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quinta-feira, 25 de abril de 2013

::Estar pronto é tudo


"Readiness is all", dizia o pancadinha do Hamlet (aquele que, como todos sabem, não tinha filhos. ¬¬)

Então, para encarar a maternidade, eu tento estar sempre pronta. Tento mesmo. Mas te digo, colega, que não há livro, blog, mãe, amiga, médico, lista nem revista que te prepare para isso:




"eu sou uma unha de filha que aponta para o alto e avante, lide com isso"


A sorte é que sempre tem alguém pronto, ufa! No meu caso, duas moças porretas que a blogosfera me apresentou e que são escaldadas no assunto - gente dessa turma que faz balé até a unha cair, sabe o tipinho? 

Thais e Fabíola, suas lindas, muitíssimo obrigada pelas dicas! Depois conto se sobrevivemos todos (mãe, filha, unha e blog) ao ocorrido e a essa foto absolutamente indecente que eu tive coragem de publicar... ;)


Update:

Com Alice acidentada e Lucas com febre (combo completo, why not?), desencanei da escola e promovi uma sessão de filme & pipoca no sofá, aproveitando para fazer um escalda-pés na mocinha - dica das bailarinas kamikazes citadas acima.

Agora, depois de uns 40 minutos imerso em água morna, sal e vinagre, o pézinho da Alice tem o seguinte aspecto:

mimoso, enrugadinho e com a unha cabisbaixa, bom sinal!


Fiquei toda prosa com a unha cabisbaixa, me achando uma mãe muito sucesso,  até perceber que o Lucas estava degustando as suas pipocas molhadinhas em água, sal e vinagre. Adivinhem?

Pois é. Esta é a minha vida, este é o meu clube. Depois eu digo que NUNCA vou estar totalmente pronta para os filhos e as pessoas acham que eu tô exagerando.




quarta-feira, 18 de julho de 2012

:: A coisa


Havia um objeto não identificado grudado no braço da minha filha. Um ponto marrom escuro, cascudinho e disforme. Visualizem um grão de ovomaltine - era exatamente assim. Tentei tirar: estava preso.


Casquinha de ferida? Carrapato? Uma pinta súbita e malévola?


Alice reclamou, não queria que eu mexesse. Chamei o pai.


- Que é isso?


Cara de dúvida. Não sabemos o que é. Eca.


- Tá grudado?

- Acho que tá, tô com aflição de tirar.


Fomos para a luz, olhei bem de pertinho, não consegui identificar. Era brilhoso, redondinho e encalombado. 


Pulga? Ovo de varejeira? Sangue pisado?  


Tento puxar de novo, não sai, ela dá um gritinho. A aflição aumenta, o nojinho aumenta. Alice vai ficando tensa. Eu não quero mais botar as mãos naquilo, então Carlos assume e eu fico pitacando, que é o que faço melhor nessa vida.


- Cuidado, tem que tirar com a cabeça! 

- Que cabeça?

- Se for carrapato tem que tirar inteiro, com a cabeça, senão infecciona!


Carlos pega um guardanapo ("vai que é cocô, né?"), pinça a coisa e dá um puxão certeiro. Alice faz AI. Pronto, saiu. Inteira, sem deixar cabeça ou outro rastro no bracinho da minha menina. Vou passar álcool, por via das dúvidas.


Sob um foco de luz, fazemos uma análise cuidadosa do material.


Sangue? Carrapato? Cocô? Verruga? Melanoma? Sanguessuga? 


Não, Brasil. 


Era um grão de ovomaltine.




quinta-feira, 3 de março de 2011

:: Sobre a vida selvagem



Quem tem um bebê em casa cria uma conexão instantânea com a mãe natureza. A vida vira um documentário da Discovery Channel, com aquele monte de mães e filhotes se enroscando pela selva. E sim, a selva agora é a sua casa. Welcome to the jungle!


Um bebê é um mini mamífero que fareja a mãe à distância e pega objetos com os pés feito um mico leão dourado. Tem aquele olhar abestalhado de cachorrinho pequeno tentando entender o mundo, e se mexe com a mesma descoordenação de um potro pernalta recém-nascido. Bebês franzem a fuça e dão botes com as boquinhas desdentadas, tentando abocanhar nosso nariz, ou mãos, ou joelhos.


