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terça-feira, 3 de novembro de 2009

:: Sobre feriados e separações


Esse feriado foi tipo pizza: delicioso, engordante e meio a meio: meio paulistano meio interiorano, meio com Alice meio sem.

A pequena foi-se com os avós para Águas de Lindóia na sexta e combinamos de encontrá-los lá no domingo pra passar o restinho dos dias.

Primeira viagem da Alice sem a gente, céus! Posso dizer aqui que me diverti HORRORES sem ela, ou pega mal?

Ah, me diverti pencas, falo mesmo! Imaginem mamãe livin' la vida loca! Agora encaretem um pouco (haha), agora mais um pouquinho (eita!), e pronto, sou eu. Tirei o atraso de tudo nessa vida. Peguei maridão só pra mim, tomei sol deitada na grama, li por hoooras sem ser interrompida. Comi fora de hora. Fiz dia da beleza, com todas as frescurinhas merecidas. Vi o episódio longa-metragem de House. Fui pro bar, enchi a cara de torresmo (heavy drugs!) e tomei um pilequinho de dry martini, coisa que queria ter feito desde o meu aniversário, acho que combina bem com essa coisa de se ter 30 anos (o dry martini, não o pileque).

Enfim, 2 dias adultos e muito bem aproveitados. E quando chegamos no hotel na manhã de domingo parecia que a gente não se via há meses: Alice veio correndo e dando gritos agudinhos de alegria, e a gente fez praticamente a mesma coisa cá do nosso lado, e ficamos nos amando muito nos dias seguintes, de modo que a saudade só nos fez bem. E aí foi só alegria: ela nadou feito doida, distribuiu beijos, brincou de barra manteiga com as crianças maiores (correndo e rindo e dando tchauzinho pra gente ao mesmo tempo, tipo miss apostando corrida) e ainda foi introduzida ao pebolim arte, testemunhando a belíssima vitória de mamãe e titia sobre papai e vovô - o que para a formação de um conceito de feminilidade forte e viril é muito importante, eu acho. 

Então o feriado foi assim: bom sem ela, e depois bom com ela, e foi tudo lindo. Teria sido perfeito se domingo não fosse a noite do Baile do Havaí na cidade. E o clube não ficasse em frente à nossa janela. E a banda não tocasse axé, o cantor não gritasse u-hú!, o repertório não incluísse toda a discografia do Jammil e Uma Noites e o som não tivesse sido desligado às 5h da manhã. 

Mas voltando ao que importa: acho que aqui em casa estamos cada vez mais à vontade com essas pequenas separações, que têm sido tranquilas e valido a pena pra todo mundo. O mais difícil, pra mim, é botar a culpa de lado e admitir que uns dias sem bebê por perto caem muito bem. Mas estamos trabalhando nisso. Mais alguns feriados assim e eu fico craque em despachamento de filhos por períodos curtos.


(E assim vejo cair mais uma certeza que eu tinha antes de se mãe: "imagina se eu vou aquela mãe que manda os filhos pra colônia de férias pra ter folga dele por um mês. Nunca, jamais!"... haha! Tá, um mês é muito, mas uns 15 dias tá de bom tamanho, vai? Os outros 15 eu passo lá com eles, pode ser?)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

:: De volta


Há um bocado de dias a gente fez as 14 mil malas, esvaziou o apê, deu tchau pros amigos, chorou rios de lágrimas, entrou numa avião e veio dar em São Paulo, pra ficar.


(Considerações sobre a partida:

1- é vergonhosa a quantidade de coisas que se pode acumular em um ano.
2- despedidas acabam comigo, destroçam até o fundo da alma. Não aprendi a dizer adeus, como diria o grande poeta Leonardo, ou Leandro, ou Xororó, sei lá.
3- carregar um bebê desajeitadamente e com ar desesperado aumenta dramaticamente a chance dos funcionários do check in fazerem vista grossa para o seu excesso indecente de bagagem, fica a dica.)


