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quarta-feira, 6 de abril de 2011

:: Lucas e o peito


Foto: Reg Morrison (somos nós não, gente! A foto é de 1971 e a bebê é filha do fotógrafo.)


Luquinhas deu de achar graça nas minhas peitas.

No meio da mamada ele solta o bico, afasta o rosto pra ajustar o foco e fica ali, ainda meio vesguinho pela proximidade, encarando o peito. E rindo! Não é sorrindo amorosamente, veja bem, é RINDO mesmo, com ar de deboche. Estica a mãozinha, afofa um pouco a parte mais carnuda e depois tenta arrancar meu mamilo fora com os dedinhos em pinça. Fica nisso por um minuto ou dois, e depois volta a mamar.

Eu, abstraindo o ar sacana e as tentativas de assassinato mamilal, acho fofo. Problema é que ele está cada vez mais interessado no vasilhame e cada vez menos no que tem lá dentro. Anda super disperso pra mamar, como se estivesse perdendo um tempo valiosíssimo: tanta coisa no mundo pra ver e eu aqui com esse peito na cara. Tenta virar a cabeça pra olhar em volta, mas como a mamada limita os movimentos, ele desiste logo. O leite também não está assim uma fartura (a produção caiu bastante desde que ele começou a almoçar e jantar), e isso certamente não ajuda. Então ele está assim, nem-te-ligo pro meu leite. Até meio blasé, eu diria. Mama como se estivesse me fazendo um grande favor.

A pergunta que não quer calar é: seria este o primeiro sinal de desmame, colegas? Um dia eles se desinteressam, fazem do nosso peito um brinquedinho de fazer fóim-fóim e pronto, that's it?

Tô pronta não, gente. E agora?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

:: Hola, soy Larissa!


Eu agora tenho um meinho entre os peitos.

E eu posso guardar uma mamadeira no meu decote!

A translactação andava fazendo uma baita lambança porque eu usava a mamadeira aberta com o caninho dentro, e o leite derramava a cada sacudida do Lucas. Então aprendi a fazer assim: passo o caninho por um bico de furo maior (líquidos engrossados) e deixo a mamadeira fechada. Onde, onde? Nas peitas, claro!

De modo que agora eu atendo por Larissa Riquelme, tá?


Mas uma Larissa contratada pela Nuk, e não pela Nokia... hã, hã?


Tem coisas que só a amamentação faz por você!


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

:: Algumas respostas sobre amamentação - ATUALIZADO


Quando escrevi sobre tudo o que tenho feito para aumentar o leite, apareceram nos comentários algumas questões (fora outras que eu inventei, mas acho relevantes) que finalmente tô conseguindo responder.

Vamos lá.

- Por que eu dou os dois peitos a cada mamada em vez de esvaziar um de cada vez?

É porque eu preciso justamente aumentar a produção, e por isso é importante estimular os dois a cada mamada, para que ambos trabalhem bastante. Como minha produção não é aquela fartura, 10 ou 15 minutos me parecem suficientes para esvaziar o peito. De qualquer modo, eu dou um peito, troco e depois volto pra esse primeiro, pra esvaziar de vez. Assim garanto tudo: que Lucas mame o leite gordo e que os dois peitos sejam estimulados com frequência.

- Carol, a pediatra especializada em amamentação é sim a Dr. Nina! Adorei e indico, quem for de São Paulo pode encontrá-la na Casa Curumim (http://www.casacurumim.com.br)


- Onde achar o TCM (óleo engordativo):

Na Nutrimed (tem em vários estados, o site deles dá os endereços)

- Onde achar sondinha para translactação:

Em lojas de produtos hospitalares. Em São Paulo, tem na Cirúrgica São Paulo. Eu compro a sonda gástrica número 4, longa (1 metro de comprimento), pacote com 50. Corto cada uma em três e tenho portanto 150 sondinhas, o que dura um mês e pouco.

- Vale a pena comprar o relactador (sistema já pronto para fazer a relactação)?


Prós:

1. Ele vem com um cordão para ser pendurado no pescoço - vira um colar bastante ridículo, mas que libera as mãos.
2. Tem três espessuras de sonda - se alguém precisar dar um complemento antirefluxo, mais grosso, ou quiser fazer o bebê sugar com mais força usando um bem fininho, é só trocar os caninhos.
3. Segundo a pediatra, ele é calibrado exatamente para essa função, então obriga o bebê a fazer a força certa para sugar (eu não sinto tanta diferença: o caninho intermediário, que eu usava, me parece ter a mesma espessura da sondinha... mas ela falou, então fica aí o registro.)
4. Tem saída para duas sondinha, então dá pra amamentar gêmeos ao mesmo tempo.

Contras:

1. É caros pacas (quase 200 reais por uma garrafinha de plástico e uns canudinhos, pô!) Atualizando: Esse é o preço do relactador da Medela, importado. A Beta deu a dica do Mamma Tutti, que é nacional e custa uns 30 reais. Thanks, Beta!
2. Tem que ser esterelizado a cada uso, o que é um saco porque é bem difícil limpar os caninhos (já a sondinha é descartável, uso e jogo fora, olha a praticidade!)
3. Ele é meio frágil, se o caninho arrebentar já era, que eu saiba não dá pra comprar à parte.

