferenças - ponto crucial de toda a discussão.


Proponho um pequeno exercício a quem ainda passar por aqui:

Após a leitura do texto, considere as seguintes hipóteses

1 - Eu, a autora do texto, creio em Deus, sou cristã e frequento a igreja. Crio os meus filho de acordo com os preceitos da minha religião. Mas ainda acho que a escola não tem nada a ver com isso.

2 - Alice não agradeceu ao Papai do Céu e nem em disse amém antes do jantar. Na verdade ela fez uma oferenda para o seu orixá, pois foi assim que a professora da escola ensinou.
OU: nós, da família, fizemos a prece, e ela disse: mas mãe, na escola eu aprendi que Deus não existe.

Considerou? Mesmo?

Pois bem: se essas duas possibilidades não mudam em nada o seu entendimento ou opinião sobre o texto , então pode ficar à vontade para fazer seu comentário e levar a conversa adiante.

Mas se elas mudam alguma coisa é porque, colega, você não entendeu absolutamente nada.


quinta-feira, 22 de março de 2012

:: Olha a cabeleira do Lucão, será que ele é, será que ele é?


Lucas, esse ser engraçado e simpaticão, nasceu com o cabelo enroladinho, um monte de cachinhos na cachola, tóim tóim tóim tóim.

Mas os cachinhos não habitam a cachola toda. Eles se concentram nas pontinhas. É o famoso "cacheado nas pontas", sonho de consumo de 9 entre 10 seres humanos (inventei a estatística agora, quem nunca?).

Eu me apeguei aos cachinhos e gosto de ficar brincando com eles, afofando, cutucando e esticando as molinhas.

Alice bebê tinha o mesmíssimo cabelo com molinhas nas pontas. No dia em que resolvi cortar, aconteceu o que eu temia: bye bye cachinhos. As molinhas não voltaram nunca mais. Sobrou na Lili um cabelo bonito e cheio de balanço, nem liso nem ondulado, mas "jeitoso", como diria mamãe. Mas sem aqueles cachinhos fechadinhos, tão brilhantes e sacolejantes que dava vontade de ficar olhando pra sempre.

Vão-se os cachinhos, fica a saudade. Coisa mais rica, cachinho de criança, né gente? De modo que não quero cortar os cabelos do Lu. Quero que os cachos permaneçam grudados na cabeça dele ad infinitum, ou ao menos até ele ter autonomia e aquele certo grau de rebeldia que o façam tacar a tesoura na juba por conta própria.

Por conta da cabeleira, Lucão me lembra o ultrafofo garotinho de Tempos da Camisolinha (aquele conto do Mário de Andrade que começa com um corte de cabelos traumatizante), o que me faz zelar ainda mais pelo cabelo cachudo dele. Imagina se vou passar a tesoura no menino e depois virar a carrasca das histórias dele, caso ele resolva ser o novo Mário de Andrade? Jamé! Prefiro seguir me esbaldando com os cachinhos quase dourados, tão lindos!, do meu bebezão.

Há um porém.

O mundo deu pra tratar meu filho como uma garota. Não tem nem aquela cara de dúvida que ainda pairava uns meses atrás. Agora todos são taxativos: que linda! Na verdade eu não acho isso porém nenhum, mas aparentemente é sim, porque as pessoas têm muitos problemas com essa coisa de definição de gênero (né Mamatracas?) e ficam implicando com meu menino cabeludo. Ainda mais porque, como bom irmão de menina, ele ama passar batom (no queixo) e botar tiaras e coroas de strass na cabeça. Eu acho absolutamente adorável e engraçado, e faço questão de tirar fotos e tal. Mas até vovó, toda progressista, acha que tudo tem limites. Principalmente quando eu faço rabo de cavalo nele (e aí confesso uma certa culpa: eu faço isso para ter um revival da Alice bebê. De costas, é como vê-la pequeninita de novo. Como resistir?).

Mas eu dizia que o mundo acha que o Lucão é menina. Por mais que eu até invista em outros signos da masculinidade (roupas "de menino", cores "de menino"), parece que é o cabelo o que mais define a macheza da criatura. E tem quem se importe com macheza (ou feminilidade) de criança de um ano e sete meses! É muita bestice, né não?

Estou sob pressão, gente. A turma do Corta! Corta! está me deixando nervosa. Eles não entendem que os cachos vão embora para sempre? OS.CACHOS.VÃO.EMBORA.PARA.SEMPRE, amigos! Não aprendi a dizer adeus, não quero, não tô pronta, leave us alone.

Resistiremos! Lucas será o símbolo, o avatar cabeludo, o Che Guevara meets Luiz Caldas da luta pela liberdade capilar - e de definição de gêneros, por que não? - na primeira infância.


Hai que endurecer, pero sin perder los cachinhos, jamás!


terça-feira, 20 de março de 2012

:: Show de Talentos Maternos: qual é o seu?


Ainda não viu o impressionante Show de Talentos da blogosfera materna?

Então veja! Se inspire! Solte essa diva talentosa que existe em você!




Via Minha Mãe que Disse, aqui ó:



Favor apreciar, já que sou a editora e estou super acreditando que encontrei uma nova carreira, tá? Grata! ;)


terça-feira, 13 de março de 2012

:: - A Alice ainda tem ciúmes do irmão?


Volta e meia alguém me faz essa pergunta.

Eu adoraria dizer que não, que ela é uma mocinha e já superou a ciumeira inicial. Afinal, ela adora o Lucas, os dois vivem aos agarros e beijos, os dois são cúmplices na picaretagem, os dois debocham da gente o tempo todo. Alice e Lucas, a dupla dinâmica.

Mas...



- É a nossa família, mamãe.
- Uau!
- Aqui eu de cabelos compridos, ó. Aqui você, encostando no arco-íris. O papai quaaase (hahaha, toma papai!) encostou no arco-íris...
- Lindo, filha! Muito lindo!
- Brigada.
- ...
- ...
- Mas não tá faltando alguém?
- É, tá. O Lucas não coube.

Sem mais.

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