Aí a gente chegou, deu aquela espiadinha na marginal Tietê e chorou mais um pouquinho encontrou a família reunida e pão de queijo quentinho na mesa, e tudo ficou bem. Era hora então de botar ordem na casa e tocar a vida.

Isso foi dia 31 de julho - e eu estou tentando botar ordem na casa até agora. Tinha prometido a mim mesma: nada de blogagem, emails longos ou passeios internéticos até eu arrumar bonitinho o quarto da Alice, meu guarda roupa e o banheiro, no mínimo. Depois resolvi deixar pra lá, haja visto que nem desfazer todas as malas eu consegui em 2 semanas. Fosse levar a promessa a sério, esse blog ficaria congelado até 2012. 

Então acho que eu voltei. Ainda um pouco atrapalhada e com uma preguiça horrorosa, mas voltei. E voltei de corpo presente, hein, mamães de Sampa? Louca pra redescobrir essa cidade e apresentá-la pra Alice, agora que ela já é uma pessoinha socialmente interativa. Quem se habilita?

(Ah, também aceito ajuda na arrumação do armário, se alguém se interessar...)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

:: Viajando sem bebê - ou "Amor, acho que esquecemos de trazer alguma coisa..."


Eu prometi contar sobre a nossa primeira viagem sem Alice, mas a verdade é que foi tudo tããão tranquilo que é até um certo anticlímax vir aqui pra dizer: ah, foi tudo bem, ué. Mas aí lembro que tudo bem na impensável equação que envolve "meu filho lá e eu aqui" é algo enorme e que merece ser contado - mesmo que não tenha assim grandes emoções.

Pois bem: Fomos. Meus pais estão aqui em Paris e Alice ficou com eles. Viajamos quarta, voltamos sexta cedo e ela mal se deu conta ficou bem. Pra gente é que foi esquisito viajar sem nenê, carrinho, cadeirinha, fraldas, brinquedos, livrinhos, mamadeiras, comida de bebê... a bagagem era tão leve que parecia que estávamos indo dormir na casa do vizinho. 

Mais esquisito ainda: fizemos programas de adulto, gente! Teatro, restaurante, passeios sem rumo e sem hora pra acabar. E acordar tarde e ficar enrolandinho pra levantar (alguém lembra como era isso?)? Sensacional! A saudade foi administrável e o skype manteve acesa a chama da paixão (porque acho que não tem pai e mãe de bebê que viaje sem o medinho de ser esquecido pelo filho...). 

Aí a gente voltou, agarrou um bocado a Alice, ela ficou um pouco (pouco mesmo) colentinha e manhosa por um dia ou dois, e pronto. Sobrevivemos todos. Foi bem mais fácil e indolor do que eu tinha imaginado, e acho que esse climinha de lua-de-mel faz muito bem pra casais com filhos pequenos, porque bobeou a gente acaba perdendo o foco no outro e vira só pai-e-mãe. Enfim, recomendo muito - e tô louca pra repetir. 

terça-feira, 9 de junho de 2009

:: Sobre Barcelona e outros planetas


Eu vou resumir assim:

Barcelona, sol, calor. Domingo, último dia. Feijuca delícia na casa do Astronauta.

E lá, os pais do Astronauta, Flá e Uri (tá, in loco eu fiquei tímida e chamava de Flávia mesmo, assim respeitosamente. Mas passadas algumas horas e muitos pensamentos carinhosos, mesmo que a distância, já me sinto íntima. Virou Flá e pronto.). Gente da melhor categoria, sabe? Acolhedores carinhosos, simpáticos. Clima ótimo. Casa linda. Bom gosto geral. Trilha sonora impecável - e se você ainda tem alguma dúvida das suas afinidades com alguém, o gosto musical decide. Não que ali houvesse muita dúvida, mas aí tocou Chico, Caetano, Nina Simone, Lenine, e a música que define a minha gravidez, "As coisas tão mais lindas" da Cássia Eller. E teve até Maceo Parker tocando "Let's get it on". E então viramos amigos de infância, porque quem ouve Maceo comigo vira amigo de infância - quem me conhece sabe.