Bebês guincham, grunhem, e às vezes ronronam esfregando a carinha na gente, coisa mais lindinha de deus. Maiorzinhos, os humanos filhotes sobem nos adultos quando eles deitam. Vêm escalando, se enroscando, e se instalam nos ombros, ou em cima da cabeça, feito um leãozinho que descansa desajeitadamente na cabeça da mãe.


Bebês inspiram em nós - orgulhosos portadores de tele-encéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor - os comportamentos mais primais. Exemplo: não há pessoa NO MUNDO que resista a dar uma boa cheirada na cabeça de um bebê. Sério, podem reparar: é só alguém pegar um bebezinho no colo que em algum momento vai rolar uma cafungadinha na cabeça. É sutil, inconsciente e incontrolável. Deve ter a ver com uma necessidade ancestral de reconhecimento pelo cheiro.

Outro exemplo: a gente sempre acha que os nossos bebês cheiram insuportavelmente bem, apesar de tudo de nojento que os cerca. Não há pai ou mãe que não se derreta até virar uma pocinha no chão com o cheirinho do filho, mesmo com chulézinho no cangote ou os cabelinhos molhados de suor. Pior é que a gente SABE que é futum, mas a mente não concorda. O que é isso, senão instinto de bicho dominando a nossa razão?



E o apelo irresistível das casquinhas de cabeça? Quem não AMA arrancar casquinhas? Ah, não sei vocês, mas eu amo. Não posso com uma cabeça cheia de crostinha - não me controlo, não me aguento, poderia passar hoooras futucando. Dá vontade de sair pela floresta, abraçar um chimpanzé e dizer, amigo, eu te entendo! (a diferença é que eles, os chimpanzés, comem as casquinhas, piolhos e o que mais se aproveitar da futucação, o que já é um pouco demais até pra mim...)


Pois é. Humanos, macacos ou leões, na hora em que a gente bota uma cria no mundo é que vira bicho pra valer. E finalmente entende que aquela velha piadinha que diz: "conheça a vida selvagem, tenha filhos!" é bem mais literal do que a gente podia supor.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

:: Do cocô radioativo


Cena 1:
Seu bebê bebe leitinho e faz cocôs fofinhos de doce de leite.

Cena 2:
Seu bebê come inocentes papinhas e você cai pra trás cambaleante cada vez que precisa trocar as fraldas dele.

Mané comidinha aos 6 meses, meu! Bebês só deveriam começar a comer no dia em que soubessem limpar os próprios traseiros.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

:: Por uma vida com menos sustos


Essa dica é para você, mamãe de primeira viagem (ou de segunda mas sem memória, como é meu caso...). Preste atenção que é coisa de máxima importância!

No dia em que o cocô do seu bebê aparecer povoado por uma cacetada de minúsculas minhoquinha pretas torcidinhas, lembre-se: antes de se desesperar e sair correndo & gritando & fazendo a louca; antes de pegar a câmera para tirar foto do cocô e mandar pro pediatra; antes de pensar em vermes lombrigas planárias oxiúros minhocas amebas asquelmintos nematodas e toda sorte de inquilinos intestinais; antes de tudo isso pare - PARE! - e pondere:

- Meu filho comeu banana nas últimas 24 horas?

Porque bananas, pasmem!, fazem aparecer no cocô minúsculas minhoquinhas pretas torcidinhas, que não são minhocas e sim filamentos bananais modificados por conta de algum mistério da digestão humana.

Ufa!

Menos um cabelo branco pra coleção, hein, mammas?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

:: Despiolhando Alice


Parece que Alice está enfim livre dos piolhos, e misteriosamente todo mundo aqui em casa escapou (um feito e tanto, considerando que ela dormiu na nossa cama algumas vezes na semana passada). É verdade que cocei-me loucamente nos últimos dias, mas era apenas piolho psicológico - que pega mesmo à distância, basta ler a palavra pra gente sair se coçando, né não?

A primeira coisa sobre piolhos (e isso vale pra todas as doenças do universo) é: resista ao Google Images. O Google Images só vai te mostrar fotos über nojentas e te deixar com uma gastura insuportável de mexer nos cabelos empesteados dos filhos. Um piolho é pior que o cão chupando manga (expressão mais nonsense ever, mas que eu amo!) e é melhor não vê-lo aumentado 10.000 vezes, como nas imagens que correm por aí. Sério.

