terça-feira, 19 de maio de 2009

:: Três vivas pro anjo da guarda! Viva viva viva!


Eu sento num banco, olho embasbacada para as crianças no parquinho e a questão que fica é: como as elas sobrevivem à infância, COMO???

Tenho pensado muito nas minhas peripécias infantis e são de arrepiar os cabelos. E olha que eu fui uma criança boazinha e comportada (leia-se medrosa). Nunca fui do tipo terremoto, que se aventurava loucamente no mundo e dava dor de cabeça nos pais, e no entanto:


- - Fazia a clássica “bola invertida de bexiga”, que consiste em SUGAR a borracha de uma bexiga estourada para fazer uma bola pra dentro, sabe como? Depois a gente enrolava a parte que estava pra fora da boca e saía por aí com uma mini-bexiguinha, sem ter nem idéia do risco de um engasgo fatal que acabou de correr.

- - Resolvi certa vez que era tão, mas tão forte que conseguiria AMASSAR UM COPO DE VIDRO. E peguei um copo, desses de requeijão, e apertei apertei apertei com to-das-as-mi-nhas-for-ças, até a mão tremer. Por sorte, o que me faltava de inteligência faltava também de força, de modo que não foi dessa vez que eu cortei minha mão fora por conta de uma brincadeira imbecil. Mas né? Um bocado preocupante que crianças tenham esse tipo de idéia...

- - Rolar cachoeira abaixo é a história da minha vida. Mesmo depois de adulta, diga-se. É botar o pezinho e zuuum!, lá vou eu, ora levada pela correnteza, ora descendo pelas pedras feito tobogã pra só parar a poucos metros da grande queda fatal (meu anjo da guarda é foda, sério! Amo-o muito). Teve até um episódio humilhante em que eu, toda pimpona, tentava seduzir um mocinho numa cachoeira em Maresias. Comecei a cena toda diva sensual e terminei grudada numa pedra feito lagartixa, o biquíni enfiado na bunda e as celulites todas pra fora, esperando o resgate - e ainda rindo ra-ra-rá pra mostrar todo o meu espírito de aventura. Aí o caso com esse mocinho só durou poucos meses e não consigo evitar de pensar que o episódio da cachoeira tem um pouco a ver com isso. Porque se nem eu me respeito depois daquilo, imagina ele, que viu de camarote e ainda foi salvar a barangona encalhada? Muito embaraçoso. Um dos meus pontos baixos dessa vida, mas que pelo menos me rendeu uma boa história e divertiu muita gente nas rodinhas sociais por aí, sendo a minha historinha tragicômica favorita de um monte de amigas queridas (alô Jojo e Nivão, que saudade de vocês!). (Ah, e esqueci de contar que no dia seguinte, pra coroar toda uma situação de charme e sedução, eu tinha 11 bichos geográficos nos pés por andar de chinela na trilha lamacenta e pisar nas cacas que lá estavam. Pensando bem, é de se admirar que o mocinho tenha sequer me encarado depois dessa viagem, que dirá por uns meses. Um cara generoso, sem dúvida...). Enfim, o fato é que o Universo não quer que eu freqüente cachoeiras, ponto. Melhor respeitar.

- -E os engasgos com bala soft? Chega até a me bater um saudosismo, lembro da sensação como se tivesse uma a-go-ra atravessada na minha goela. A bala escorregava sem querer e travava na garganta, TUM! Aí dava na gente um nervoso de um segundo e meio, rolava uma tossida engasgada e a bala deslizava de volta pra boca, onde continuava sendo chupada como se nada houvera. Acho que não existe mais bala soft, ou ela vem com um furo no meio, o que tira muito a aventura da coisa. Mas quem precisa de aventura quando se tem filho, não é mesmo? Anyway, as moedas continuam aí pra preocupar a gente...