Na minha opinião, não compensa. Eu comprei o relactador e me arrependi. Acabo usando as sondinhas avulsas mesmo, especialmente pela impossibilidade (preguiça?) de ficar esterelizando a toda hora. E um dos caninhos já arrebentou, o que me deixou bem braba. Tá encostado, só uso quando as sondinhas acabam.

***

Recado: os bancos de leite, que fazem um trabalho incrível e importantíssimo, estão sempre precisando de frascos de vidro com tampa de plástico para armazenar leite. Doações são super benvindas! Entrem no site para endereços e mais informações.

***

Por fim, uma enquete (inspirada no último post da Ro):

Meninas amamentadeiras que tomam/tomaram Equilid: vocês engordaram ou tiveram dificuldade de emagrecer? Porque eu sigo engordando e tô cho-ca-da. Depois de tanto ouvir que "amamentar seca", tô frustradíssima com esse meu peso indecente, 9kg acima do ideal e subindo. Tô super querendo botar a culpa no Equilid (que há de ser o responsável pela fome de pedreiro que me acomete diariamente...). Vocês acham que procede?



quinta-feira, 21 de outubro de 2010

:: A cruzada láctea - dicas para aumentar o leite e engordar bebês magrelos


Baby Lucas não engordou nadinha no primeiro mês. Vi a história se repetindo, igualzinho como aconteceu com a Alice, e fiz o que deveria ter feito da primeira vez: fui procurar ajuda especializada. Fui conversar com uma pediatra especializada em problemas de amamentação, decidida a amamentar mais que os 5 meses que Alice mamou e sem ficar escrava de complementos, sondinha, Nan e etc. Queria engordar esse menino na raça e nos peitos. Conversamos e traçamos o seguinte objetivo: garantir o ganho de peso desse começo do jeito que der, e aos poucos parar a complementação até ficar só no peito.


Eis as orientações da médica:


Para aumentar o leite

-Amamentar, amamentar, amamentar. A demanda controla a produção, lembram?

- Banho quente: deixar a água quente correr nas peitas na hora do banho ajuda o leite a descer e aumenta a produção.

- Beber muito líquido: água, sucos, sopas, o tal chá-para-aumentar-o-leite (Chá da Mamãe, da Weleda). Eu nunca consegui me disciplinar pra beber tanto líquido, estão estou tentando tomar um copo a cada hora cheia. Contando horas de sono e esquecimentos, dá uns 12 copos por dia.

- Comer de 3 em 3 horas. De dia é fácil, o lance é fazer pelo menos uma boquinha de madrugada, pra evitar um período longo de jejum. E não adianta comer, sei lá, um pepino, que é pura água. Ter que ter sustância! A médica indicou frutas, bolacha, pão. Mas confesso que tenho preguiça de tudo o que gruda nos dentes e faz a escovação ficar mais demorada - quem tem saco de passar fio dental às 3h da manhã? Então nas madrugadas prefiro coisas mais molinhas e que sejam facilmente escováveis. Tenho curtido sopinhas de potinho Nestlé (infantil, eu?), que são gostosinhas, molengas e ainda rendem potes de vidro ótimos pra congelar leite (mas tem que levar um salzinho e azeite pra cabeceira, senão não rola).

- Bomba de tirar leite: usar após amamentar, de 2 a 4 vezes por dia. Eu aluguei uma bem boa, semi-profissional, e senti bastante diferença em relação às bombinhas elétricas portáteis. Quanto maior, mais potente o motor e mais confortável (e menos dolorida) é a retirada. Cabe dizer, pra quem nunca usou a bomba, que no começo é bem esquisito. O mamilo se estica todo, vai parar no Pólo Norte e volta (ai, eu queria muito ter inventado essa imagem, "o mamilo vai parar no Pólo Norte", porque é muito verdade! Mas quem disse isso foi a minha cunhada, acho. Ouvi o Carlos repetindo e amei!). Depois fica roxinho, coitado. É aflitivo, mas passa. Com alguns dias de uso a gente acostuma e nem liga mais. Acho a bomba uma ótima invenção, uma amigona do peito, com o perdão do trocadilho. Aluguei a minha na Leitefacil, e indico - eles são feras em amamentação e dão várias orientações bacanas.

- Remédios: Equilid e Motilium. Ambos servem para outras coisas, mas têm aumento de leite como efeito colateral. O Equilid é o mais bombástico, funciona mesmo. Ele é um antidepressivo/antipsicótico (ui!), tarja vermelha, comprado com retenção de receita médica. Fiquei meio cabreira, mas 3 médicos me disseram que, por um período curto, posso tomar sem medo. É ÓBVIO que ninguém vai sair tomando isso sem falar com um médico antes, tá?