Dito isso, vamos ao ataque. Graças ao bom deus ultrapassamos a era Neocid e hoje em dia já temos um bocado de recursos pra dar cabo dos bichos. Não vou citar produtos, melhor ver com o pediatra o que é mais indicado para cada caso. Prefiro deixar aqui uma dica valiosa da minha comadre e consultora de assuntos maternais, dona Tatá: o super pente fino Lolly. (Informações e onde comprar, aqui.)

O amigão aí em cima é tipo a Ferrari dos pentes finos. Tira piolho, lêndea, restos de ovos e até maus pensamentos da cabeça da gente. Tatá me contou que desencanou dos remédios e xampus e se virava só com ele. Ótima opção pra quem quer evitar esses venenos todos - eu que estou amamentando, por exemplo, fico meio tensa em usar produtos químicos.

O pente pode ser usado junto com outro método pra garantir limpeza total, mas parece que mesmo sozinho, passado diariamente, funciona tanto ou mais que xampus e cia. Alice já estava usando um xampu quando o comprei, então não posso dizer como ele funcionaria sozinho, mas comparei com o pente fino normal (aquele de plástico que vem com o xampu) e a diferença é enorme - ele tirou bem mais caquinhas do que o outro, que tem espaços maiores e dentes mais frouxos, então não prende direito as lêndeas. Fora que é bom pra usar em caso de dúvida - melhor que passar um xampu cheio de veneno à toa, certo? Na verdade, ele é bom para tirar qualquer dúvida, porque se houver algum sinal do bicho ele entrega.

É caro (paguei 26 reais), mas acho que é uma peça meio básica do enxoval mamãe-filhinho, já que todo filho com certeza já teve, tem ou terá piolhos em algum momento de sua vidinha cheia de escola e amigos e parasitas compartilhados. E há de durar forever, então no fim das contas fica mais barato que uma vida inteira de xampus antipiolho. Super recomendo!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

:: Nojinho


Ai caceta, Alice está com piolho!

Deus do Céu!

Vou ali me refazer do susto (e fazer um coque bem apertadinho na minha própria cabeleira) e já volto.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

:: Limpeza de umbigo


Olha como a natureza é sabia: antecipando a dificuldade que as mamães têm com a limpeza do umbigo de seus rebentos, faz a grávida lidar com o próprio umbigo antes, pra ir treinando.

O meu umbigo, por exemplo, está me assustando. Um dia ele foi um buraquinho facilmente futucável, sempre limpinho e discreto. Hoje está metade-pra-fora-metade-pra-dentro, fechadinho feito olho de japonês e só é visível com a ajuda de um espelho e um bom foco de luz. E está sujo, coitado. Imaginem 9 meses de hidratante e óleo de banho na barriga, somem uma dose de gelzinho de ultrassom por mês, e pensem no estado do pobre a essa altura do campeonato. Sim, é nojento. Sim, ele está lamentavelmente recheado de caquinhas diversas. Eu tento limpar, mas o acesso tá complicado.

Raciocinem comigo: tenho a inglória tarefa de limpar um umbigo encardido, saliente e cheio de cantinhos ocultos, o que me obriga a futucar aflitivamente com um cotonete, doa a quem doer. Familiar, não?

Como pior que isso não pode ficar, que venha o coto de umbiguinho preto grudado na pancinha do filhote. Depois de lidar com o meu próprio umbigo, sinto-me preparada pra tudo!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

:: Como escolher o pai da criança


Amiga, comadre, mulher que não ingressou no mundo da maternidade: talvez um dia você decida ter um filho. E aí vai ver que quase tão importante quanto essa decisão é escolher quem será o afortunado pai da criança.

Há quem queira considerar os dotes genéticos do rapaz. O bom pai é saudável, inteligente, forte, másculo e bom cozinheiro, no mínimo. Mas ai, sei não... há algo de nazista nessa coisa de "seleção de genes", acho a idéia pouco romântica e no fundo o que importa mesmo é achar um cara legalzão e que te faça dar boas risadas todos os dias. Se vier saudável e bonitão, tamos no lucro, né não? E depois, pense comigo: como é que eu, minha miopia, meu prolapso da válvula mitral, meus ovários policísticos, minhas pernas tortas e meu metro e cinquenta e oito vão exigir a perfeição genética do macho reprodutor? Meio injusto, né? Então o bom pai é o cara que eu amo, e se eu amo é porque ele tem as qualidades que eu considero importantes, e que meus filhos vão herdar gloriosamente, oxalá!