Olha, eu poderia continuar infinitamente, mas não o farei. Só de escrever isso aqui já me dá uma vontade louca de correr na creche e espiar se minha filha está bem, se ela não engoliu nada ou arrancou o olho de um coleguinha. Ganhei uns cabelos brancos só de lembrar desses episódios que, repito, foram vividos por uma criança com-por-ta-da. Dá pra ser tão absurdamente pior que eu prefiro nem pensar (tá, agora sem querer lembrei da historia do Carlos, que aos 10 anos, andando de bicicleta em Santo Amaro, veio no pau e atravessou um cruzamento movimentado sem olhar, simples assim. Arrepios de horror).

Enfim, por essas e por outras que eu, uma mãe que não acredita em Deus, comecei a ter algum tipo de fé. Porque sem ajuda divina, a raça humana - com esse talento infantil de se colocar em situações de risco - simplesmente não poderia ter se multiplicado tanto. Se chegamos aos bilhões, é porque tem muito anjo por aí segurando a onda da gurizada. Certeza.

Então, em um lindo dia de sol, daqui da varanda do meu café favorito, onde almoço e escrevo e espero a hora de pegar a pequena na escola, ergo a taça (vinho francês, viu?) e proponho um brinde a eles, os anjos, que olham os nosso filhotes nos poucos momentos em que a gente não tá olhando. Tim-tim!

24 comentários:

  1. Ei, Mari.. toda diva brindando com os anjos... posso imaginar a cena! hehe

    Adorei. Já estava com saudades! Sabe que fui uma criança bem doidinha. Se te contasse todas que aprontei, iria correndo pra creche ver se está tudo bem rssrsrs

    Beijo!

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  2. ai meu deus!!!!! a minha única peripécia foi com a bala soft, que o açougueiro do mercado era fera em "desentupir" a criançada... ahahahahahaha... no mais, eu era meio autista mesmo, enfiada nos meus livros do lobato... mas quando dei a luz, acho que tbém adquiri algum tipo de fé e espero que o anjo da júlia sempre esteja presente, nos momentos onde nós mães ñ podemos estar :)

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  3. Menina, sinto a mesma coisa. Eu também era uma criança medrosa e aprontei tanto. Quebrava o braço como quem quebra um prato. Sempre gostei de rua e passava horas sem dar satisfação, esquecia da hora do almoço, sempre fui super aérea... Hoje morro de medo de atravessar a rua, não sei quando conseguirei deixá-la andar sozinha e, apesar do forte ateísmo, prefiro acreditar que alguém olha por ela. Ufa!

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  4. Caramba, essa da bola invertida com a bexiga eu não lembrava... e só agora me dei conta do risco que a gente corria mesmo...
    Lembro também que eu e meus irmãos subíamos nos muros e paredes de uma construção ao lado de casa, e ficávamos caminhando literalmente sobre as paredes que tinham sido erguidas, como se estivesse andando pela casa. Um horror...
    Beijos,
    Roberta

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  5. Ai que lindo esse final! Tô arrepiada.
    Só por isso, vou assistir Cidade dos Anjos, de novo, hoje à noite!
    Beijones gata!
    PS: eu fui tão comportada quanto você. Na verdade, eu era medrosa, chata e burra. Não fazia nada. Mas aí, veio meu irmão pra compensar tudo que poupei meus pais. Se Alice colabora, cuidado com o segundo filho :p

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  6. A gente fala aqui em casa que a nossa vida virou tipo um videogame "Não Deixe o Bebê Morrer". E sobre o engasgo de bala soft, TODAS as crianças da minha família já tiveram de ser viradas de cabeça pra baixo pra desengasgar. Não sei como estamos todos vivos tendo nascido numa geração onde não existia cadeirinha de carro e o avô da gente dava vinho com um pouquinho de água pra gente tomar. Só pode ser milagre. (A Helena é de 17 de setembro, bem pertinho da Alice!)