Para engordar o bebê:

- Mamadas frequentes: intervalo máááximo de 4 horas de dia e 5 de madrugada. (Luquinhas à noite faz 6 horas, às vezes 7, e eu me re-cu-so a botar despertador para acordá-lo de 5 em 5. Esse tem sido meu maior pecado em relação às regrinhas da doutora...)

- Complementar (4 a 5 vezes por dia) usando a sondinha, como expliquei aqui (o processo chama-se translactação, ou amamentação mista, ou nutrição suplementar... nunca sei como chamar!). Dou uma mistura de Nan com leite materno na proporção que eu conseguir. Faço assim: ele mama uns 10, 15 minutos em um peito, uns 5 no outro e aí eu coloco o caninho. Dou metade do complemento e depois volto para o primeiro peito para ele mamar a outra metade. É importante deixar algumas mamadas sem a complementação, para o bebê não ficar mal acostumado e só aceitar o peito com a sonda.

- Evitar ao máximo chupetas e mamadeiras, que podem atrapalhar a amamentação.

- Dar 2 ml de TCM (a.k.a Triglicérides de Cadeia Média), 4 vezes ao dia. É um oleozinho engordativo e de fácil absorção que eu coloco junto com o complemento. 8ml diários aquivalem mais ou menos a uma mamada completa.


Por hora, tem funcionado. Senti que o leite aumentou, mas ainda não sustenta sozinho a amamentação. Imagino que o Lucas mame uns 60% do meu leite e 40% de Nan (Alice mamava uns 10% de leite materno e 90% de Nan, então já tô bem no lucro...). Espero que, quando ele ficar mais forte e sugar melhor, eu consiga diminuir bem a proporção de Nan.


Sobre a polêmica da concha: quando eu comentei que uso as conchas para recolher o leite que vaza durante a amamentação, algumas meninas me avisaram que esse leite deve ser descartado. Pelo que li nas instruções, é o seguinte: se a concha for usada durante o dia para conter vazamentos, e aquele leite fica ali por horas, deve sim ser descartado. Mas nesse uso mais rápido, apenas durante a amamentação, acho que não tem problema. A concha é lavada e esterelizada a cada uso, e o leite não fica mais que 15, 20 minutos dentro dela antes de ser usado ou congelado. Me parece seguro e nenhum médico nunca falou nada sobre isso quando comento sobre o uso da concha. Alguém aí sabe me dizer se posso continuar fazendo isso? Porque, nessa situação que a gente tá, cadê a coragem de desperdiçar esse leite todo, gente?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

:: Dossiê "Salvem as mamas das mammas", parte 4 - O problema hidráulico peitoral


(Dúvida: encher o blog de fotos de peitos é um método apelativo de alavancar a audiência?)


Chega um abençoado dia em que nossos mamilos cicatrizam e o inchaço dolorido do peito diminui, então a gente pensa que a partir de agora a amamentação será um mar de rosas. É quase isso - está mais pra um mar de leite. Entrei num pinga-pinga que não sei quanto pára, se é que pára. Minha experiência prévia não conta porque meio leite diminuiu muito quando Alice tinha um mês, mas dessa vez, com um uma séria de providências que ando tomando para aumentar a produção, a goteira está descontrolada. Os peitos pingam mais ou menos a cada duas horas, e durante a amamentação o peito livre se derrama tal qual as Cataratas do Iguaçu. Não sei se é assim mesmo ou se isso é resultado dessa minha cruzada láctea, então pergunto para as mães que amamentaram meses, semestres, anos a fio: uma hora pára, ou seguimos vazando até o fim da amamentação?


Bom, de qualquer maneira a dica aqui é bem básica: absorventes de peito, ué! Até tentei ser econômica e usar carefree dentro do sutiã, mas eles são perfumados e não é justo fazer meu filho lamber perfume por causa da minha pãodurice, correto?, então me conformei com os absorventes de seios mesmo. Durante as mamadas, uso conchas para recolher o leite e congelar para eventuais mamadeiras.

Naqueles primeiros dias em que os peitos assados não permitiam sutiã e muito menos absorventes (época das camisolas recortadas, lembram?), eu forrava a cama com uma toalha dobrada. Mas o pinga-pinga sempre no mesmo ponto acabava atravessando a toalha e molhando a cama, então somei à toalha aqueles absorventões gigantes que a gente usa no pós-parto pra conter a sangueira dos primeiros dias. Posicionava na altura dos mamilos, deitava de lado e pronto. Resolvi assim o problema da cama ensopada de manhã. Portanto, nada de pudor, tragam sim o pacotão de absorventes se a maternidade disponibilizar, mesmo se o sangramento já estiver acabando. Nunca se sabe quando um troço desses pode ser útil... (outro uso interessante: travesseirinho anti-golfada pra forrar o carrinho do bebê depois das mamadas. Hein, hein? Nunca testei, mas acabou de me ocorrer e estou me sentindo muito espertalhona e cheia de recursos, praticamente um McGyver de saias!)