E aí teve a Maricotinha, que de inha não tem nada. Mulherão, vozeirão, cabelão, e um barrigão lindo e pontudo onde mora a Ana. E nada gorda, como um dia sugeriu a matrona dela (apesar de que se houvesse lógica nesse mundo ela seria, porque faz um tiramisu de matar de bom). Alice, que anda encantada com barrigas grávidas (e não grávidas também, pra ser sincera), adorou a barriga da Mari. Botou a mãozinha com cuidado, disse que ali tinha um nenê, depois disse que ela também tinha um nenê na barriga, ó!, e está até agora com a mania de botar a minha mão na própria barriga dizendo, põe a mão, mamãe, nenê!, assim como fez no domingo com a Mari. E sentou o quanto pôde no colo dela, com todo cuidado pra não amassar a Ana. Acho que se gostaram muito, as duas. As três.

 

E teve, claro, João. O mito, a lenda, o famoso Astronauta. Todo empinadinho e importante do alto dos seus o quê? 70, 80 centímetros? El macho ibérico, jogando charme, atirando bolas e exibindo toda a sua virilidade. Uma coisa, o João. Lindo, bronzeado e sorridente quando não está bravo - e ele fica muito bravo também, porque é todo decidido e não gosta de ser contrariado. Quem gosta?


   

E aí teve coca-cola, e croquettas, e pica-picas (mas tudo com muita decência). Preta, a cã, abanando rabo e lambendo os pequenos e ganhando beijos. E piscininha de plástico. E, pela boa tradição barceloneta, o momento nudistas ao sol.  

Pois João striptou-se. Arrancou a fralda e mostrou os documentos. E Alice ficou p-a-s-s-a-d-a. Baixou os olhos e deu aquela espiada compriiiida, com cara de dúvida. Não fosse tão fina com essa educação parisiense, teria apontado o dedo e perguntado, o que é? 

Porque um pinto é uma novidade suprema na vida dela. Ela não tem. As bonecas, gatinhos, cachorrinhos, ursos, corujas de pelúcia também não têm. Eu não tenho. Papai tem (ufa!) mas acho que ela nunca viu - e se viu não associou, porque né?, há toda uma diferença.

Mas João, pasmem!, João tem. João, um nenê como ela. Mesma altura, mesmos interesses, mesmo papo (com outro sotaque, vá lá), mesmo tudo. Mas com pinto. E assim caiu mais um paradigma da Alice, acho. Não somos todos iguais, filha, viu? Essa é a graça da vida. 

Pois ela achou tanta graça que ficou louca por ele. E como nudez é uma coisa íntima, cúmplice e aproximadora (já avisei que ser mãe me encaretou, não já? Então), ela entrou no jogo e também ficou peladinha.  Aí ficaram os dois ali, como vieram ao mundo (e faz tão pouco tempo!), curtindo a piscina. Ainda brincaram e correram e trocaram batatinhas e se trancaram no banheiro - mas aí tudo tem limite e era hora de botar a fralda de volta, rá!


O pinto foi suprimido para preservar a intimidade do nosso herói, mas estava lá. Eu vi. E Alice também, notem.


Pena que passou rápido demais. Quando deixamos a casa do Astronauta para irmos para o aeroporto, Alice estava num bom humor que raras vezes vi. Então ela cantou por uns 20 minutos dentro do táxi, uma canção inventada na hora e que tinha palmas no refrão. E cantou e riu e requebrou um pouco, doidinha e feliz. Acho que foi a piscina, a barriga, as croquettas, a Preta e o João que deixaram ela assim. Meio bêbada, sabe? Un poco borracha de alegría. Embriagada de amor pelo mundo do Astronauta.

quarta-feira, 18 de março de 2009

:: Malas


Depois de muitos dias lendo cardápios em alemão e tcheco (e ouvindo todas as piadinhas existentes com a palavra "tcheca", naturalmente), cá estou de volta a Paris, e finalmente me sentindo alfabetizada de novo. Aliás, eu subitamente virei PhD em francês, igualzinho ao que aconteceu com o inglês quando cheguei aqui: em 2 dias eu percebi que master domino o inglês, ha! Referência é tudo.