De qualquer maneira, o critério para a escolha do pai que quero tratar aqui nem se refere ao pai propriamente dito, mas sim a você, futura mamãe! Porque a questão crucial é: o quão à vontade você se sente com esse homem, amiga? Qual o grau de liberdade, intimidade, cumplicidade de vocês? E sobretudo: o quão à vontade você está para
liberar gases na frente dele?

Isso sim é importante.

Porque essas mulheres grávidas, vou te contar, viu?






(E daí em diante é ladeira abaixo...)


quinta-feira, 9 de julho de 2009

:: Missão Penico


Li essa semana esse post da Roberta em que ela narra o delicioso (ha!) primeiro cocô no penico da Luísa. 

Achei deveras inspirador. Sério. Luísa e Alice têm a mesma idade e estão em fases muito parecidas. Já até comentei com a Roberta o quanto eu me identifico com os posts que ela escreve e como vários assuntos que li no blog dela estavam na minha "to-do list", de modo que me dava até um certo medo de ela me achar uma plagiadora descarada.

Enfim, o fato é que Luísa fez cocô no penico e pensei, "por que não?". Eu estava decidida a só pensar no desfralde quando voltasse pro Brasil, no mês  que vem. Porque o apê aqui é alugado e acarpetado, no way, né? Mas li o post, fiquei empolgada e pensei que já está mais que na hora de o penico ser de fato um penico, e não um chapéu ou uma piscina para os patinhos de borracha. Então, quando Alice veio com aquele papo xixi-cocô  que lhe é habitual eu mostrei o penico e disse, quer tirar a fralda e fazer seu cocô aqui? Ela topou - mas tinha que ser na sala. Levamos o bendito pra sala, ela sentou e shhhhhhh. O shhhh foi com a boca, infelizmente. Pois ela levantou sem ter feito nada e saiu andando pelada pela sala, pra meu horror (ai, o tapete branco do monsieur dono-da-casa! Ai, o chão antigo de tacos! Ai, o sofá!). Ela andava feito pato, meio trançando as pernas, e apontava para os brinquedos, "ó!, a vaca, a girafa, o pocotó!", e meu horror aumentava porque eu sei que quando ela fica assim disfarçando é cocô na certa, e dos bons (...ai, a parede branquinha! Ai, as cortinas!...). Eu tentei convencê-la a sentar de novo, mas ela estava naquelas de mudar de assunto e fingir que estava tudo super normal - e de fato estava, se a gente considerar que bebês, como os cavalos, fazem cocô de pé com a maior naturalidade. "Ó a zebra, ó o ptómne (hipopótamo)", e ela ia desfraldando toda a fauna que habita a nossa sala, até que pluft. Cocô. A sorte é que meu pai, velho de guerra, em vez de panicar ficou de butuca atrás dela. E a cada passinho da Alice ele empurrava o penico, de modo que na ocasião da liberação do cocô ele (o penico, não meu pai) estava convenientemente instalado debaixo da bundica dela. E voilá: primeiro cocô no penico. Involuntário, é verdade - mas não se pode querer tudo assim de primeira.

Quando viu a obra ela repetiu aquela performance ridícula do primeiro cocô, gritou de susto e tentou fugir, mas comemoramos e aplaudimos tanto que ela mudou de idéia, se apegou ao novo amigo e ficou toda orgulhosa. Levou o penico pra papai ver, depois fomos todos juntos dar tchau-e-beijo pro cocô. 

E (sim, Roberta!) eu fiquei emocionada! Não chorei, mas quase. Fosse um tantinho mais pra lá, bem no tapete branco do moço, e certeza que eu teria desabado em lágrimas.



* Dedicamos esse cocô à Ro e Luísa, pelo exemplo inspirador ;-) *

terça-feira, 26 de maio de 2009

:: Alice e o cocô


*post escatológico que pode impressionar os mais sensíveis (se é que existe alguma mãe que, a essa altura da vida, ainda se impressione com cocô...)*


Alice finalmente foi apresentada ao próprio cocô. Apresentada formalmente, digamos assim.