Ah, cuidado com o deslocamento do absorvente dentro do sutiã, e prestem atenção pra onde o peito está apontando na hora de colocá-lo. No meu aniversário fui toda garbosa e cheia de finesse almoçar num restaurante bacanudo e lá cheguei com a blusa manchada, culpa de um desvio lateral imprevisto. Se você não quer ser a Garota Camiseta Molhada 2010, atenção com o leite que sai pela tangente, tá?

***

A propósito: semana que vem faremos o sorteio de uma blusa de amamentação da Via Láctea, fiquem atentas moças amamentadeiras!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

:: Dossiê "Salvem as mamas das mammas", parte 3 - O peito inchado


Apojadura. O nome é horroroso, mas causa é nobre.

Apojadura é a famosa "descida do leite". É aquele dia mágico que acontece uns dias depois do parto, em que você vai dormir Twiggy e acorda Sophia Loren.

Eu era assim...

...fiquei assim! (mas a cinturinha, quanta diferença...)


Parece bom, não? Mas como tudo tem seu preço, é bom mas é uma merda: desconfortável, e quente, e dói. Que fazer?

Vou listar tudo o que aprendi sobre o assunto, e vossos palpites são benvindos!


*A regra de ouro do peito amamentador é: quanto maior a demanda, maior a produção. Ou seja, quanto mais o bebê mamar (ou a mãe ordenhar), mais cheio ele fica, cedo ou tarde. Dê o peito com frequência e deixe o bebê determinar a produção, que se regulará em alguns dias. Cuidado com o uso de bombas, que aliviam na hora mas podem piorar a situação depois - a bomba faz seu corpo entender que precisa produzir mais do que precisa de fato.

*Cuidado também com banhos quentes - o calor estimula a produção. Nessa fase de peitos bombando é bom tomar banho morno pra frio.

*Quando o peito está muito cheio o bico fica esticado e duro, o que pode atrapalhar a pega do bebê. Tirar o excesso (ordenhando com as mãos) amacia a região e resolve o problema.

*Se o peito estiver encaroçado, uma massagem com movimentos circulares, de fora pra dentro, ajuda a liberar os dutos obstruídos.

*Alternar a posição das mamadas também ajuda, pois cada posição esvazia dutos diferentes, impedindo que o leite se acumule.

*Conchas de amamentação ajudam a drenar o excesso de leite - e também a formar o bico, no caso de mamilos chatos ou invertidos. Eu comecei usando a de base rígida mas ela me machucava justamente por "formar bico" num peito já bicudo o suficiente. Então eu prefiro as que têm base flexível, que apertam bem menos.

*Por fim: cuidado com abraços calorosos de amigos, que na melhor das intenções vêm dar os parabéns e amassam seus tão sensíveis peitos. E avise o marido: por mais tentadores e convidativos que eles pareçam, nada de fom-fom, porque DÓI. Aliás, a peitarola vira área proibida por um bom tempo, não? Mesmo quando a dor e o inchaço se resolvem, os peitos se concentram tanto na sua função láctea que basta OLHAR pra eles que o leite já esguicha. Recuperarão um dia sua função meramente recreativa? A ver, a ver.


(Nesse momento estamos falando daqueles primeiros dias, de peitos muito cheios e excesso de leite. Como agora estou vivendo a situação contrária - pouco leite e Lucas meio magrelinho - ainda vou fazer um post com dicas pra aumentar a produção e engordar bebês esbeltos. Aguardem.)

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

:: Confissão desnaturada


Amamentação em livre demanda, você é legal, mas eu te odeio.

Um beijo,

Mariana, suas olheiras, sua canela depilada e a outra peluda, suas unhas estragadas, seus posts pendentes e todos os jornais não lidos na últimas semanas.


(Pronto, passou.)


***

:: Baby Blues

Previsão de dias ensolarados, com pancadas de lágrimas ao cair da tarde.


***

:: Perdendo o bonde da história

Em que momento da história da civilização o Ursinho Puff virou Pooh, alguém me diz?

Só notei porque minha filha de 3 anos teve o topete de me corrigir.

- Quer ver o Puff, Li?
- É Pú, mãe!
- Puff, filha. Ursinho Puff.
- É Pú, mãe. - cara de fim de papo.

Vou conferir na caixinha do DVD. De fato, é Pooh. Nem Ursinho é mais, virou Pooh, apenas Pooh. Por quê, pra quê, desde quando?

A última vez que vi algo do tipo acontecer foi quando o chocolate Lollo virou Milkbar - e ninguém (repito: nin-guém) ficou feliz com a mudança. Depois foi o Puff. Agora estão tentando acabar com a Sininho e nos empurrar Tinkerbell goela abaixo. Seria a globalização dos ícones infantis, mundo? Pra quê, pra quê?? Soy contra! Memória afetiva é um troço serio demais pra se cutucar, pô!

Ou isso, ou estou virando uma conservadora.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

:: Dossiê "Salvem as mamas das mammas", parte 2 - O peito esfolado


Simbora e vamos à luta, mulherada amamentadeira!

Problema amamentício número 1, Os Mamilos Esfolados Vivos.