Daí que a Karenina pediu dicas para viagens com o pequenos. Sobre avião, já escrevi aqui. Viagem de carro a Ju comentou ali. Então vou falar da preparação para a viagem, que foi a parte que deu errado dessa vez. 

Pois bem: as malas. Sabe aquele truque clássico da Glória Kalil, separe as roupas para a mala, agora tire metade, e é isso o que você realmente vai usar? É um truque ótimo, mas pra bebês funciona diferente: separe as roupas para a mala, agora DOBRE a quantidade de roupas, é pelo menos isso que o seu bebê vai sujar. 

Especialmente se seu bebê, como Alice, está naquela fase de comer sozinho. Olha mamãe, sozinha! - e enfia a colher de ponta cabeça goela adentro. Um terror. Então leve todas as roupinhas que couberem na mala, e ainda conte com lavar uma ou outra na pia do hotel de vez em quando - a sorte é que miniroupas secam megarápido. 

Importante: na hora da refeição, tire casaquinhos e afins e deixe só a camisetinha de baixo, que há de ser mais baratinha e secar mas rápido, se for o caso. E aqueles babadores plásticos com porta-sujeira são ótimos: recolhem os restos tombados, são fáceis de limpar e a criançada ainda se apega a eles, ó que bonitinho:

Badô (ou: Das reações desproporcionais)


Sobre a mala da mãe: manja aquela calça super básica, begezinha, que vai com tudo? Vale por duas, né? Não amiga, vale por meia. Seu filho pode até comer sozinho, mas a sujeira é conjunta. E mesmo que ele não esteja nessa fase da independência porcalhona, melhor garantir. Porque veja bem: ele pode não comer sozinho, mas em algum momento vai carimbar sua calça com a boca suja de molho de tomate. Ou vai deitar a cabecinha no seu ombro e deixar um rastro de sopa/meleca/leitinho azedo. Ou vai ficar de pé no seu colo com as solas encardidas. Ou bater na sua mão e derrubar o jantar, ou entornar o suco, ou rolar na lama, fazer cocô explosivo, xixi pra cima, vomitinhos all over. As possibilidades são infinitas, de modo que de perto dele limpinha, limpinha você não sai. Há que se pensar nisso antes de fazer uma mala cheia de peças claras ou "coringas", dessas que vc pretende usar mil e uma vezes durante a viagem.

Então esquece Glorinha Kalil e todas as lições sobre "malas econômicas" que você ouviu por aí. Com criança é sempre melhor se precaver. Se joga no malão, se for possível - ou se joga numa capucha de plástico sempre que for se aproximar da fera, pra poupar suas roupas. E caso a mala precise ser econômica, o critério "suja menos" é tão importante quanto o critério "combina com mais".


Outra coisa importante: fazer as malas com antecedência, de preferência com a criaturinha dormindo. Porque, deus do céu, como eles atrapalham! O passatempo da Alice era enfiar no pescoço cada peça de roupa que eu guardava, ou abrir os zíperes das necessaires, ou levar os sapatos pra passear. Depois ficou chiliquenta e passou uma hora inteira aos berros tentando se agarrar na minha perna. Eu, atrasada, fintava a pobre e prosseguia na função, tentando ignorar o show - mas choro de bebê na orelha é uma coisa que abala o miolo mais interno da gente, impossível ignorar, de modo que o saldo, pra mim, foi: mau humor profundo, lágrimas silenciosas dentro do táxi e a mala mais idiota ever: esqueci pijama, camisetas e, céus!, calça jeans. Mala sem calça jeans, notem a gravidade da coisa.


Mas pelo menos eu lembrei de pegar aquela outra calça...