Ela tinha tomado banho e ficou brincando pelada na banheira vazia, estava calor e ela ama ficar lá peladona mexendo no chuveirinho ou espiando pra dentro do ralo. E aí me chama e diz sorridente que fez cocô. Fui conferir - porque às vezes ela anuncia equivocadamente e eu não tenho ainda certeza que ela sabe a diferença entre cocô e xixi -  e de fato lá estava ele, bonito e saudável, se é que eu posso falar assim de um cocô. Eu falei pra ela, não mexe que eu vou pegar um papel pra tirar o cocô daí, tá?, com medo dela ir lá futucar, ou comer, sei lá, bebês são estranhos, enquanto eu pegava o papel. 

Mas ela não futucou, nem comeu. Ela olhou pra ele e deu um grito alto de horror. Aí estendeu os braços em minha direção e chorou e gritou, apavorada, como que implorando pra eu tirá-la dali correndo porque ela estava com muito muito muito medo daquilo.

Daquilo.

E só aí eu me dei conta que Alice nunca tinha visto um cocô na vida. E portanto, nunca associou o ato - fazer cocô - ao produto - cocô - de modo que aquilo, aquela coisa, ter aparecido do lado dela numa banheira vazia há de ter sido um susto tremendo. 

Resgatei a pequena da banheira, limpei e achei por bem fazer a apresentação, Alice, cocô, cocô, Alice, porque eles hão de se encontrar muito ainda nessa vida, sobretudo quando for a hora de desfraldar a moça. Apresentação feita, fomos juntas levá-lo para a privada e demos tchau, cocô! enquanto ele era levado pela água, e ela ainda lançou-lhe um beijinho antes de ele sumir pelo cano. 



segunda-feira, 3 de novembro de 2008

:: Medinho inconfesso 2


Continuando o post abaixo (após uma pausa dramática picareta): o papo não terminou ali, claro. A conversa seguiu tranquilizadora. Doutor me explicou que faz-se uma lavagenzinha básica pra evitar acidentes, e assunto resolvido. E ainda disse que, de qualquer maneira, na hora isso não tem a menor importância. Como assim, doutor??? Como não tem importância eu fazer cocô na frente do meu marido - e da filmadora do meu marido - num momento sublime como esse? Corta clima total, não pode. Vamos caprichar nessa lavagem, ok?

Então, no dia do parto, rolou a tal lavagem - que na verdade é um supositório laxante que dá uma descarregada geral, a gente fica limpinha e pronta pra ir à luta, sem medo de expelir nada além do nosso bebê fofinho. Só que o meu parto acabou sendo meio rápido e o laxante não tinha acabado de cumprir sua função. Digamos que 90% do assunto estava resolvido, mas os 10% restantes deram as caras naquele empurra-empurra todo. Na frente do Carlos, da câmera e de quem mais quisesse ver, a sala do parto estava uma verdadeira festa. Céus! Meu pesadelo escatológico se concretizou!

E, quer saber? Caguei, literalmente (dúvida: posso falar palavrão nesse blog?). Doutor tinha razão: realmente, não fez A MENOR DIFERENÇA. Juro. Na hora é só um detalhe, tão pequeno e tão bobo perto de tudo que está acontecendo que a gente mal se dá conta - até porque as enfermeiras ficam ali de butuca e dão sumiço na prova do crime rapidinho. Acho que meu marido, que estava na sala o tempo todo, nem ficou sabendo do ocorrido (vai saber agora, oh god!). E o vídeo do parto não dá bandeira nenhuma. A verdade é que se eu não estivesse, nesse exato momento, lançando no infinito universo on-line que eu fiz cocô no parto, ninguém ficaria sabendo. Haha.

Pois eu fiz - pronto, falei. E tô aqui, toda pomposa. Alice tá aqui, toda linda. Meu marido continua me amando, e meu médico continua me aceitando como paciente, e tá tudo muito bem. Passei pela experiênca que julgava ser a mais desmoralizante possível em uma vida humana e a conseqüência foi zero. 


Acho que a moral da história é que depois de virar mãe a gente relativiza a importância das coisas e o nosso limite do que é moralmente aceitável fica muito mais flexível. Ser mãe te joga imediatamente num patamar superior, divino e acima do bem e do mal, em que esse tipo de preocupação vira uma futilidade pequena e mundana. Resumindo: mãe pode. 

Ou:

Ser mãe te joga, sem pára-quedas, no universo das nojeiras, num mundo de cocô e baba e regurgitos que vêm sem aviso nas horas e locais mais inapropriados, de modo que fazer cocô no parto é apenas um pequeno ritual de boas vindas que diz: olá, agora você é mamãe, bem vinda, e trate já de limpar essa sujeira!