A primeira coisa é tentar evitar o esfolamento. Isso se dá de 2 maneiras: preparando os peitos antes de começar a amamentar, e garantindo que o bebê pegue o peito do modo certo.

Preparar os peitos é meio polêmico. Eu, sinceramente, não acredito muito nos efeitos dessa suposta preparação, pelo seguinte: na primeira gravidez eu tomei sol no peito, esfreguei com bucha, passei Lansinoh e gotas de colostro. Na segunda não fiz n-a-d-a. O resultado? Absolutamente o mesmo. Então acho que até vale preparar os peitos se isso te fizer sentir mais segura, mas a diferença não deve ser lá essas coisas (alguém discorda? Sentiu diferença? Dividam, please!)

Eu acho que o lance é se concentrar na pega. Isso sim faz diferença, e muita. A lição básica é: o bebê não pode pegar só o mamilo, precisa pegar o máximo de aréola possível. E eis um fato engraçado: eu sempre fui mega traumatizada com os meus mini peitos. Nunca consegui ter uma relação de amizade e respeito para com eles. Mas aí eu pari e na hora de amamentar só ouvi ma-ra-vi-lhas sobre eles. Aparentemente tenho peitos ótemos para amamentar: aréolas pequenas (que cabem inteiras na boca do baby) e mamilos espichadinhos. Mais ou menos assim, ó:

Como sou tímida, vou pegar emprestado o peito da desinibida Cléo Pires.
(Aproveito para dedicar esse peito pra Roberta. Alô Robertão, aquele abraço!)


O lance das aréolas é o seguinte: as gengivas do bebê são duras e a pegada é forte. As aréolas e mamilo são sensíveis, mas a pele ao redor não é tanto. Então, se a pressão da gengiva estiver na pele menos sensível, o estrago é menor - fora que é desse jeito que ele consegue ordenhar o leite pra dentro da boca. Aprendi que se os mamilos saem da boca do bebê em forma de panqueca, está tudo errado. A aréola toda precisa ficar achatadinha, não só os bicos. Aqui entra a famosa "boca de peixinho" - toda mãe que já amamentou cansou de ouvir essa expressão, aposto. Eu confesso que fico um pouco confusa porque sempre acho que a boca está de peixinho, ou seja, com os beicinhos pra fora formando um bico. Então o que vale é ser uma BOCONA de peixinho, bem aberta, e não só com as beiçolinhas pra fora. A pegada tem que ser enorme. É assim: se você enfiar um baita de um peitão boca adentro e achar que seu filho vai esgasgar (mas SEM ele engasgar, atenção!), é porque tá certo. Vale tentar aquela clássica "pinçada": você junta a pele com os dedos e entucha na boca dele o máximo de peito possível. O mamilo tem que ir parar praticamente nas amídalas do seu filho. Parece agressivo, mas é assim que é.


Bom, então tentamos evitar as fissuras assim. Mas se o problema já tiver se instalado, vamos lidar com ele com 4 estratégias.


1 - Pomadas milagrosas

Lansinoh é a famosa pomada de lanolina que ajuda a cicatrizar. Custa caro (é importada), mas funciona lindamente. Deve-se lambuzar os mamilos após cada mamada, e pronto. É bom deixar o peito arejar, mas caso a mãe queira colocar um absorvente de seios, vale lambuzar ele também, assim o peito fica livre de atritos e não gruda no absorvente.

- Peralá! Você quer que eu lambuze peitos E absorventes com uma pomada de mais de 100 contos? Pirou?

Não pirei, gente. A boa notícia é que agora existe um produto nacional e absolutamente idêntico no mercado, o Lanidrat. Deve custar uns 30 reais. E, de qualquer maneira, uma bisnaga de Lansinoh rende muito, dá pra lambuzar não só os peitos e absorventes, mas o corpo inteiro, que você ainda pode cobrir de purpurina e fazer uma dancinha sensual no poste pro maridão. E finda a fase de esfolação peitoral, ainda sobra pra doar pras colegas recém-amamentadeiras. Nada de economias, portanto.


2- Disquinhos salvadores


Mother Mates são disquinhos de hidrogel (oi?) que a gente coloca dentro do sutiã. Protegem do atrito, hidratam, refrescam (eu guardava na geladeira) e também ajudam muito a cicatrizar. Pra mim era o único jeito de colocar sutiã (e receber visitas com dignidade) nos primeiros 5 dias. Eu ganhei na maternidade, então não sei preço ou onde encontrar, mas também existe um nacional chamado Mamare que acho que é a mesmíssima coisa. Acho que isso não existia há 3 anos, quando eu tanto precisei...

3 - Posição da mamada

Mudar de posição faz com que o bebê pegue (leia-se "machuque" ) uma parte diferente do mamilo. Vale pra quem acha que é melhor duas feridinhas do que uma feridona - eu particularmente acho, de longe. Eu intercalava mamadas clássicas com a posição invertida (aquela do bebê embaixo do sovaco, explicada e ilustrada aqui).