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Ótimo post, como sempre, D. Maricota!
    Senti novamente a bala na garganta.E eu que achava minhas bolinhas de restos de bexigas inofencivas...

    Bjs.

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  9. Mari, tenho certeza que a criançada tem anjo da guarda 24 horas! Eu tinha...porque era bem arteira quando criança e to aqui, com 34, mãe de uma bebê de 9 meses que começou a subir, ontem, na mesa da sala e descer de ponta, como se estivesse em uma piscina! Socorro! Já liguei pro anjo dela e coloquei ele de plantão! Beijo! Dani

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  10. Você tem toda a razão! Se não fossem os anjos da guarda, a expectativa de vida da humanidade não passaria dos 10 ou 12 anos!Rs... Eu também fui uma criança super quietinha e fiz tudo isso que você relatou: bola de bexiga, engasgo com bala soft... fora brincar naqueles brinquedos mrtíferos ipo trepa-trepa de metal (alto e enferrujado), gangorra com mais de uma criança de cada lado etc. Mas, como dizem, Deus protege!

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  11. Tenho pesadelos com bala Soft... aiai... Mas meu comentário vai mesmo para a mammy glamour tomando um vinho num café em Paris esperando a filha sair da escola... Adoooooro!!
    Tim Tim pra nós tb, que merecemos!!!
    bjos

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  12. BZ, também fui uma criança quieta, calma e concentrada nos livrinhos, mas minha irmã era meu oposto, e olha só o nível das traquinagens lá no interior. Um dia meu pai ouviu minha irmã no gramado da calçada, toda docinha: "ó que bonitinha que você é, toda coloridinha...". Ele desconfiou e correu; encontrou a Lili brincando com um filhote de cobra prestes a dar o bote! Se fosse meu filho, eu enfartava!
    Por essas e muitas outras que meus pais eram -- e ainda são -- verdadeiros experts em segurança doméstica!
    Mas como não podemos ser onipresentes e onipotentes, também gosto de acreditar no que o (meu) Carlos costuma dizer, que Deus protege as crianças, os bêbados e os loucos...
    Beijos

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  13. Rolei de rir lendo isso.
    Até porque dou aula pra umas criaturas de dois anos e muita imaginação pra travessura. O anjo da guarda deles é bom mesmo!!!

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  14. Me arrepiei com a bala Soft!
    Que horror...
    E viva para os anjinhos!
    Pena que não estou em Paris para brindar também!
    Bj

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  15. Num gosto nem de pensar... graças a Deus que Ele é fã de criança...

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  16. Ai, BZ, adoro!
    Vc é uma figura!

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  17. Homenagem pro seu blog no meu http://peloscotovelosecotovelinhos.blogspot.com
    Bjos

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  18. Muitos e muitos vivas! Anjo da guarda de criança é o mais poderoso de todos. Eu amava fazer a bolinha invertida de bexiga tb! rsrsrs!
    beijinhos, Re

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  19. Adoro seus textos. Esse blog ainda vai dar um livro. Com prefácio em francês. Très chic!
    Beijos

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  20. Querida, só posso te dizer uma coisa! Você É a nossa Carie Bradshaw... que luxo!

    Beijos, muitos! Helena manda chutes tbm!

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  21. estou rindo ainda!! adorei o texto! nada como dar boas risadas antes de dormir e acabar o dia bem!
    bjs e saudades loucas!
    Nívea

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  22. Mariana,
    Suas histórias são muito legais, gosto muito do jeito que você escreve, muito divertido! E olha que eu ainda nem sou mamãe, só estou no ensaio para daqui um tempinho.

    um grande abraço,
    Fabiana

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  23. Mari, um vez eu e meu irmão estávamos brincando e eu falei pra ele: Quer ver eu virar uma bruxa? Duvida? Aí, virei meio copo de K-boa goela abaixo! Acredita? Lembro até hoje do gosto hor-rí-vel! Minha mãe até hoje não acredita que isso aconteceu!

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