Escolham a linha filosófica que mais lhes aprouver.


 

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

:: Medinho universal (e não-confesso) do parto


Mulher nenhuma fala disso abertamente, mas se você juntar duas grávidas num cantinho discreto a questão surge, certeza. 


Eu, grávida, tive que perguntar.

 

Respirei fundo e mandei, na lata:

 

- Mas doutor... a mulher tá lá, fazendo força... ("A Mulher". Assim, bem genérico. Não tive o despudor de me colocar na cena. Você também não teria, aposto.) ...a mulher tá lá, fazendo força, pernão aberto... me diz: ela não faz cocô, não?

 

- Faz (CÉUS! HORROR, HORROR!). E xixi também.

 

 

Por que ninguém nunca mostrou isso nos filmes, por quê???

 

 

terça-feira, 7 de outubro de 2008

:: Dos choros, dos cheiros 2


Sobre ontem à noite: a babá era uma fofa, Alice comportou-se como um anjinho barroco e eu tive sim uma noite gloriosa. Mas não foi por isso que eu quis retomar o post de ontem. Foi pra fazer um mea-culpa com a história do pum, dos cheiros, dos franceses e etc. Quero me retratar, porque ficar fazendo piada sobre hábitos de higiene deles é muito mal educado e bobo da minha parte. Pum é pum em qualquer lugar, e o dos franceses não é pior nem mais freqüente que o dos brasileiros. É verdade que aqui rola um cecê brabo, bem mais que no Brasil – e isso não é tentativa de piada nem nada, é fato indiscutível – mas é tudo uma questão de hábito, cultura e clima. Se o Brasil fosse frio, e se tivéssemos passado por guerras, sofrido racionamento e tal, seríamos mais econômicos nos banhos, aposto.

E depois, os 29 anos caíram sobre meus ombros feito aquelas bigornas da ACME, e resolvi que viverei o último dos meus vinte anos com mais dignidade e sem ficar falando de pum e outras escatologias feito um moleque de 5 anos, que ofende o coleguinha dizendo seu  cocozildo, cara de pum!, e depois morre de rir.

Pronto, era isso.


Opa, mas esse é um blog de mãe, preciso fazer esse post ficar pelo menos um pouco maternal!

Pois bem. Quem é a santa que vai me dar a dica pra resolver o cheiro do lixo de fraldas da Alice? Porque o lixo está uma coisa pavorosa, o cheiro gruda e não adianta lavar nem trocar os sacos várias vezes que ele não desgruda. O banheiro inteiro começou a feder por causa do maldito lixo, alguém conhece uma solução pra isso?


quinta-feira, 29 de maio de 2008

:: Das caquinhas

Existe todo um universo de nojices que a gente só descobre quando vira mãe. Na verdade a gente conhece enquanto é filho, mas só aprendemos a apreciá-lo devidamente quando mudamos de papel: se antes eu dizia “ai mãããe, nhé, que nojento, pára!”, com caretas e tudo mais, hoje sou eu que agarro a Alice e faço toda sorte de coisas nojentas com ela. Nojentas pros outros, claro, porque pra mim é sempre um prazer.

Não precisei nem de uma semana como mãe pra fazer a nojice materna mor: limpar a carinha dela com cuspe. Opa, uma sujeirinha aqui – e dá-lhe lamber o dedo e esfregar a bochecha dela até sair. Isso me enlouquecia quando eu era pequena, mas com a Alice é irresistível.

Outra coisa mais forte do que eu é tirar meleca do nariz dela. Porque a meleca tá toda ali, na portinha, pedindo pra ser pinçada pra fora. Mãe que é mãe pinça, sem a menor cerimônia. E com os dedos, se preciso for. E limpa cocô. E enxuga vomitinho azedo. Remela, xixi, baba – se minha filha fez, eu pego sem problema nenhum. Eu, que sempre fui fresquíssima. Eu, que até ontem tinha ânsia de vômito pra limpar cocô de cachorrinho salsicha. Eu, que jurava de pés juntos que nunca iria virar aquele tipo de mãe, que lambe o dedo pra limpar a cara do filho e pega meleca de nariz.

Nem é tanto essa mudança de comportamento que me choca. Afinal, todo mundo vivia me dizendo que ser mãe muda a gente. O que realmente assusta é me dar conta que estou me transformando na minha própria mãe.

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