4 - Ar

Ao mesmo tempo tratamento e condição sine qua non. Botar roupa em cima de mamilos fritinhos é o que há de desagradável. Negócio é encontrar a índia em você e andar com a peitarola ao vento.

- Ah sim, fosse eu uma kayapó morando na Amazônia seria fácil. E nesse frio da porra, comofas?

Pois é, deparei-me com essa questão. Quando Alice nasceu já era fim de inverno, eu ficava peladona numa ótima. Dessa vez tava um frio do cacete e andar pelada era inviável. A solução encontrada me valeu chacotas e quase custou meu casamento, mas eu recomendo: roupas picotadas. Resgate aquelas camisolas velhas e camisetas escangalhadas do fundo da gaveta, recorte duas rodelas no lugar dos peitos e voilá: ombros quentinhos e mamilos ao léu. E se o seu marido fizer algum comentário engraçadinho você pode esguichar leite na cara dele sem nem levantar a blusa. Praticidade é tudo.


Essas foram as minhas dicas, testadas e aprovadas - em uns 8 dias meus peitos estavam novos em folha. Nos comentários do primeiro post dessa série tem outras tantas, vale dar uma olhada. E fiquem à vontade pra dividir seus truques também, mammas. Lembrem-se: peitarola, unida, jamais fica caída! ("Caída" no sentido figurado, porque no literal, cedo ou tarde, a coisa cai mesmo...)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

:: Dossiê "Salvem as mamas das mammas" - introdução ao tema


Cai água daqui, dilata dali, empurra-empurra, e eis que a gente se vê com um pequetito todo amanteigado no colo. Enfia-lhe o mamilão na boca, chup-chup, e pronto: estamos cumprindo o destino de parideiras e vacasleiteiras que deus reservou pra gente. Lembrando que mamilão na boca + chup-chup é cena que vai se repetir in-fi-ni-ta-men-te nos próximos meses, então é bom a gente se entender com o processo desde o começo - a peitarola agradece.

Guardei na memória uma certa gastura dos primeiros dias de amamentação da Alice, e a coisa se repetiu dessa vez. Porque é assim: no começo, dói. Primeiro o bico do peito fica esfolado, depois com sanguinho pisado, e se a coisa se agravar ele racha, sangra e cai aos pedaços pelo chão. Felizmente esses peitos que carrego ficaram no estágio 2, o do sangue pisado, mas já é bem desagradável e só imaginar a continuação já me dá arrepio no estômago.

Alguns dias após o parto o leite desce, e os peitos inflam e esquentam e ganham veias esverdeadas. O decote fica uma loucura, mas again: dói. Os bicos ficam duros, o peito inchado e cheio de caroços doloridos. Aí a mãe anda, os peitos sacodem e o seu balançado é mais que um poema, é a coisa mais sensível e pesada e dolorida que eu já vi passar. (Bom, pelo menos essa é a minha experiência, enquanto criatura dotada de peitos pequenos e que nunca balançam exceto quando estão cheios de leite. Pra mim, portanto, peitões balangandãs são coisa rara e dolorosa, mas quem já se sacoleja desde priscas eras talvez não se incomode tanto...)

Por fim, passados mais uns dias, os peitos dão de formigar e vazar de tempos em tempos. Há que se saber lidar com essa hidráulica desregulada, que pode tornar a vida bastante inconveniente.

Portanto a problemática amamentícia, no que se refere aos peitos, tem 3 fases:

- o peito esfolado;
- o peito inchado;
- o peito com vazamento.

Atravessei cada etapa com relativo sucesso, então vim aqui dividir diquinhas com as amigas. Mas isso vai ser feito em etapas, porque tem um RN dormindo aqui em casa e todo mundo sabe que eu deveria estar dormindo também, e não blogando de modo suicida. Portanto, blogarei em doses homeopáticas, ok?

Aguardem os próximos capítulos.

(Ah, Alice sarou e agora ela até come! Sambalelê-skindô-skindô!)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

:: Pra relembrar


Recebi dia desses um email ótimo, e pedi autorização pra publicar aqui. Não é (só) pelo confete, mas para retomar um assunto importante e que pode ajudar mais gente. 

Ei-lo:

Olá Mari,

Sou a Laura, mãe da Nicole - www.fotolog.com.br/nicolebaraldi (...)

Bom, escrevo aqui pois ainda não sei como comentar no blog, mas gostaria de demonstrar minha gratidão por vc ter me ensinado algo mto importante na minha vida e na da Nicole, q foi o método da amamentação por translactação. Se não fosse pelo seu blog eu jamais saberia disso e muito provavelmente não teria conseguido ir tão longe com a amamentação. A Nicole nasceu com 2,5 kilos apenas e não tive mto leite, ela não engordava nada e eu fiquei em panico só de pensar em complementação, achando q ela rejeitaria o meu peito. Hj ela tem 5 meses, mama no peito bastante e ainda fazemos a translactação.
Muito Obrigada Mari! 

(...)

Laura 


(valeu Laura, fiquei muito feliz com o seu email e a sua história!)