...aquela suuuper coringa...


...o que pode dar errado, afinal?


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

:: Na estrada


Estamos viajando, gentes.

Vou tentar, mas não garanto blogadas (nem emails ou comentários respondidos) nos próximos dias. Estamos naquele esquema "uma cidade por dia", então o tempo tá bem curto.

Posso adiantar o seguinte: bebê + horas no carro = todo o repertório de musiquinhas infantis do planeta, non-stop. Se no fim da viagem Alice ainda me suportar, tô no lucro!

Beijos e até!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

:: Voando de volta


Okei, cá estou em Paris e vos digo que a volta, pasmem, foi ma-ra-vi-lho-sa!

2 fatores foram decisivos para tal: o remedinho bombástico que a pediatra receitou pra chumbar a Alice e uma cagada federal da TAM, que acabou me rendendo algumas regalias.

O remedinho: Muricalm, 1 gotinha por quilo. Deu um pau no Dramin.

A cagada da TAM, resumidamente: escolhi o vôo em função do berço, e confirmei o berço na compra, e confirmei o berço por telefone, e fiz todo um plano de ação mirabolante envolvendo o bendito berço, e na hora H, no check-in, moça me avisa que não tem berço. Como assim não tem, amiga?, me arrume um berço djá, pelamor! Impossível, senhora, esta aeronave, a MD11, não possui berço.

Ódio. Muito ódio da TAM, das suas atendentes sempre mal maquiadas e da PQP do berço, que no fim das contas é uma merda anyway, ruim com ele, pior sem ele.

- Então me dá um upgrade (ah, tentei!). 
- Não dá, senhora.
- Então me deixa um lugar vazio do lado. 
- O vôo está cheio, senhora.
- Então me deixa entrar com o carrinho (nessa hora eu implorei, lagriminhas nos olhos).
- Impossível, senhora. 
- Então me diz: como, COMO eu vou viajar 11 horas com um bebê no colo, me diz! 
- Não sei, senhora. A senhora deseja remarcar para amanhã?

Ódio, ódio mortal dessas mocinhas com o cabelo empastelado de gel. 

Passei dela pra um superior, que foi muito educado e solícito, prometeu muito e não resolveu picas. E então resolvi ir no conselho de um cara que assistiu a cena e resolveu palpitar: esquece eles aqui embaixo, isso é coisa que se resolve dentro da aeronave. Vai com fé que lá dentro eles dão um jeito.

Oxalá!, e fui com fé, e levando a cadeirinha de carro à tiracolo e um discurso indignado na ponta da língua. Nem precisou. Os comissários de bordo, diferente dos atendentes de terra, são queridos e eficientes. Bastou explicar a situação que eles me deixaram entrar com a cadeira, agilizaram umas trocas de lugar e em menos de 10 minutos eu estava instalada no fundão, fileira do meio, com os 3 assentos a disposição. Lindo! Alice dormiu bonitinha em sua própria e confortável cadeira, ocupando um banco e meio, e a mamãe aqui dormiu graciosamente no banco e meio restante (é pra isso que a gente não passa de 1,60m, não é mesmo?). Milhões de vezes melhor que o plano original, o tal berço maledeto, desconfortável pacas. 

A dica é: tretem, mamães! Se a companhia aérea malandrear pra cima de vocês, tretem, mas tretem muito (pero sin perder la ternura!), se livrem da porcaria do berço e confiem que Nosso Senhor há de vos providenciar uma tripulação amiga e uma viagem gloriosa. E não esqueçam do Muricalm!




sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

:: Mais dicas de viagem


A Gabi
, companheira blogueira lá do meiafina, escreveu um post com mais dicas pra quem for pegar avião com bebês. Eu, que volto pra Paris domingo (fear!!!), já fui lá me atualizar.

Aliás, vale conhecer o blog dela. Diferente de mim, que sou só pitaqueira, ela é psicóloga e já pesquisou um bocado de coisas relativas a maternidade. Tem uma visão mais embasada da coisa, o que é muito bom.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

:: Terror a bordo


Daí que eu peguei a Alice, me enfiei num avião e vim dar em São Paulo, conforme contei aqui.