Como o post sobre a amamentação mista é antigo e talvez a as novas leitoras não tenham visto, achei importante relembrar. Resumindo muito, ele ensina uma técnica que junta na mesma mamada o peito e a "mamadeira". Serve tanto para mães que precisam complementar mas não querem deixar de amamentar como para estimular a produção de leite em mães que adotaram. Me ajudou muito, ajudou a Laura, e espero que tenha ajudado mais um monte de mães por aí. Divulguem a técnica se conhecerem meninas passando por dificuldades na amamentação!

O post é esse. 


terça-feira, 2 de dezembro de 2008

:: Big Boobs?


(texto de novembro de 2007 - Alice tinha 2 meses e pouquinho)


Estou me sentindo um pouco enganada.

Pô, cadê o peitão???

Ninguém me avisou que o visual voluptuoso tinha uma validade tão curta. Eu tinha certeza que ostentaria air-bags durante toda a amamentação, mas a alegria durou pouco. 

É assim: primeiro os peitos ficam enormes e descontrolados, o que é ruim (leite esguichando sem aviso prévio) mas é bom (peitões de atriz pornô). Com um mês e pouco, vem a ordem e vão-se os peitos: o corpo aprende a produzir a quantidade exata para o apetite do bebê e a produção diminui, levando junto toda aquela opulência maternal. O que é bom (você se livra dos desmoralizantes absorventes de seios e pára de manchar de leite blusas queridas) mas é ruim (adeus decotes abusados). Como tudo na vida, é apenas uma questão de perspectiva.

Então meus dias de moça peituda foram poucos, mas bons. Porque quem me conhece sabe que me faltam certos predicados. Se juntar duas de mim não dá meia Pamela Anderson, peitoralmente falando.

Não que isso seja um problema. Já foi, mas está superado há muito tempo. Porque trauma de peito, convenhamos, é coisa de adolescente. À medida que a gente cresce cresce também a bunda, a barriga, o culote a sabedoria, e aí o peito se torna, literamente, o menor dos problemas. E depois, Carolina Ferraz fez por mim o que anos de análise não fariam, de forma que eu e meus dois pequenos peitos nos gostamos muito e somos felizes juntos.

Mas que eu estava gostando da idéia de ter peitões, isso eu estava. Pra variar um pouco, sabe? Fazer o gênero boazuda uma vez na vida. Foi divertido e deu pra ter idéia de como seria a vida com silicone.

Caso silicone vazasse de hora em hora, claro.


sexta-feira, 3 de outubro de 2008

:: Eu sou uma índia, sou filha da lua, sou filha do sol


(Lá vai um texto reciclado, de novo. Antes desse blog existir eu escrevia muito sobre gravidez e primeiros meses da Alice no No Scrubs - e quem lia já sabe que de vez em quando eu recupero umas coisas dali e boto aqui...

Esse é de outubro de 2007 - Alice tinha quase 2 meses.)  

 


Todo mundo sabe que peito de mãe não tem dono.

A gente passa a vida guardando os peitos dos olhares alheios (a.k.a. regulando mixaria) pra descobrir que, uma vez mãe, o peito cai na roda e se mostra para quem estiver por perto, sem respeitar raça, cor ou credo. Acontece que o peito fica à total disposição nossos filhos, na hora e local em que eles bem entenderem. Azar de quem não gostar - no caso, a proprietária do par em questão.

Comigo começou no pré-parto. A camisolinha semi-transparente do hospital não cobria nada, e dá-lhe visitas de boa sorte. Em vias de parir, a última coisa na minha cabeça era o fato de estar expondo os peitos pras visitas, até porque eu estava prestes a expor coisas bem mais íntimas para pessoas bem menos íntimas.

Quando Alice, com minutos de nascida, veio para o meu colo, veio junto a mão da enfermeira, sem a menor cerimônia (e se tem uma coisa que enfermeiras de hospital não podem ter é cerimônia), pra pegar meu mamilo enfiar na boca da pobre criança. Pronto, perdi os peitos, pensei.

De fato, eles viraram domínio público dali em diante. Precisando, saco a peitarola e faço o serviço onde for preciso. Alice nem sempre coopera e, bobinha, dá de não encontrar o mamilo nas horas mais embaraçosas, adiando por longos minutos a conveniente cobertura mamária proporcionada pelo cabeção.

Some-se isso ao fato de mamilos rachados precisarem de ar pra cicatrizar e inviabilizarem qualquer tentativa de se colocar uma blusa, e voilá: eu agora ando semi-desnuda pela casa, tal qual uma índia tupinambá. Na frente das visitas, inclusive. De vizinhos a amigos de infância, não escapou ninguém. Paguei peitinho na frente de amiga. Namorado de amiga. Pai de amiga. Amigo de irmão. E por aí vai.

É tipo calcinha da Britney Spears: só não viu quem não quis.


segunda-feira, 4 de agosto de 2008

:: Semana Mundial da Amamentação


Foi a Nani que me lembrou: estamos na semana mundial da amamentação! Então resolvi juntar o meu conhecimento acumulado sobre o assunto pra dar dicas aqui, mas veio a Ju, muito mais rápida e eficiente do que eu, e já publicou basicamente tudo o que se deve saber sobre o assunto. Passem lá e lá, djá!