E a Flavia pediu dicas para viajar de avião com um bebê sem morrer no processo. Eu também quero as dicas, por favor. Porque eu não morri, mas cheguei a pensar que não seria assim de todo mal bater as botas lá em cima quase. A viagem foi uma pequena amostra do que deve ser o inferno. 

Começou no aeroporto. Alguém aqui já tentou levar um carrinho de bebê e:

a) empurrar junto o carrinho das malas?
b) subir escadas?  
c) fazer xixi? 

A coisa mais simples vira missão impossível quando se tem um bebê e nenhuma ajuda. Baita perrengue, não tem fila preferencial que compense - e olha que fila preferencial compensa quase tudo nessa vida.

Bom, e aí o vôo. Sentei na janelinha, sapequei Dramin na pequena e rezei, rezei muito - e nem religiosa eu sou. Rezei pra Alice dormir a viagem toda, pra cadeira do lado estar vazia e pro avião não explodir em nenhum momento. Nessa ordem. 

Sentou-se uma garotinha boliviana de uns 10 anos do meu lado. A sorte é que ela era fofa e não reclamou de nada, nunca. O azar é que, por ser fofa e não reclamar de  nada, ela não pediu pra trocar de assento - e tinha um lugar vago logo ali pertinho. Mas não, ela ficou ali sentadinha do meu lado, e dormiu loucamente a viagem inteira, uma coisa admirável dadas as circustâncias.

Porque eu pedi um bercinho pra Alice. E o berço fica pregado na parede, entre as duas poltronas, a 2 palmos dos narizes de quem está sentado. Portanto ele te impede de abrir a bandeja, levantar a tv, abaixar para pegar uma coisa caída no chão. E, se você está na janela, ele te impede de levantar e passar. Pra sair é preciso escorregar da cadeira e ir engatinhando até o corredor, passando por cima dos pés do seu vizinho, a cara e dignidade coladas no chão de carpetinho azul. 

Até esse ponto eu ainda acreditava, tadinha, que o meu maior problema era ter que rastejar pateticamente e ficar sem filminho por 12 horas. Mas foi pior, muito pior. Eu teria que escrever um texto do tamanho d'Os Lusíadas para dar conta de tudo, mas vou resumir assim: vôo noturno, uma mãe sozinha, uma criança insone, um berço atravancando os movimentos, um copo de suco entornado, um dedo cortado e muitos choques nos cobertores sintéticos, os cabelos estalando por causa da eletricidade estática. As pessoas passavam por mim e quase choravam de pena, e eu quase chorava de auto-pena, e Alice chorava sem pena de ninguém, enfim, um triste espetáculo. 

E semana que vem ainda tem a volta, oh God!!!


***


Bom, exercitando meu lado Pollyanna Moça, vou buscar algo de bom nessa história toda e tentar tirar dessa traumática experiência algumas lições.

Acho que a grande dica é: não viaje sozinha com um bebê, ponto. Se essa dica for seguida, praticamente todo o resto é dispensável. Mas como nem sempre é possível, eis algumas medidas que podem aliviar a situação:


NO AEROPORTO


1. Você vai estar com um carrinho de bebê, então libere as mãos como for possível. O melhor é tentar despachar tudo e ficar só uma mochila, que seja ao mesmo tempo sua bolsa e a sacola do bebê. Quanto menos tralha pra carregar, melhor.

2. Fila prioritária, sempre. É um direito e você merece, amiga! Se joga! 

3. Aproveite que mães e bebês despertam a simpatia dos passantes e peça ajuda, sem pudor. Tem coisas que você realmente não vai conseguir fazer sozinha.

4. Menor de idade viajando com um dos pais precisa da autorização do outro, reconhecida em cartório, com foto do menor, blá-blá-blá. Se informe pra não correr o risco de perder a viagem - mesmo que ninguém nunca peça o tal documento.