Vou complementar com algumas outras coisinhas e depois contar uma pequena historinha sobre o assunto, ok?


1 – Lansinoh é uma pomada milagrosa à base de lanolina. É ótima para tratar bicos rachados, mas também pode ser usada para preparar os seios nos últimos meses da gravidez. Eu usei diariamente desde os 6 meses e o peito não rachou. É cara e não muito fácil de achar (Ju, vc sabe onde vende?), pois não é fabricada no Brasil. Uma busca na internet deve dar a dica de onde comprar na sua cidade. Ou aproveite aquele amigo viajando e peça pra trazer de fora – é fácil de encontrar e sai bem mais barato.


2 – Posições de mamada - Vale conhecer, aprender e dominar pelo menos duas, pelo seguinte: cada posição resulta em uma pegada diferente da boca do bebê no peito, então os machucados no bico, comuns na primeira semana, não se agravam tanto. Uma hora a boca pega mais embaixo, outra mais em cima, ou mais pro lado... trocando de peito e de posição, dá pra dar uma folga para cada machucadinho a cada 3 mamadas, caso seja necessário. Uma que funcionou pra mim foi a posição invertida - aquela pegada "jogador de rugby", na qual vc coloca o filho debaixo do sovaco (pobre!) e ele pega o peito pelo lado de fora, assim:

(Procurando um desenho, li que variar a posição também ajuda a esvaziar a mama, pois o bebê estimula diferentes dutos. Mais um benefício!)


3 - Nas primeiras semanas, faça uma estação de amamentação. Um canto bem confortável com água, livros, revistas, palavras cruzadas, sudoku... porque o tempo que você vai passar ali é quase inacreditável. É assim: no primeiro dia você estará amamentando e olhando para seu filho embasbacada. No segundo parece que vai morrer de tanto amor. No terceiro vai admirar cada dobrinha do rosto perfeito dele. No quinto, um pouco entediada, vai arrancar casquinhas da cabeça dele. No décimo você vai gritar por uma Marie Claire, pelamordedeus! (Eu tentei livros, mas é difícil se concentrar. Uma revista bobinha qualquer já ajuda a arejar um pouco...)


4 – Preparação dos peitos na gravidez - Como a Ju falou, sol e bucha. No meu caso, esfolar os peitos com a buchinha não era uma opção. Difícil contar isso aqui sem adentrar em detalhes íntimos, mas basicamente é o seguinte: na gravidez os mamilos pulam pra fora como minidedinhos e a impressão é que vão descolar e cair no chão a qualquer momento. Tenho uma aflição enorme de mamilos, e esfregá-los diariamente não era de forma alguma uma possibilidade. Então me sobrou o sol. Ok, parecia fácil e até divertido.

Segue então uma breve historinha da minha primeira e única tentativa de bronzeamento peitoral:


O Carlos viajou e eu fui ficar uns dias na casa dos meus pais (e minha casinha da vida inteira) pra matar a saudade, ser mimada e tomar horrores de sol – o quintal lá é mais reservado do que o de casa.

Eram umas 11 da manhã. Sentei-me na grama, levantei a blusa e puxei a calça de moletom até cobrir a barriga – a preguiça de passar protetor solar exigia tais cuidados, de modo que me encapotei toda deixando apenas a linha dos mamilos de fora. Até um chapéu de palha estilo Verão de 78 em Ibiza eu arranjei. Então eu estava ali sentadona, de chapelão, óculos de sol, peitolas de fora, muito digna, tomando meu solzinho. E aí vejo passar por mim um par de pés desconhecidos.

Acontece o seguinte: meu irmão é professor de yoga e dá aulas em casa, num salão no fundo do quintal. Óbvio que isso foi considerado por mim quando decidi fazer um embaraçoso topless no quintal, mas a aula tinha terminado às 10h30, portanto não haveria mais aluno nenhum pra testemunhar aquele triste espetáculo.

Isso era o que eu pensava, mas o fato é que passaram os tais pés, carregando uma moça com cara de assustada. Era uma aluna que tomava banho ali mesmo pra ir direto pro trabalho, o que explicava sua presença naquela hora. Cumprimentamo-nos cordialmente como se nada fosse, me cobri discretamente como se nada houvera e ficamos ali, 15 segundo de silêncio mortal, as duas tentando fazer crer que tomar sol de chapéu de palha, moletom até os peitos e mamilos de fora é algo absolutamente normal. Aí ela seguiu andando e, antes de chegar no portão, se virou e disse: Faz muito bem. Eu tomei bastante sol no peito e consegui amamentar até os 11 meses.

Oh God! Ela ainda foi fofa! Se eu não estivesse quase chorando de vergonha, teria perguntado se ela me emprestava a casa dela para as próximas sessões.


PS: Valeu meninas! Nani pelo toque e Ju por facilitar o trabalho ;)


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