5. O freeshop é uma tentação e um problema. Comprando no embarque, você se enche de coisas pra carregar. No desembarque, além da exaustão, você tem um carrinho de malas pra empurrar junto com o carrinho de bebê, e o carrinho precisa ser deixado na entrada. Então você pegaria fila pra deixar, e fila no caixa, e fila pra retirar, e são 6 da manhã, você quer fazer xixi, sua mãe tá te esperando lá fora desde as 4h30, dá preguiça, e aí já era: você desencana e seus entes queridos ficam sem chocolatinhos nem maquiagens incríveis da MAC (sorry, Mel!). Comprar presentinhos antes e evitar o freeshop me parece uma boa idéia, por mais doloroso que possa ser. 


NO AVIÃO


1. Monte um kit de sobrevivência na selva: lenços de papel, lencinhos úmidos pra limpar sujeiras mais grudentas, saquinhos pra juntar lixo, e tudo o que possa servir pra distrair/acalmar o pequeno monstrinho gritalhão: brinquedos, livrinhos, pão, biscoitos, etc (eu apelei e levei chocolate, o que me rendeu bons minutos de silêncio, apesar da lambança).

2. Farmacinha: Valium Dramin ou algum outro remedinho pra chumbar o bebê (receitado pelo pediatra, ok? ), mais reza braba pra ele funcionar. Arsenal anti-ressecamento: soro fisiológico pro nariz (tipo Sorine ou Salsep), manteiga de cacau, hidratante pro rosto, mãos, etc. Uma garrafinha de água vai bem – mas com moderação, cuidado com o xixi! Se você for desastrada como eu, band-aid é uma boa também.

3. Kit básico: fraldas, leite, jantar, aquela coisa toda que vocês estão cansadas de saber. Acho que dá pra pedir comida de bebê, mas nunca tentei. Chequem com a companhia aérea na hora de comprar as passagens.

4. Se você pedir o berço (também com antecedência, na compra da passagem), lembre-se que não vai consegui sair facilmente da poltrona. Portanto, cuidado para não guardar no bagageiro o que for usar durante o vôo. Melhor deixar a mala no chão e manter tudo ao alcance das mãos.

5. Pela mesma razão, as idas ao banheiro são complicadíssimas. Não exagere em água, sucos e afins.

6. Melhor ainda: faça uma cara meiga e sofredora e implore pros comissários tentarem manter o assento ao seu lado vazio. Isso resolveria boa parte do problema de mobilidade e espaço. Ensinar seu bebê a mandar beijinho pra eles pode ajudar bastante.

7. Faça um amigo! Ele vai ser importante na hora de te ajudar com a bandeja, pegar chupetas caídas, olhar o anjinho enquanto você faz xixi, te ajudar com as malas no desembarque. Para isso, ensine seu bebê a mandar beijinho, etc etc.

8. Acho que toda mãe sabe, mas não custa repetir: o ideal é o bebê mamar na subida e na descida, pra aliviar a pressão nos ouvidos.

9 - Antes da dica, uma historinha: lá pelas 3 da manhã, no auge da fúria da Alice, veio um comissário ver o que estava acontecendo, com um olhar que era um misto de pena com "faça alguma coisa, os outros passageiros estão reclamando" - ele não ousou dizer mas estava na cara dele que essa era a questão. Então essa dica não vai para as mães, mas para o resto do mundo: amigos, reclamar porque um bebê está chorando no avião o cúmulo da deselegância. Ele não está chorando porque a mãe quer, e tenham certeza absoluta que ela, mais do que ninguém, está DESESPERADA e fazendo de TUDO pra ele parar. Então poupem a pobre de olhares e resmungos. Podem ter raiva e xingar pra dentro, mas tenham a fineza de não externalizar a coisa. Sério. Não sejam mais um tormento pra essa pobre alma. 


É isso, amigas. Se tudo der errado, se alegrem e pensem que pelo menos o avião não explodiu.



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